Fundado em 1913, o bairro de Marechal Hermes foi o primeiro no Brasil implantado como uma “Vila Proletária” e planejado para ser estritamente residencial, com direito à infra-estrutura de serviços públicos. Idealizado pelo então Presidente da República Marechal Hermes da Fonseca para suprir a carência de moradias populares, o projeto teve o tenente engenheiro Palmyro Serra Polcheira como responsável pelo desenho e execução da planta.

Marechal Hermes da Fonseca Praça Montese

Com o término do governo do Mal. Hermes, em 1914, o projeto, combatido pela sociedade, foi abandonado e, dos 1350 imóveis previstos, somente 165 foram construídos. Surgiram então moradias simples, erguidas pelo operariado, na área que ficou conhecida como ”Portugal Pequeno”, devido à predominância de portugueses.

As ruas largas e arborizadas foram abertas em torno da Praça Montese, defronte à estação Marechal Hermes da Estrada de Ferro Central do Brasil, inaugurada em 1913. O prédio da estação – hoje tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico – foi influenciado pelo modelo das ferrovias inglesas e é feito de tijolo maciço, com telhas francesas, quatro fachadas, amplas coberturas, detalhes em azulejos e arcos de ferro fundido.

Na década de 1930, o presidente Getúlio Vargas retomou as obras no bairro e realizou grande intervenção no projeto original, construindo blocos de apartamentos e modificando a nomenclatura das ruas para homenagear militares.

Na avenida Gal. Osvaldo Cordeiro de Farias, fica o hospital estadual Carlos Chagas, construído em 1934 e um dos mais antigos da Cidade. Destaca-se ainda no bairro o teatro Armando Gonzaga, projeto de Afonso Eduardo Reidy, com auditório para 300 pessoas. O teatro, inaugurado em 19 de abril de 1954 pelo prefeito do então Distrito Federal, Dulcídio do Espírito Santo Cardoso, ocupa um quarteirão inteiro e é dedicado a abrigar espetáculos para o público local.