Segundo alguns autores, o devassamento do território onde hoje se localiza Resende foi conseqüência da febre de ouro que, do século XVI ao século XVIII, contagiou bandeirantes e aventureiros. Por esta razão, a primazia da exploração coube aos faiscadores que transitavam pelo Paraíba em busca das Minas Gerais.

Consta que, em 1715, da concessão feita por D. João V a Garcia Rodrigues Paes Leme, faziam parte as terras de Resende. Todavia, tem-se como certo que sua colonização só se verificou em 1744. Foi por essa época que procedentes de Aiuruoca, em demanda dos rios auríferos da região de Itatiaia, na Mantiqueira chegaram os primeiros colonizadores, que se estabeleceram na margem esquerda do Paraíba, onde atualmente se ergue a Vila de Agulhas Negras. Entre esses pioneiros se encontravam, na opinião de alguns historiadores o bandeirante Simão da Cunha Gago, o padre Felipe Teixeira Pinto e Máximo Barbosa. O primeiro nome que deram à terra foi o de Nossa Senhora da Conceição de Campo Alegre da Paraíba Nova. Desde então começou a zona a ser freqüentada por levas de faiscadores que levantaram primeiramente ranchos de tropa, e mais tarde, casas residenciais acabando por se fixarem no solo, onde começaram a surgir as fazendas.

O desenvolvimento da localidade, graças às notícias favoráveis veiculadas a seu respeito, permitiu que, já em 1747, fosse ali erguida a primeira capela, erigida em honra de nossa Senhora da Conceição de Campo Alegre, recebendo dez anos depois o predicamento de freguesia.

O negro escravizado veio cooperar decisivamente para o surto econômico verificado no período imperial, sobretudo no setor agrícola, com o café cultivado em largas extensões de terra. As primeiras mudas de café plantadas em Resende foram ofertadas, por volta de 1780, pelo bispo Dom José Joaquim Justiniano ao padre Antônio Couto da Fonseca, então residente na localidade. Encontrando boas condições de cultura, o café foi plantado em quase todas as fazendas da antiga Vila de Campo Alegre de onde se irradiou por todo o Vale do Paraíba passando, a seguir, para as provincias de Minas Gerais e São Paulo. Em vista de seu progresso, o Governo resolveu promover a instalação da vila, o que se verificou em 29 de setembro de 1801, recebendo, então, a denominação de Resende, em homenagem ao quinto Vice-rei, Conde de Resende, naquela época Governador do Brasil.

Tempos depois, além dos elementos portugueses e africanos, começaram também a afluir colonizadores de origem alemã, notadamente no governo de D. Pedro II, que facilitou a criação da chamada Colônia de Porto Real. Os imigrantes dedicaram-se à cultura de cana-de-açúcar, na qual obtiveram considerável êxito. Foi ao desenvolvimento de sua lavoura que, no Segundo Império, Resende deveu o lugar de destaque de que desfrutou entre as demais localidades fluminenses. Tal era o seu progresso na primeira metade do século XIX que o Governo, em 1848, reconhecendo-o, elevou a sede da Vila à categoria de Cidade. Esse período de prosperidade, todavia, só perdurou enquanto a lavoura do Município pôde contar com o trabalho escravo. Com o advento da Lei Áurea o panorama econômico mudou completamente.

Durante a República, no governo do Marechal Hermes da Fonseca, numa tentativa de repovoar o solo, foram fundados os núcleos coloniais Visconde de Mauá e Itatiaia, que não progrediram.

A transferência da Escola Militar (atualmente Academia Militar de Agulhas Negras), para Resende motivou uma série de melhoramentos que também contribuíram sobremodo para que a comuna readquirisse o antigo prestígio.

Câmara Municipal

Exemplar de gosto eclético, característico dos edifícios públicos construídos nas primeiras décadas deste século. O prédio em forma de "L" possui um acentuado pé direito no pavimento térreo, realçando sua monumentalidade. O telhado em quatro águas, está oculto por platibanda e cornija ricamente trabalhada, emoldurando a parte superior de todo o prédio. O interior sofreu algumas alterações, mas não comprometeu o conjunto. A Câmara Municipal foi construída há mais de cem anos.

Casa Sede da Fazenda Palmital

A fazenda está a 1.050m de altitude, ao pé das Agulhas Negras e circundado de abundante vegetação onde se destacam pinheiros, eucaliptos e araucárias. No Hotel Fazenda Palmital há vários chalés que cercam sua sede, formando uma praça onde não falta o coreto para as serestas e uma pequena capela.
O velho casarão, construído há 306 anos e residência dos proprietários da fazenda, possui assoalho de madeira, paredes de pau a pique e algum mobiliário da época, ainda conservado. Era nesta casa que D. Pedro I costumava se hospedar com Marquesa de Santos, quando o casal subia a serra para as estações de águas, em Minas Gerais.

Casa Sede da Fazenda Três Pinheiros

Calcula-se que a casa-sede da fazenda tenha aproximadamente 230 anos, estando bem conservada, mantendo suas características originais e funcionando como hotel há 50 anos . Pertenceu ao Visconde do Salto, quando se desenvolveu a cultura cafeeira.

Com a abolição da escravatura foi vendido ao português Baltazar Magalhães que a transformou num grande entreposto comercial entre Minas Gerais e o Vale da Paraíba. No estilo da arquitetura do período colonial, mantém ainda as paredes da sede e do restaurante de pau a pique, assim como o fogão de lenha original onde são preparadas as refeições do restaurante.

As salas de estar são decoradas com peças e móveis da antiga fazenda. Hoje a Fazenda Três Pinheiros tem excelente produção leiteira, reserva florestal com 660 mil pés de eucaliptos, apiário, horta, plantação de milho, cana de açúcar e plantio de café. A 3 km do Distrito de Engenheiro Passos.

Casa Sede da Fazenda Villa Forte

O casarão da Fazenda Villa Forte, situado ao fundo de um parque arborizado, de frente para o Maciço de Itatiaia, foi adaptado para sede de um hotel fazenda. Construída em 1822, propriedade da família Villa Forte, o conjunto da fazenda era composto da residência senhorial, senzala, tulha, terreirão e casa de máquinas de beneficiamento de café.

A entrada principal da residência se faz por escadaria de mármore branco, o corrimão e as varandas em grade de ferro e as janelas e portas terminam em arcos de meia volta. O conjunto, muito bem aproveitado, tem a sala de jogos, bar, salão de espera e administração instalados no porão da casa e a antiga senzala transformada em confortáveis e modernos apartamentos.

Possui exemplares de móveis antigos além de uma litografia de D. Pedro II, em perfeito estado. Além da atividade hoteleira, a fazenda desenvolve também a exploração agropastoril e a suinocultura. BR-116 (Dutra), km 330.

Conjunto da Estação Ferroviária de Engenheiro Passos

O conjunto, com aproximadamente 130 anos, constitui - se de dois prédios, com as mesmas características arquitetônicas, sendo um em um só pavimento e o outro em dois. O primeiro pavimento funcionava a estação ferroviária e no segundo a residência do administrador. A 2km do Distrito de Engenheiro Passos - Via Dutra.

Estação Rodoviária

Prédio construído em tijolos e madeira, modelo típico trazido para o Brasil , na segunda metade do século passado, juntamente com a tecnologia das estradas de ferro. Dos dois pavilhões originais ainda resta um, no outro lado da linha férrea. O prédio atual possui elementos característicos de sua época, tais como superfícies despojadas de ornamentação, combinação de volume puro criando vários planos na fachada e a utilização de pó de pedra como revestimento interno. É digno de nota de a família tipográfica utilizada na inscrição da fachada, muito coerente com o "design" gráfico da época. Está em bom estado de conservação.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

A igreja começou a ser construída em doze de maio de 1747 e foi inaugurada em 1813. Sofreu algumas reformas, mas ainda conserva seu acervo, algumas peças de sua época de construção. Merece destaque a imagem de Sant’ Anna e Nossa Senhora Menina em madeira e de tamanho natural. Incendiou-se em 1945, salvando-se as fachadas com as duas torres e as paredes laterais, sendo mais tarde totalmente reconstruída. Possui uma grande porta de acesso encimada pelas três janelas do coro. Duas pilastras de cada lado arrematadas por uma cornija enquadram a composição, coroada por um frontão triangular e por duas torres encimadas por cobertura de forma piramidal.

Igreja São Miguel

A 7 km do centro de Visconde de Mauá . Situa-se à margem direita do Rio Preto. Atrás da igreja, na margem esquerda do rio, pode-se avistar o Parque Nacional de Itatiaia. Data de 1938 e foi reconstruída em 1967.

Igreja São Sebastião

Com campo gramado à sua frente e ao seu lado casas de mesma época, está localizado no centro de Visconde de Mauá. Tem sua história contada através de uma pedra de mármore pregada na parede. Data de 1912. O nome do santo é invocado em casos de doença e nas colheitas.

Mercado Municipal

O Mercado Municipal foi construído no início do século XX para funcionar como tal mas nunca chegou a cumprir seu objetivo tendo sido fábrica de passamanaria, mercado de tropeiros e cooperativas de produtores, sendo atualmente ocupado pelo supermercado dos produtores. O galpão é de estrutura metálica, assim como a estrutura do telhado. Somente na fachada frontal mantém seu aspecto original. É interessante a solução dada à cobertura com lanternim garantindo boa ventilação e iluminação no interior. Está em bom estado de conservação.

Palacete

Construído no século XIX , foi propriedade do Padre Marques da Mota. Nele foi instalada a máquina que imprimiu o 1 º jornal de Resende, "O Gênio Brasileiro" . Era considerada a residência mais confortável da cidade e foi requisitado para hospedar a Princesa Isabel e Conde D’Eu, quando visitaram a cidade em 1868. Hospedou também vários governadores de Estado. O prédio é de grande valor arquitetônico.

Ponte Nilo Peçanha

Ponte de pedestre sobre o Rio Paraíba do Sul. Ponte pré - fabricada, importada da Bélgica, de estrutura metálica e estrado de concreto ciclópico, apoiada em pilares de ferro fundido. Veio substituir outras precárias pontes de madeira construídas anteriormente no mesmo local. Sua construção é um marco histórico no desenvolvimento da cidade. Possui dez vãos, estando atualmente em boas condições.

Prédio da Prefeitura Municipal de Resende

Possui jardins gramados e um obelisco em comemoração ao segundo centenário da introdução cafeeira no Brasil. O prédio começou a ser construído em 1834, através da subscrição popular. Abrigava no pavimento superior a Câmara e o Júri. No térreo, a cadeia. Foi construída para ser sede de uma fazenda de café e posteriormente antiga sede da cadeia da cidade, mantendo até hoje suas características originais. Trata-se de prédio de dois pavimentos, solto no térreo, com planta retangular e telhado em quatro águas.

Utilizando os materiais e técnicas construtivas tradicionais - taipa de pilão e madeira, o prédio possui aspecto das construções dos séculos anteriores, obedecendo à construção de uma cadeia típica do século. Alguns elementos da fachada, como o gradil de ferro trabalhado, acima da grande porta de acesso, valorizam o centro da composição e revelam características do século XIX. É notável o tratamento do saguão de entrada, onde se destaca a arcada que dá acesso a escada de madeira, conduzindo ao pavimento superior.

Santa Casa da Misericórdia

Está situada na parte antiga da cidade, a leste onde era armazenado e embalado o café, via fluvial, para Barra do Piraí e para o Rio de Janeiro. O prédio ocupa praticamente um quarteirão, impondo-se pelo tamanho do casario próximo. Sua construção iniciou-se em 1861, porém o prédio foi construído em etapas. Encontra-se atualmente bastante descaracterizado. De construção simples, porão não habitável e paredes de taipa, revela apenas na fachada principal uma preocupação plástica. De concepção simétrica, possui o corpo central mais valorizado, com uma grande porta, que dá acesso à capela ladeada por duas janelas com verga em arco pleno. Originalmente sobre este corpo central, havia frontão curvo e , em toda fachada , uma platioanda. A capela mantém seu aspecto original.

Sobrado da Lira

Característico da segunda metade do século XIX, fazendo parte da feição primitiva da cidade. Foi residência de fazendeiro e, hoje é sede do jornal "A Lira", que ocupa parte do andar térreo. Em 1953, um incêndio devastou parte do casarão, que sofreu várias alterações externas e internas que o desfiguraram muito. O sobrado segue as linhas características da época, com grandes pilastras nos ângulos e numerosas janelas de guilhotina no 1º andar, que correspondem às portas do andar térreo.

Sobrado de D. Maria Benedita

Construído em 1840 pelo Comendador Manoel Gonçalves Martins, um dos maiores produtores de café da região. Posteriormente foi residência de sua filha D. Maria Benedita, conhecida como a "Rainha do Café".