Durante o período colonial, o Brasil, ligado a Portugal, esteve dividido em capitanias hereditárias. O território que forma o atual Estado do Rio de Janeiro fez parte de três importantes capitanias - São Vicente, Cabo Frio e Paraíba do Sul; e o atual Município de Porciúncula integrava esta última que coube a Pêro Góis da Silveira.

Até início do século XIX, as terras que hoje compõem o Município de Porciúncula mantiveram-se fora das correntes colonizadoras, estando sua origem e evolução muito ligadas ao crescimento de Itaperuna. Seu desbravamento verificou-se entre os anos de 1821 e 1831, quando José Lanes (ou Lana) Dantas Brandão fixou-se na zona do Rio Carangola, nas proximidades da atual Cidade de Natividade, desencadeando um fluxo migratório para quase toda a área que constitui, hoje, a região Noroeste Fluminense.

O progresso econômico e social verificado nessas terras logo chamou a atenção de autoridades civis e eclesiásticas, pois a população que crescia a cada dia, começava a reclamar assistência material e religiosa. Assim, no ano de 1879, foi criada a freguesia de Santo Antônio do Carangola, ainda em terras do Município de Campos, das quais se separou em 1885, passando a fazer parte do então recém criado município de Itaperuna.

Em 1938, a freguesia teve seu nome mudado para Porciúncula, e, em 1947, foi criado o município do mesmo nome, desligando-se do território de Itaperuna.

Arquitetura do Município

Como todos os municípios no Noroeste Fluminense, que passaram pelo período áureo das plantações de café, Porciúncula teve o seu auge de construções urbanas no final do século passado. Nas suas graciosas e bem cuidadas praças encontram-se residências ou armazéns do período eclético que caracterizaram as construções do final do século.

Ao findar o século, os vários estilos, misturados e aclimatados desaguaram no ecletismo, cujo apogeu seria no princípio de Novecentos. Na esteira das transformações, as residências foram construídas ou reformadas de maneira a se adequarem ao novo modismo. Valorizavam-se os jardins, construíam-se casas com beirais de telhas aparentes muitas vezes esmaltadas, apareciam os chalés. Lambrequins bordavam os telhados e varandas. Vidros cortados em curvas e gradis trabalhados em ferro, importados por comerciantes ingleses, vedavam e adornavam sacadas.

Algumas dessas residências encontradas em Porciúncula estão em bom estado, outras estão sendo restauradas. Essas construções ao lado de outras modernas na cidade, dão personalidade à cidade e nos contam um pouco de sua história. Além desses exemplares urbanos, a cidade conta com uma fazenda colonial ao lado do Parque de Exposições. A zona urbana alcançou o que, provavelmente em outras épocas, teria sido local de plantações dessa fazenda.

Casa do Artesão

A Casa do Artesão é organizada pela Secretaria de Cultura com o objetivo de promover o artesanato local. São feitas peças de sisal, jornal, matelassê, bijuterias, objetos em couro, cerâmica, palha de brejaúba, madeira e vagonite. Bordados, tramas, contas e encantos das mãos dos artistas porciunculenses na Casa do Artesão de Porciúncula.

Centro Cultural

A antiga estação ferroviária hoje é o Centro Cultural de Porciúncula onde funciona a Secretaria de Cultura e biblioteca. A estação ferroviária de Porciúncula faz parte da história da Estrada de Ferro de Carangola. O médico e político Dr. Francisco Portella da cidade de Campos, tinha o desejo de interligar a cidade de Campos a Tombos de Carangola, através de uma estrada de ferro que facilitasse a comunicação entre essas duas localidades.

Como era homem de grande visão pensava no futuro econômico da região. Junto com outros homens de posição na província fluminense assinou um contrato em abril de 1872 para o início da construção dessa sonhada estrada de ferro. Foram conquistadas adesões para o empreendimento e Dr. Portella surgiu com um traçado numa carta topográfica que encantou os engenheiros futuramente, pela engenhosidade desse traçado. Foram vendidas ações da empresa que iria construir a estrada.

O Comendador Cardoso Moreira, homem rico e influente, tornou-se grande propagandista da estrada viajando pelas cidades de Natividade, Tombos de Carangola e Santo Antônio de Carangola (Porciúncula). Francisco Portella foi eleito o primeiro presidente da estrada de ferro e Cardoso Moreira seu 1º tesoureiro em 1874. Para a colocação da pedra fundamental para a edificação da estação esteve presente D. Pedro II e a princesa Isabel em 1875.

No entanto a estrada depois do impulso inicial ficou longo tempo estacionada em Cachoeiro (atual Cardoso Moreira). Na época foi dito que tal atraso favorecia os negócios do filho de Cardoso Moreira que possuía um estabelecimento comercial no local dessa parada. O atraso prejudicava muito os fazendeiros da região que haviam também investido na estrada de ferro e contavam com as vantagens do escoamento do café pela via férrea. Nessa época grande agitação aconteceu pelo traçado da estrada de Ferro Leopoldina que estaria se dirigindo para Santa Luzia de Carangola. Não podendo estender a linha férrea até Muriaé, Cardoso Moreira tentou correr com suas obras e interceptar a Leopoldina em Santo Antônio de Carangola.

Quando atingiram o povoado em 1886 a Leopoldina já tinha preparado o leito de sua linha, dessa forma obrigando a Estrada de Ferro Carangola a abandonar seus projetos em território mineiro. Moreira depois de tentar embargar a obra da Leopoldina conseguiu um acordo com essa empresa.No entanto não havia estação em Santo Antônio ode Carangola o que muito incomodava a sua população. Uma empresa inglesa comprou a Leopoldina e a Carangola em 1888. Grandes eventos ocorriam no país. Em 1889 foi proclamada a república no Brasil.

O Dr. Francisco Portella foi nomeado primeiro governador republicano do Estado do Rio. Mais tarde em virtude de mudanças políticas Portella foi deposto e José Thomaz de Porciúncula foi eleito governador. Esse mesmo governador deu atenção à petição do povo de Santo Antônio de Carangola e em 1877 teve a inauguração de sua estação. No entanto o caso da estação demorou a ser resolvido. O trem não parava na estação e muitas brigas ocorreram entre o povo da cidade e funcionários da Leopoldina. Em 1893 foi inaugurado o prédio da estação e os dirigentes da companhia deram o nome do governador à estação.

Igreja Matriz de Santo Antônio

Inicialmente no local foi construída uma capela dedicada a Santo Antônio no povoado que era denominado Santo Antônio de Carangola, antigo nome de Porciúncula. A capela ficava numa espécie de outeiro que hoje já não se percebe mais devido aos aterros nas ruas ao redor. Os aterros foram feitos para a cidade se proteger das constantes das enchentes provocadas pelo transbordamento do rio Carangola. A igreja foi reconstruída na década de vinte e seu primeiro vigário chegou em 1925. Sofreu novas reformas nos anos posteriores. Possui pinturas do pintor português Funchal.