Foi sempre das mais destacadas a posição de Niterói nos fatos da nossa História.

Os Tamoios, primitivamente os únicos possuidores dessas terras, também seriam os legítimos defensores dos territórios marginais da Guanabara. Foram êles surpreendidos pelos conquistadores portugueses e franceses, que lutariam pela posse da terra descoberta.

Foi assim desde janeiro de 1502, quando a expedição de André Gonçalves aportou à Guanabara. Os ameríndios tomaram partido e foram despojados dos seus preciosos tesouros pelos portugueses, acumpliciados com a tribo inimiga, chefiada pelo "cobra feroz" - o Araribóia.

Com a divisão do Brasil em Capitanias Hereditárias, as terras marginais da Guanabara integrariam o grandioso legado de Martim Afonso de Sousa, nome também pelo qual foi mais tarde batizado o cacique Araribóia.

A sesmaria do Dr. Antônio de Mariz ou Marins Coutinho, Provedor da Fazenda Real no Rio de Janeiro, bem como as de Pero Martins Namorado e José Adorno, incorporando as terras de São Lourenço e Caraí (Icaraí), doadas em 1560 e 1565 jaziam ainda semi-abandonadas, quando se processou a desistência do fidalgo português e sua mulher Isabel Velho, para formar o patrimônio de Araribóia e sua gente. Era esta sesmaria constituída de "todo o terreno, desde as primeiras barreiras vermelhas, correndo ao longo da baía acima caminho do norte até completar uma légua de terras e duas léguas para o sertão". Começava, na realidade, em Gragoatá e rumava até Maruí, onde tinha início outra sesmaria. A doação por Mem de Sá tornou-se efetiva a 16 de março de 1568, sendo a posse solene, com a presença do Governador Cristóvão de Barros, realizada em 22 de novembro de 1573. Esta a data maior de Niterói, considerada feriado municipal e ainda solenemente comemorada todos os anos, mesmo em detrimento da efeméride de 10 de maio, quando, em 1819, verificou-se a emancipação política da Vila Real da Praia Grande.

Instalou-se Araribóia, com sua tribo, na encosta do morro de São Lourenço onde foram construídas as primitivas choupanas e igualmente uma capela a primeira edificada em Niterói.

Não tardou que as terras da sesmaria fossem dadas em aforamento aos aventureiros que procuravam usurpar a propriedade dos Tupiminós.

A morte de Araribóia, segundo Vanhagen, em 1587, devia agravar a situação aflitiva dos homens da aldeia de São Lourenço, cujas terras continuavam a ser invadidas por exploradores, proporcionando demandas de grande duração e suscitando dúvidas, algumas prolongadas através dos séculos. O aldeamento foi extinto em 26 de janeiro de 1866 pelo Governo da Província, tal a situação de decadência.

A igrejinha do morro de São Lourenço, que substituiu a primitiva capela, ainda resistindo às intempéries, é o principal monumento da Cidade e está incorporada ao nosso Patrimônio Histórico.

A decadência da sede da aldeia de São Lourenço contrastava com a prosperidade das demais regiões. Surgiram, em curto prazo, povoações diversas na Praia Grande, Icaraí, Maruí, São Domingos, São Gonçalo, São Francisco, Jurujuba, Itaipu e outras localidades, ao mesmo tempo que aumentavam as lavouras e pequenas indústrias, nas várias propriedades em que também se multiplicavam as sesmarias.

No século XVIII o progresso econômico atingiria proporções maiores e, ao lado das fazendas, não poucos eram os engenhos de açúcar e aguardente, da mesma forma que prosperavam as lavouras de cereais, mandioca, legumes e frutas.

O comércio desenvolvia-se na mesma proporção das atividades agrícolas e as dezenas de barcos de transporte de gêneros e passageiros davam maior movimento ao litoral, em constante intercâmbio com outros portos das diversas freguesias e igualmente com os da Cidade do Rio de Janeiro. Consolidavam-se assim, nos fins do século XVIII, as possibilidades de progresso das freguesias, que eram já habitadas por milhares de paroquianos-livres e escravos.

O século XIX, com a vinda de D. João VI para o Brasil, marcaria o apogeu do progresso das freguesias do Recôncavo e particularmente a de São João de Icaraí.

Tornou-se famoso, nesses sítios, o dia 13 de maio de 1816, quando D. João resolveu passar a data do seu natalício em São Domingos.

A população da Praia Grande alvoroçou-se com a presença da Nobreza e as demonstrações militares, em que tomava parte tôda a tropa aquartelada nas imediações, principalmente a "Divisão de Voluntários Reais".

A criação da Vila Real da Praia Grande seria conseqüência lógica dessas demonstrações de carinho e solidariedade de toda uma população a El-Rei.

A 11 de agosto de 1819 realizava-se a solene instalação, com as demonstrações máximas de regozijo da população agradecida. Uma nova era de progresso também seria iniciada para toda a região, assim distinguida pela generosidade real.

Foi feliz a Vila Real da Praia Grande com o seu primeiro governo. Traçado o plano de urbanização das terras das freguesias de São Lourenço e São João, foi, segundo documentação preciosa, o mesmo de autoria de José Clemente Pereira - o primeiro Juiz-de-fora nomeado.

Quando deixou o cargo, em 1821, a Vila já possuía 747 habitações e 5.015 habitantes, sendo 2.771 escravos e 2.244 livres. A receita da Câmara foi nesse ano, de 2:164$715 e a despesa de 2:022$365.

Ainda em 1821, José Clemente Pereira transmitiu o honroso cargo ao seu substituto, o Dr. Antônio José de Siqueira e Silva, depois de haver prestado os mais relevantes serviços à nova comuna, conquistando a estima e gratidão da população.

Não foi das menos práticas e eficientes a cooperação das tropas enviadas pelas freguesias da "banda d'além" para dar combate aos franceses no Rio de Janeiro, por ocasião das invasões dos contingentes comandados por Duguay-Trouin e Duclerc, em 1710 e 1711. As últimas pugnas, no centro urbano, tiveram a colaboração preciosa, oportuna e decisiva dos milicianos de diversas zonas dessas freguesias de aquém Guanabara . Em combate travado nas proximidades do cais Parou, quando entrincheirados os intrusos no trapiche de Luiz Mota Leite, lutando contra as tropas de Duclerc, perdeu a vida o Capitão de Cavalaria Antônio Dutra da Silva, que comandava os milicianos de São Gonçalo e outras regiões, os defensores do referido reduto.

Antes ainda da data magna de 7 de setembro, não menos ativas e destemerosas mostraram-se as milícias da Praia Grande. Revoltadas as tropas do general Avilez, aquarteladas na Armação, tiveram a repulsa dos milicianos e do próprio povo. Os revoltosos foram obrigados a pedir clemência a Pedro I, apressando, assim, o embarque para Portugal.

O Ato Adicional, de 12 de agosto de 1834, deveria criar uma situação excepcional para os anseios de progresso da Vila Real.

Alcançada a verdadeira autonomia da Província do Rio, pela emancipação do Município Neutro, com administração autônoma, foi eleita a primeira Assembléia Provincial e os deputados convocados pelo presidente - Joaquim José Rodrigues Torres, futuro Visconde de Itaboraí para reunirem-se na Vila Real da Praia Grande.

Dessa primeira Assembléia faziam parte as personalidades de maior relevo no cenário político nacional e que mais intensamente haviam colaborado para a emancipação política.

Entre esses vultos eminentes, estavam Evaristo da Veiga, Gonçalves Ledo, José Clemente Pereira, Francisco das Chagas Werneck, Caldas Viana, Paulino José Soares de Sousa (o futuro Visconde de Uruguai), que, em colaboração com o Presidente Joaquim José Rodrigues Torres ( Visconde de Itaboraí), deviam dar organização definitiva à administração da Província do Rio de Janeiro.

Uma das primeiras leis votadas seria a localização da capital da Província. A escolha recairia ainda na mesma vila, sede provisória e que foi elevada à categoria de Cidade pela Lei n.° 6, de 28 de março de 1835, com a consagração do topônimo Niterói.

Para a presidência da Província do Rio, seriam sempre escolhidos os mais experimentados estadistas. Desde o Visconde de Itaboraí, em 1834, até o Conselheiro Carlos Afonso de Assis Figueiredo, em 1889, ocuparam este elevado posto consagrados vultos da política nacional, entre os que mais se salientavam na administração da causa pública em terras do Império do Brasil.

Tal a importância de Niterói, em função desses múltiplos privilégios, que foi concedida, em 22 de agosto de 1841, à capital fluminense, o título de "Imperial Cidade".

A Cidade Imperial, capital da Província do Rio de Janeiro, seria também um foco de agitações em torno dos movimentos abolicionista e republicano.

Foi o quartel-general da mocidade fluminense, empenhada nas pugnas pela proclamação e consolidação da República. Alguns dos seus filhos ilustres, entre eles Benjamin Constant e Miguel Lemos, foram reformadores e pensadores do mais alto descortino e de grande predomínio nos meios culturais do país. Outros valores intelectuais colaborariam no próprio meio, nos Clubes Republicanos, nas redações, nas cátedras e nas praças públicas, entre os últimos bastaria citar os intimoratos propagandistas Silva Jardim e Alberto Torres.

Por essas mesmas razões, a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, não surpreendeu o povo de Niterói.

Na capital do Estado reuniram-se, no curto espaço de dois anos, dois Congressos Constituintes Senado e Câmara, em 1891, e Assembléia Fluminense Constituinte, em 1892, conseqüência esta última da deposição do primeiro governador, nomeado pelo general Deodoro da Fonseca o sr. Francisco Portela.

A revolta de 1893 teria reflexos os mais desastrosos para a Cidade de Niterói. Monumentos destruídos, bairros sacrificados, mortos e feridos, êxodo da população, lares desfeitos, ruínas, cores, sangue, lágrimas e desolação por toda a parte. Enfim, as conseqüências funestíssimas da guerra civil na cidade indefesa, somente contando com o heroísmo de seus filhos e a fibra do mais puro civismo dos batalhões patrióticos e dos seus comandantes, de que representa o maior padrão de glórias o grande defensor da "Cidade Invicta" - o general Fonseca Ramos.

Esta é a página mais brilhante da história de Niterói, quando todo o país sofria os horrores da revolução de 1893.

A Assembléia Legislativa foi convocada extraordinariamente, em janeiro de 1893, para tratar da mudança da capital. Foi vitoriosa a transferência imediata para a cidade de Petrópolis, verificada, após a resolução legislativa a princípio em caráter provisório, em 30 de janeiro de 1894, e mais tarde, em definitivo, em 1.° de outubro do mesmo ano.

Nos governos de Porciúncula (parte final), Maurício de Abreu e Alberto Torres, bem como em parte no triênio de Quintino Bocaiúva, o Estado do Rio de Janeiro teve como sede a Cidade de Petrópolis.

Por deliberação da Assembléia, de 4 de agosto de 1902, Niterói tornaria a ser sede do governo fluminense. A solene instalação realizar-se-ia em 20 de junho de 1903, com as máximas demonstrações de júbilo das autoridades e do povo.

Após a reinstalação da capital em Niterói, retomadas as condições normais de paz e de trabalho profícuo, foi que a "Cidade Invicta" voltou ao ritmo bem mais acelerado de progresso. Nas administrações dos prefeitos nomeados, principalmente Paulo Alves e Pereira Ferraz, nos governos Nilo Peçanha e Alfredo Baker, as transformações foram as mais completas, ampliando de muito o ótimo plano de urbanização de José Clemente Pereira, com a abertura das novas e amplas avenidas, reforma dos parques e embelezamento das praias.

Êsse novo impulso, para as conquistas relativas às modernas técnicas inovadoras, principalmente urbanísticas, influiria extraordinariamente para melhorar a fisionomia dos bairros antigos, já agora modernizados e apresentando novos aspectos. Esses melhoramentos atingiram ainda mais elevado clímax com a ampliação das obras de saneamento, calçamento e embelezamento, bem como criação de novos serviços a serem continuados por administrações que, mais ou menos intensivamente, vêm colaborando para esse mesmo progresso.

Concomitantemente, fatores econômicos os mais diversos cooperaram para esse novo surto de progresso que atingiria ao máximo nos últimos anos. Inúmeras fábricas foram instaladas nas ilhas e zonas urbanas e suburbanas, o comércio desenvolveu-se, as modernas comunicações rodoviárias, ferroviárias e marítimas foram bastante ampliadas e aperfeiçoadas. Todo esse conjunto, ao lado de outras condições de vida nova e ativa, pôde possibilitar a era de um estágio de grandeza em nossos dias.

Ainda no regime de reivindicações políticas administrativas e territoriais, pela nova organização administrativa do Estado do Rio de Janeiro, a vigorar no qüinqüênio 1944/1948, foi possível a reincorporarão do Distrito de Itaipu ao Município de Niterói.

Paralelamente ao progresso econômico e social, também o cultural, no sentido do desenvolvimento maior das letras, das artes e das ciências, desempenharia, como desempenhou, ação preponderante nessa evolução.

As Academias de Letras, Sociedades Médicas, bibliotecas, museus, monumentos históricos e artísticos, imprensa, ao lado de um número elevado de outras tantas associações científicas, artísticas, filantrópicas, profissionais, recreativas, integrando finalidades e aspirações da população de mais de duzentos e noventa mil habitantes, colocam bem alto, no justo renome de um notável centro urbano dos mais destacados e evoluídos, a cidade de Niterói, capital do Estado do Rio de Janeiro.

Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora

Sua construção foi iniciada em dezembro de 1901, segundo projeto do engenheiro salesiano Domingos Delpiano, que não continuou a obra da Basílica. Outros prosseguiram e a Basílica foi inaugurada em 1918, ainda inacabada. Sua sagração litúrgica só se efetuou em 1950, quando Sua Santidade, o Santo Padre Pio XII, a elevou à categoria de Basílica. Projetada em estilo gótico, se destaca pela sua volumetria. Na fachada principal, grande portal em cantaria com imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, algumas rosáceas e janelas trabalhadas, e rostos de anjos distribuídos pela mesma. Apresenta dois torreões nas extremidades e uma torre sineira central com campanário. No seu interior, a nave central apresenta várias colunas nas coríntias e oito altares em cada lado, encimados por dupla de vitrais, de 4 m de altura, e rosácea. Na Basílica se encontra o maior órgão de tubos da América Latina e um dos maiores do mundo. Fabricado na Itália pela firma Famburini foi inaugurado em 16 de abril de 1956, com um concerto do organista do Vaticano, Maestro Fernando Germani.

Câmara Municipal de Niterói

Antiga sede da assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o atual prédio foi inaugurado em 1º de Agosto de 1917. Com a fusão dos Estados do Rio de Janeiro e Guanabara mudou-se para o antigo Palácio Tiradentes na nova capital, sendo seu prédio em Niterói destinado, desde então, a Câmara de Vereadores.

Capela de Nossa Senhora da Conceição

A igreja, que se encontra em uma grande elevação, apresenta em sua frente grande escadaria de acesso à entrada principal. Erguida no ano de 1663, pelo devoto Thomaz de Pina, recebeu em 27 de agosto de 1671 a doação de 200 braças de terra dos herdeiros de Araribóia. Era freqüentada pelos índios da Aldeia de São Lourenço a aos sábados cantavam ali a ladainha. Quando da elevação da povoação de São Domingos da Praia Grande à Vila Real da Praia Grande, em 11 de agosto de 1819, cantou-se nela solene Te-Deum, o que indica já então a sua importância. Reformada em 1927, quando se construiu o Santuário da Conceição ao lado da Igreja.

Na fachada principal observa-se porta emoldurada por granito e encimada por azulejo da Virgem na altura do coro, ladeada por duas sacadas em ferro trabalhado, cimalhada que divide o campanário e a torre, esta cercada por balaústres e encimada por cruz. No seu interior, há pintura no teto e nas paredes. Belo altar com colunas jônicas no Santuário. No corpo da Igreja, altares de Sant'Ana e Nossa Senhora das Dores. Rodapé de um metro de altura em mármore branco também acompanha o corpo da igreja. Merecem destaque as duas imagens de Nossa Senhora da Conceição, sendo uma barroca, de madeira, com 316 anos, de origem portuguesa e outra de terracota, com 216 anos, de origem francesa.

Capela de Santa Bárbara

Construída no século XVII, por Martim de Sá, então Governador do Rio de Janeiro. Está assentada sobre a rocha viva, numa colina na entrada da baía de Guanabara, dentro de um pátio da Fortaleza de Santa Cruz da Barra, no exato local onde existiu, anteriormente, a bateria de dois canhões, instalada em 1555 por Nicolau Durand du Villegaignon. Em 1585, o Padre José de Anchieta, em relatório anual, dizia, estar a cidade do Rio de Janeiro bem defendida não só pela Fortaleza de São Sebastião, mas por várias outras, entre as quais se destacava a bateria de Nossa Senhora da Guia, mandada construir no ano anterior por Salvador de Sá. Em 1623, a aludida bateria, depois de reconstruída, passou a chamar-se Fortaleza de Santa Cruz da Barra, substituindo uma outra desativada no Rio de Janeiro, onde hoje se encontra a Igreja de Santa Cruz dos Militares, na Rua Primeiro de Março.

Ao entrar no forte propriamente dito, vê-se logo, à esquerda, em ótimo estado de conservação, a Capela de Santa Bárbara, bem característica do Século XVII, abrigando uma linda imagem de tamanho natural. A capela foi reconstruída em 1912, por determinação do Coronel Inocêncio Ferreira de Oliveira, então comandante da Fortaleza de Santa Cruz. Deve-se ainda ao mesmo coronel a iluminação elétrica da famosa fortificação. As missas na capela são rezadas no terceiro Domingo de cada mês pelo padre disponível das igrejas mais próximas: São Pedro, Nossa Senhora da Conceição da Várzea e São Francisco.

Capela de São Pedro do Maruí

A capela está situada dentro do Cemitério de Maruí. Fundada por José Pereira e Francisco Vitorino Pereira, em 1751, no terreno da antiga Fazenda Maruí. onde hoje se encontra o Cemitério. Servia de templo particular. Se encontra em uma elevação, com acesso por escadarias em pedra, possui pequeno adro e apresenta na fachada principal porta de madeira com moldura em cantaria. Na altura do coro, duas janelas também em cantaria, e acima destas frontão triangular, com óculo central, encimado por cruz e ladeado por campanário, e torre também encimada por cruz. Construída em pedra e cal, com pedras de grande espessura. O altar-mor tem ornamentações barrocas, em estuque, com arcanjos e querubins. A imagem de São Pedro no altar-mor é encimada pelo símbolo deste santo: as chaves que se repetem na decoração de outros detalhes da capela. Na pequena sacristia há uma capelinha dedicada a São Benedito e um lavabo de mármore. Foi restaurada várias vezes, sendo a última em 1972.

Casa de Oliveira Vianna

Francisco José de Oliveira Vianna (1883-1951) foi uma figura fluminense de grande participação na vida política e intelectual brasileira de sua época. Embora nunca tenha exercido um cargo eletivo - funções legislativas ou executivas - como membro do Poder Judiciário foi um dos seus principais relatores e consultores constitucionais. Como intelectual, dedicou-se também ao magistério e ao jornalismo colaborando com vários jornais, entre eles, o "Diário Fluminense", "O País" e o "Correio da Manhã".

Catedral de São João Batista

Em 19 de agosto de 1820, foram começadas as obras de construção da igreja pelo Juiz de Fora José Clemente Pereira. O terreno , entretanto, só foi doado em 28 de março de 1821 pelo Brigadeiro Manoel Alves da Fonseca e Costa e sua mulher, Dona Maria da Piedade Mendes da Fonseca e Costa. Em 1822, a Câmara concedeu verba para a continuação das obras da primitiva capela, então existente, inaugurada em abril de 1831, mais ou menos no alinhamento da atual Rua Maestro Felício Toledo. Ruindo essa capela, iniciou-se então a construção da atual matriz.Sua pedra fundamental foi lançada no dia 1º de março de 1842.

Uma procissão, vinda da antiga matriz, depositou no local reservado para tal fim, uma caixa de chumbo com meia-dobra de ouro com a efígie do Imperador Dom Pedro II, moedas de prata de 1.200 reis, jornais do dia e uma placa de metal com inscrição perpetuadora da data. Uma vez concluída, a igreja foi benta, trasladou-se para ela a imagem de São João Batista e demoliu-se a primitiva capela. Em 1854, quando da sua nova visita oficial a Cidade de Niterói, o Imperador Dom Pedro II veio especialmente para assistir à benção da igreja de São João Batista, hoje nossa catedral.

A imagem do padroeiro saiu da Ermida da Pedra, em 28 de dezembro de 1744, para a Igreja de Nossa Senhora das Necessidades e abrigou-se depois na igreja de Nossa Senhora da Conceição da cidade, onde aguardou a conclusão das obras para ser colocada, a qual hoje se vê, no alto-mor da catedral. A igreja foi reformada em 1886, bombardeada em 1893, na revolta da armada, e novamente reformada nos anos de 1895,1905, 1919, 1931, 19412/42, 1981. Foi sagrada, em 1942, pelo Bispo Dom José Pereira Alves, por ocasião do 1º Congresso Eucarístico Diocesano, ao comemorar-se seu primeiro centenário, o segundo da irmandade do Santíssimo Sacramento e o cinqüentenário da então Diocese, hoje Arquidiocese.

Estádio Caio Martins

Dentre os melhoramentos realizados em Niterói, na década de 1940, durante a gestão do Interventor Federal Ernani do Amaral Peixoto à frente do governo estadual(1937-1945), consta a instalação de um estádio para competições desportivas. Desta forma foi construído um estádio de futebol, a que se deu o nome de Caio Martins, em homenagem ao valente escoteiro "Caio Viana Martins", que morreu em 1938. Durante o segundo governo de Amaral Peixoto, não mais como interventor e sim, como governador constitucional(1951-1955) foram concluídas as obras do estádio com a construção da tribuna de honra, do ginásio olímpico para basquete e da piscina de 25x50 com arquibancada cobertas para cerca de 2000 espectadores

Forte Barão do Rio Branco

Teve sua construção iniciada por engenheiro francês no início do século XVI. Chamado nessa época de Fortaleza da Praia de Fora. Em 1711 abriu fogo contra as esquadras de François Duclerc e Dugay Trouin. Passou a chamar-se Forte Barão do Rio Branco em 1918, quando começou a funcionar como Quartel de Paz da OM. Nada resta de seu passado arquitetônico, sendo este o centro do complexo militar composto pelos Fortes de Imbuhy, São Luiz e do Pico. M.

Forte da Boa Viagem

Na Ilha de Boa Viagem possui dois monumentos do período colonial. No topo a Igreja de Nossa Senhora de Boa Viagem, abaixo da igreja estão as ruínas da fortificação datada do final do século XVII e início do século XVIII. Já em 1711 estava em atividade tendo tido grande atuação contra a esquadra francesa de Dugay Trouin. Em 1810 devido ao aumento do movimento do Porto do Rio de Janeiro, a ilha serviria de local de isolamento para a quarentena de viajantes procedentes de lugares com doença epidêmica ou contagiosa. Durante esse período e até o ano de 1876, o Forte de Boa Viagem abriga a Escola de Aprendizes de Marinheiros. Seu arsenal foi desativado em 1861, juntamente com o de todas as forficações brasileiras.

Abandonado em 1885, o Forte ainda possuía cerca de uma dezena de velhas peças de artilharia desativadas. Voltou a ação como posto de observação logo após a Primeira Guerra, como Comando de defesa do Porto. Um notável lance de escadarias de pedras talhadas que conduzia o visitante até o velho forte, é de 1909. Em 1937 o Forte foi entregue - já em ruínas com todo conjunto da ilha, para a guarda e preservação, aos escoteiros do Mar. Orientados pelo Almirante Benjamim Sodré, considerado, até sua morte em 1982, o guardião da Ilha e o sineiro de sua Igreja.

Forte de São Luiz

A conveniência de ser construída uma fortaleza no Morro do Pico foi aventada pela primeira vez durante a gestão do 2º Vice-Rei do Brasil, Conde de Azambuja, conforme planejamento executado pelo Tenente General Bohm e pelo Marechal Funch, no entanto no Governo do Marquês de Lavradio que as medidas necessárias à construção do forte foram tomadas segundo planos elaborados pelo Engenheiro Jacques Funk, pelo Coronel José Custódio de Sá e Faria e por Francisco João Roscio. Em 1715, dá-se início à construção do Forte do Pico, que tem suas instalações inspecionadas, em 1762, pelo Marquês do Lavradio, considerando-se o Forte em condições de funcionamento em 1770.

Forte do Gragoatá

Localizado na ponta do Gragoatá, com ampla visão da entrada da Baía de Guanabara, o Forte do Gragoatá foi construído entre os séculos XVII e XVIII, com o nome de Forte de São Domingos, em homenagem ao patrono da capela construída em 1652, hoje matriz de São Domingos. A data de sua construção é dado histórico contraditório, que oscila de 1610 a 1710, citados pelos historiadores.

Forte do Imbuhy

Situado em uma rocha na Praia do Imbuhy, foi planejada sua construção em decorrência da Questão Christie. A Questão Chriistie foi um episódio diplomático ocorrido entre o Brasil e Inglaterra em 1863.Começou quando o navio inglês Príncipe de Gales naufragou no Rio Grande do Sul e sua carga foi roubada. Paralelamente dois oficiais da marinha inglesa foram presos no Rio de Janeiro, porque provocaram uma briga e desacataram a polícia local. O Embaixador Inglês William Christie, exigiu uma indenização pelo navio naufragado, mandou aprisionar navios brasileiros que estavam ancorados no Rio de Janeiro, além de exigir desculpas do Imperador do Brasil à Inglaterra e a demissão dos soldados que prenderam os oficiais britânicos. O Imperador D. Pedro II estava disposto a pagar a indenização mas considerou abusivas as outras demandas dos ingleses.

Forte do Pico

O forte foi construído encravado na rocha, sendo feitas escavações na pedra viva para as galerias de tiro casamentadas. Os quatro canhões, de 380mm, Fried, Krupp, são capazes de lançar granadas de 345 kg a uma distância de 12 km e estão assentados no rochedo, assim como a cúpula do telêmetro, a câmara de tiro, onde são calculadas as trajetórias dos projéteis.

Forte Marechal Floriano Peixoto

As origens deste aquartelamento estão no Forte da Praia de Fora, fortificação que tem suas raízes no Brasil Colônia. Não há registros precisos sobre a época de construção do Forte da Praia de Fora, no entanto, tudo indica que a mesma ocorreu concomitantemente com o estabelecimento da "Bateria de Nossa Sr.ª da Guia" no ano de 1567 na Ponta de Santa Cruz, tendo sido erguida justamente como uma necessidade para proteção do flanco daquela posição.

Entretanto é certa sua participação durante incursões dos piratas franceses Duclerc e Duguay-Troin respectivamente em 1710 e 1711, quando a Praia de Fora era artilhada e ocupada com o efetivo de uma bateria (Bateria da Praia de Fora). Em 1865 é registrado o início da construção da estrada que ligaria o Forte da Praia de Fora ao Forte D. Pedro II (denominação inicialmente escolhida para o Forte Imbuhy). No ano de 1881 era o Forte artilhado com 24 canhões de bronze, portugueses, de alma lisa, calibre 24 (os referidos canhões foram recolhidos ao Arsenal de Guerra em 1902).

Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem

Igreja de Boa Viagem está localizada no topo da ilha. Embora não existam documentos sobre à data de sua construção, consta haver sido ela erguida em meados do século XVII, tendo sido várias vezes destruída e reconstruída. Há uma lápide existente na porta lateral, que indica ser a construção da Igreja de 1734. Trata-se certamente de uma reconstrução, como houve em 1860 e 1909. Possui adro pavimentado com tijolo e pedras irregulares de quartzo formando um mosaico. A fachada principal da Igreja, que já pegou fogo três vezes, é rústica, de paredes de pedra e cal. Apresenta na fachada frontal porta de madeira, folha dupla. Na altura do coro duas janelas encimadas por frontão triangular e cruz, tendo à direita, torre sólida reconstruída em 1909. Em seu interior, no altar principal, tem-se a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição

A igreja, que se encontra em uma grande elevação, apresenta em sua frente grande escadaria de acesso à entrada principal. Erguida no ano de 1663, pelo devoto Thomaz de Pina, recebeu em 27 de agosto de 1671 a doação de 200 braças de terra dos herdeiros de Araribóia. Era freqüentada pelos índios da Aldeia de São Lourenço a aos sábados cantavam ali a ladainha. Quando da elevação da povoação de São Domingos da Praia Grande à Vila Real da Praia Grande, em 11 de agosto de 1819, cantou-se nela solene Te-Deum, o que indica já então a sua importância. Reformada em 1927, quando se construiu o Santuário da Conceição ao lado da Igreja.

Na fachada principal observa-se porta emoldurada por granito e encimada por azulejo da Virgem na altura do coro, ladeada por duas sacadas em ferro trabalhado, cimalhada que divide o campanário e a torre, esta cercada por balaústres e encimada por cruz. No seu interior, há pintura no teto e nas paredes. Belo altar com colunas jônicas no Santuário. No corpo da Igreja, altares de Sant'Ana e Nossa Senhora das Dores. Rodapé de um metro de altura em mármore branco também acompanha o corpo da igreja. Merecem destaque as duas imagens de Nossa Senhora da Conceição, sendo uma barroca, de madeira, com 316 anos, de origem portuguesa e outra de terracota, com 216 anos, de origem francesa.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Jururuba

Foi construída na praia da Várzea, ao lado de uma pequena casa conventual, entre 1629 e 1667, e restaurada, em 1692, pelo Padre Manuel Rodrigues de Figueiredo. Em 1716, foi doada ao Convento do Carmo. Em 1839, fundou-se, na enseada de Jururuba, a sociedade Amantes da Religião, com a finalidade de construir e conservar a Capela de Nossa Senhora da Conceição, para elevá-la à categoria de matriz. E assim, por força da lei nº208, de 23 de Maio de 1840, criou-se nova freguesia, com o título de Nossa Senhora da Conceição da Várzea. As obras da igreja ainda não se haviam concluído, e já era instalada a paróquia, em 1861, de acordo com anotações no seu primeiro livro de termos de batismo. Seu primeiro pároco foi o padre Celestino Otero.

Uma lei de João Caldas Viana, em 1844, concedeu mais 200 mil réis para continuação das obras. Em 1857, Antônio Nicolau Tolentino autorizou por lei um auxílio de cinco contos de réis para a conclusão das obras e compra de alfaias e paramentos. Em 1861 e 1862, leis do Presidente Luís Alves Leite de Oliveira Belo mandavam continuar as obras com mais cinco contos de réis. Proclamada a República, o Governador Francisco Portela, em cumprimento do art. 723º, da Constituição Federal de 1891, mandou entregar a paróquia e todo o seu patrimônio à respectiva autoridade diocesana. A paróquia não foi extinta, apenas teve transferida a sua sede. A igreja de Nossa Senhora da Conceição de Jurujuba entrou em decadência. Seu teto desabou. Em 1904, reformou- a o Visconde de Morais, brindando-o com um novo sino. Em 1942, foi reconstituída por Frederico Dahne,a pedido de Dnª Alzira Vargasdo Amaral Peixoto. Em 1952, foram concluídas as obras às expensas de Luis Alves de Castro e sua mulher Linda Alves de Castro. Em 1954, o Vigário Luiz Lazzarim iniciou nova campanha de reconstrução, com a cooperação dos moradores do bairro. Prosseguiram os trabalhos até 1969, quando foram concluídos.

Igreja de Santa Rosa de Viterbo

Primeiro marco do Barreiros de Santa Rosa, foi construída no início do século XVIII pelo Capitão Pedro Bandeiros de Sousa, proprietário da fazenda de Santa Rosa e pai do padre João Bento Barreiros de Souza, então vigário da Paróquia de São João Batista de Icaraí - a Ermida da Pedra. Em fevereiro de 1882, abandonada havia muitos anos, um raio destruiu-lhe a torre, derrubando a cruz do alto de sua fachada. Os devotos se cotizaram e , em 6 de maio de 1883, foi solenemente colocada nova cruz. Inconformados com a situação e após reiteradas gestões, conseguiram um auxílio da Assembléia Provincial.

O suficiente para reformar a igreja. Em 5 de novembro de 1884, ela era benta por Monsenhor João Aureliano Correia dos Santos, Vigário da Matriz de São João. A primeira festa foi ali realizada em 21 do mesmo mês, quando a visitou o Bispo do Rio de Janeiro, Dom Pedro Maria de Lacerda, Conde de Santa Fé. Em 1890 estava novamente abandonada. Foi reformada pelo provedor da devoção, João Caetano Monteiro , inaugurada a obra em 18 de abril de 1902.

Em 1919, passou por nova reforma. Em 6 de junho de 1940, o Bispo Dom José Pereira Alves assinava um decreto criando a Paróquia do Coração eucarístico de Jesus e Santa Rosa de Viterbo e elevando a capela à categoria de matriz. E m 1º de junho de 1944, o mesmo bispo, considerando as dificuldades de acesso à Matriz de Santa Rosa de Viterbo , no alto de uma ladeira no bairro do mesmo nome, transferiu a sede paroquial para a igreja, hoje Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, anexa ao Colégio Salesiano Santa Rosa - casa primacial dos filhos de São João Bosco no Brasil. A transferência da sede da Matriz resultou na mudança do título da paróquia para Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora. Foi nomeada Vigário o Padre Francisco Xavier Lanna.

Igreja de São Domingos

Situada no bairro do Gragoatá, foi construída com verba testamentária deixada por Domingos de Araújo, falecido em 28 de fevereiro de 1652, à sua mulher, Dona Violante Soares, com a obrigação de conservar a imagem de São Domingos existente na fazenda. Administrou-se a família até 1740, quando Francisco de Araújo Soares, filho de Domingos, transferiu a administração a Joaquim Álvares. Das terras, onde havia um engenho de açúcar, foram doadas cinqüenta braças ao patrimônio da igreja.

Em 22 de setembro de 1819, realizou-se nela um Te Deum pela visita do Rei Dom João à Vila da Praia Grande. Em 1838, ali celebraram as exéquias de José Bonifácio. Foi reformada pelos moradores locais, a partir de 1842, com auxílio provincial concedido, em 1843, pela Assembléia Legislativa e pelo Presidente João Caldas Viana. Em 1849, o Presidente João Pedreira Ferraz manda prosseguir com as obras. Em 1872, novas reformas se fizeram. Bastante arruinada, desde 1882, foi reconstruída a partir de 1897, em terreno ao lado da matriz primitiva, por iniciativa da Irmandade de Nossa Senhora das Dores e São Domingos de Gusmão, segundo projeto do arquiteto Bianor de Mendonça.

Igreja de São Francisco Xavier

A igreja que se localiza em outeiro à beira mar, tem na frente em seu adro, pequena escadaria em cimento. Há dúvidas quanto ao ano de construção da mesma. Alguns historiadores sustentam a data com sendo o ano de 1572 e sua fundação atribuída ao Padre José de Anchieta, no local que fazia parte da Fazenda do Saco, doada aos jesuítas em 1567, pela Coroa Portuguesa. Construção de pedra de cal e paredes maciças. A fachada principal compõe-se de porta de madeira, folha dupla, verga reta. Simetricamente à porta, quatro janelas tipo guilhotina, com caixilhos de vidro e verga reta. Na altura do coro uma janela central igual às demais.

À direita, torre sineira com campanário, arrematada por volutas encimada por uma cruz. Cobertura em duas águas em telha canal. Na sacristia há um armário embutido na parede, encontrando-se gravado na parte superior a data de 1696. No interior encontra-se: no altar-mor a imagem de São Francisco Xavier, belo trabalho de madeira, laminada em ouro; a pia batismal feita pelos índios; um armário embutido na Sacristia datado de 1696; um relógio de sol voltado para o nascente, com o emblema dos jesuítas; um cruzeiro de madeira e um sino, são peças do mesmo período. No sopé da colina, ainda hoje se pode ver um peão de torres de 1727, com inscrições e insígnias dos jesuítas.

Igreja de São Lourenço dos Índios

A origem da Igreja está ligada ao início da atual cidade, e é com certeza a mais antiga de Niterói. Mém de Sá, em agradecimento ao Índio Araribóia, que muito contribuiu na luta contra os franceses na defesa do Rio de Janeiro, efetivou a doação de terras deste município ao índio guerreiro, em 16 de março de 1568, sendo a posse solene realizada em 22 de novembro de 1573 - data maior de Niterói. Instalou-se Araribóia, com sua tribo, na encosta do Morro de São Lourenço, onde foram construídas primitivas choupanas e igualmente uma capela. Considera-se a igreja o monumento da fundação da cidade de Niterói. Segundo fontes documentais, ela é do início do século XVII.

Em 1769 a capela foi reconstruída, tomando a fisionomia que ainda hoje conserva. A construção, feita de pedra e cal, tem linhas arquitetônicas simples, muito representativa da sobriedade que foi traço marcante na arquitetura dos padres jesuítas. A fachada principal é constituída de porta de madeira, em folha dupla, almofadada, verga reta, seiscentista, com molduras de pedra portuguesa. Na altura do coro, três janelas em folha dupla, encixilhadas de vidro, verga reta, também com molduras de pedras portuguesas. Na lateral direita, no mesmo nível das janelas, dois campanários.

Cimalha que separa o primeiro pavimento do frontão triangular, este com óculo central, encimado por cruz. No interior, a igreja possui altar-mor, com retábulo, considerado pelo arquiteto Lúcio Costa o mais belo do Brasil. Restam na capela atual, além do retábulo de madeira, a imagem de São Lourenço, obra-prima de santeiros portugueses do século XVII; um lavabo de pedra portuguesa, embutida na parede da sacristia, com torneira de bronze; o púlpito de madeira; a pia de água benta e a pia batismal, em pedra de Lisboa do século XVII; a porta de entrada, em almofadas, e a porta que leva à sacristia, em diamante.

Igreja de São Pedro

Também conhecida por Igreja de São Pedro de Jurujuba, está situada em um pequeno bairro da zona sul de Niterói, Jurujuba. Primeiramente era uma capelinha modesta, de madeira, que em 1947, foi substituída por outra de pedra, cal e óleo de baleia. Não se sabe muito de sua história, apenas que foi erguida por Dona Linda de Castro, e a imagem de São Tarcísio foi encontrada por pescadores no mar. Sua construção é de esquina, apresentando uma porta principal com sobreverga em formato de concha e dois óculos encaixilhados de vidro colorido ao seu lado. Na altura do coro, uma rosácea e duas janelas de verga em arco pleno. Sua torre é única, situada à direita, com campanário e torre piramidal.

Igreja de São Sebastião de Itaipú

Localizada em um outeiro, a Igreja de São Sebastião do Itaipú foi construída pelo padre jesuíta José Anchieta, junto com os índios e negros da região, que esteve em missão de catequese com os pescadores da enseada por volta de 1700. A obra ficou pronta por volta de 1716. Foi elevada à Paróquia por Alvará de 12 de janeiro de 1755, tendo como primeiro pároco o padre Manoel Francisco da Costa, que ficou à sua frente por 67 anos ininterruptos.

Com o passar dos anos, a igreja foi sofrendo desgastes, quando em 1839 ficou evidente a necessidade de uma restauração. Vários imprevistos ocorreram em relação a sua restauração e somente em 20 de janeiro de 1898, data do padroeiro, que a igreja estava pronta para os festejos. No ano de 1908, por falta de sacerdotes, foi anexada à Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Jurujuba, ficando quase abandonada. Com a designação do padre Lúcio Pinho, as atividades pastorais da igreja foram retomadas. Recentemente foram feitas obras de restauração. Foi edificada em estilo colonial, com porta central e três janelas na altura do coro, encimadas por frontão que apresenta uma rosácea e cruz no seu vértice. Duas torres com campanário encimado por zimbório e cruz também fazem parte da fachada principal da igreja. Com um pé direito de aproximadamente 12 m de altura, seu teto é todo em ripa de madeira, abobadado.

O altar-mor, ainda original e em talha simples, está completamente restaurado e apresenta as imagens do padroeiro e Jesus Crucificado. Dois altares laterais, com as imagens de Santa Thereza e Nossa Senhora das Dores, estão embutidos nas paredes de pedra e cal. O coro, que era todo em madeira, foi destruído, havendo apenas as duas portas que davam acesso ao mesmo e às torres. Ao se entrar na igreja, se destaca o batistério, à esquerda, onde há uma pia batismal esculpida em pedra extraída da região, à imagem de São João Batista.

Igreja Nossa Senhora do Bonsucesso

Situada em um outeiro. Sua época de construção tem levantado discussões: alguns historiadores datam a construção dos tempos coloniais, fundada aproximadamente em 1600; outros, que a construção seria do século XVI e teria sido fundada por Alberto Gago Câmara. Na sua fachada principal encontramos três pórticos rústicos e duas janelas na altura do coro, encimadas por frontão que apresenta detalhes em volutas. A torre está localizada no lado esquerdo da edificação, apresentando campanário e acima do sino, dois "L" simetricamente dispostos, à guisa do emblema dos "Luízes da França".

Irmandade São Vicente de Paulo

Fundada em 24 de Junho de 1854, por determinação do imperador Dom Pedro II e da Imperatriz Dona Tereza Cristina. A irmandade de acordo com o que dispões os atuais estatutos, tem por finalidade precípua a proteção, a assistência e educação a infância, o amparo a velhice e a assistência aos desamparados, tendo como seu principal provedor, Darrigue Faro, Barão de Rio Bonito, então presidente da Província do Rio de Janeiro. Inicialmente foi instalada em Niterói, na Praça da Memória, atual praça General Gomes Carneiro Rinque, no centro da Cidade, e em 15 de janeiro de 1865 foi transferida para a rua da Constituição, atual Rua Miguel de Frias, nº123 - Icaraí, onde iniciou as suas obras de caridade, pelo então Provedor Belarmino Ricardo de Siqueira, Barão de São Gonçalo, grande amigo do Imperador Dom Pedro II, tendo doado na ocasião um rico quadro com moldura dourada e com o competente dossel, com o retrato de sua majestade Dom Pedro II.

O Imperador Dom Pedro II, grande protetor do asilo d Santa Leopoldina, primeira instituição integrando conglomerado filantrópico da Irmandade, concedeu-lhe o domínio de uma faixa de terras localizadas em Icaraí. Institui-se assim o aforamento dessas terras a favor do Asilo de Santa Leopoldina, garantindo a sustentação inicial desta instituição de caridade que asilou carinhosamente grande parte das filhas dos soldados que lutaram na guerra do Paraguai: Inspirada na obra prodigiosa do grande apóstolo do amor ao próximo São Vicente de Paula, e com a cooperação valiosa das irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, a Irmandade desde a sua fundação está realizando uma obra de cunho cristão, projetando-se como uma das grandes instituições filantrópicas.

Liceu Nilo Peçanha

Durante o Segundo Reinado foram criados os Liceus Provinciais para a educação da mocidade sendo o mais antigo de Angra dos Reis, depois o de Niterói e , mas tarde o de Campos, o Líceu Provincial de Niterói foi instalado a 12 de Setembro de 1847 e a ele se juntou, mais tarde, a Escola normal, criada em 4 de Abril e 1835 sendo a mais antiga das Américas. O "nosso Liceu" data de 18 de janeiro de 1931, criado na administração do Dr. César Tinoco, na época secretário Estadual do interior e justiça.

Matriz de São Lourenço

A paróquia de São Lourenço foi criada em 1758, tendo como sede a capela de São Lourenço dos Índios, no morro do mesmo nome. Com o crescimento da Freguesia, a Igreja Matriz não comportava os fiéis para a prática dos atos religiosos. Surgiu então, a idéia de mudança da sede da matriz. O local escolhido pertencia ao Brigadeiro Castrioto, que abriu mão de um terço de seu valor, sendo o restante - 3 contos de réis - coberto através de subscrição popular. A 14 de dezembro de 1873, colocou-se a primeira pedra, e dois dias depois iniciou-se a construção. Demorou muito além do previsto a conclusão da nova matriz.

Em 1883, o engenheiro Miranda Freitas foi substituído pelo arquiteto Heitor de Cordoville, que alterou o projeto original, tornando mais elegante a construção. A edificação, que se destaca por sua grande volumetria, é assentada sobre pedra olho-de-sapo. A entrada principal encontra-se permanentemente fechada, pois à sua frente encontram-se cinco sinos, há 26 anos, sendo que o maior pesa 1 tonelada e meia, e foram recebidos pela igreja a título de presente. Entretanto nunca foram instalados por serem demasiado grandes. Ao seu redor há um gradil de ferro trabalhado, com cadeado, que impede a entrada pela porta principal. A imponente torre da matriz foi estruturada em várias ordens: dóricas, jônicas e corínteas; encimadas por um zimbório quadrangular com uma cruz no vértice. O seu interior é profusamente decorado, apresentando trabalhos e relevos em talha e em estuque. O teto é rico e com painéis. Há vários altares laterais com grandes serafins assentados sobre a arcada. O altar-mor tem colunas salomônicas ladeando o nicho, onde se encontra a imagem de São Lourenço, vinda de Portugal, a 22 de junho de 1897.

Palácio Araribóia / Paço Municipal

Em 1907 o prefeito João Pereira Ferraz determinou a construção de um grande e majestoso edifício que abrigasse a Prefeitura e a Câmara. Escolheu para isso o antigo Largo do Pelourinho. A concorrência para construção foi aberta em 1908, da qual saiu vencedor o arquiteto Carlos Rossi. Ocorre que entre a idéia de se construir o novo edifício e a sua conclusão, deu-se o rompimento político do Prefeito Pereira Ferraz com a Câmara Municipal. Como resultado, a Prefeitura se instalou sozinha no palacete, em 1910. Durou menos de vinte anos o edifício original, reformado em 1926.

O edifício atual apresenta construção em pequena elevação, com dois pavimentos, possuindo na fachada principal, porta central:, em ferro trabalhado, com bandeira também no mesmo estilo, ladeada por janelas e imitações de colunas. No segundo pavimento, encimado a porta e janelas centrais do corpo do atrativo, sacada balaustrada composta por porta central e duas laterais, também ladeadas por janelas. No centro da edificação, em destaque, domo que substituiu a antiga torre com relógio.

Palácio da Justiça (Fórum)

Construído para sediar o tribunal de justiça do estado do Rio de Janeiro foi inaugurado em 1919, mas só teve suas obras definitivamente concluídas em 1926, no governo de Feliciano Sodré. Desativado pela fusão, em 1975, tornou-se, desde então Fórum da Cidade de Niterói. O centro da memória judiciária de Niterói (museu), que funciona no Palácio da justiça, apresenta uma exposição permanente, através da qual se desenha a formação e a evolução do judiciário naquela cidade, desde a criação da Vila Real da Praia Grande, em 1819, até a fusão entre os Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara. A amostra compõe-se de mobiliário retratos à óleo e fotografias de antigos Presidentes do Tribunal de Justiça, assim como livros de atas - inclusive do juiz de Fora José Clemente Pereira e da última sessão daquele tribunal.

Solar do Jambeiro

Incluído no roteiro turístico da cidade, o majestoso Solar do Jambeiro representa uma das mais importantes atrações culturais de Niterói, com suas exposições permanentes e freqüentes eventos ligados, principalmente, às artes e às letras. De arquitetura urbana de tradição portuguesa, foi construída em 1872 pelo português Bento Joaquim Alves Pereira, sendo seu primeiro morador o médico Júlio Magalhães Calvet. O pintor fluminense Antônio Parreiras residiu na mansão e, em 1887, ali expôs sua obra com as idéias e sentimentos da época.

Teatro Municipal João Caetano

Teatro, outrora denominado Teatro Santa Teresa, desde sua fundação, em 1824, sofreu inúmeras reformas até adquirir a feição atual. Recebeu o nome de Teatro Municipal João Caetano, em 1900, como homenagem ao homem que o dirigiu durante anos e foi o responsável pela estréia da primeira companhia dramática nacional, em 1833, pela Sociedade Filodramática de Niterói.

O prédio, de dois pavimentos, apresenta na fachada principal, dois portais de entrada em ferro trabalhado com moldura de granito, ladeados por duas janelas também em ferro trabalhado. No andar superior, duas sacadas com balaustradas ladeadas por imitação de colunas e janelas. Na parte central, frontão triangular com brasão ao centro. No seu interior, merece destaque o teto pintado em 1889 pelo pintor Tomás Driendel, uma relíquia restaurada em 1977, e a decoração dos frisos e camarotes em estuque e pintura dourada. Atualmente, após períodos de grande ostracismo, retomou a importância cultural na vida da cidade, pois é palco de grandes espetáculos.