A partir de 1534, a região passou a integrar a Capitania de Santo Amaro, cujo donatário, Pero Lopes de Sousa, a confiou aos cuidados de Antônio Afonso. Em virtude do desinteresse de ambos, a colonização das terras foi realizada mais em função da vizinha e próspera Capitania de São Vicente. A conhecida agressividade dos Tamoios impediu, entretanto, que os colonizadores se localizassem nos lugares mais férteis, preferindo os que ofereciam maiores possibilidades de defesa.

Em 1615, ali chegaram, procedentes de Porto Seguro, índios Tupiniquins catequizados, que ajudaram os jesuítas na construção de uma aldeia. Fixaram-se no morro Cabeça Seca. Cinco anos depois, chegou um novo e numeroso grupo de Tupiniquins que se estabeleceu na ilha de Marambaia, posteriormente em Ingaíba, onde, sob a direção dos mesmos religiosos, foi edificada uma capela sob a invocação de São Brás. Essa povoação subsistiu no local até 1688, época em que grandes temporais e ressacas determinaram a mudança de seus habitantes para as terras onde hoje é a Cidade de Mangaratiba. Aí foi construída, em 1700, nova capela, dedicada ao culto de Nossa Senhora da Guia.

No período que antecedeu a Abolição, a mão-de-obra escrava desempenhou papel preponderante na formação econômica e social de Mangaratiba.

Capela de Nossa Senhora dos Remédios

Situa-se no alto de pequena elevação e está circundada por arbustos e casas residenciais. Tem vista para as praias de Mauá e Ipiranga, para a Estação da Leopoldina Railway e às vezes pode-se avistar até a Ponte Rio-Niterói. A igreja foi concluída em 1740, não sendo possível obter dados acerca do seu histórico. É marcante a verticalidade da igreja, conferida pelas proporções da torre sineira, pelo alto pé-direito da nave e pela marcação dos elementos decorativos (duplos cunhais e coruchéus delgados). Possui frontão triangular com elementos clássicos em sua decoração e portas e janelas em arco abatido e folha dupla de madeira almofadada. A cobertura foi substituída por laje de concreto e sua inclinação original não foi mantida. O coro e sua escada de acesso foram refeitos em concreto armado. Seu interior foi modificado, só restando o arco cruzeiro original e uma pia de lioz.

Capela de Nosso Senhor do Bonfim

A capela situa-se no alto da maior elevação do núcleo urbano de Magé, de onde se descortina toda a cidade e região, até a Baía de Guanabara. O morro é totalmente desocupado, onde se destaca uma árvore centenária, a Mirindiba, a enfatizar a presença da capela. Esta árvore, segundo a população local, foi plantada sobre o túmulo da índia Mirindiba, muito admirada por sua bela voz, pela tribo que ocupava o Morro do Bonfim. Foi inaugurada provavelmente no dia 28 de agosto de 1883, não sendo possível, entretanto, obter dados acerca de seu histórico. Construção religiosa elementar que conserva o partido e as proporções de outras capelas filiais em Magé, apesar de ter um sistema construtivo diverso, já com utilização de alvenaria com tijolos. Tem como peculiaridade a presença da capela mor. Apesar da simplicidade da construção, a fachada segue proporções bem apuradas, valorizada por um pesado frontão triangular e cunhais de gosto clássico. Em contrapartida, a torre sineira, no lado direito da capela, com dois lugares para sinos, já busca proporções mais leves e delicadas. A cobertura foi substituída por telhas francesas. O piso foi substituído por ladrilhos hidráulicos e o forro por lambris de madeira. Ainda restam a mesa do altar e gosto rococó e dois crucifixos, um maior, fixado na parede.

Capela de São Francisco de Croará

A capela está situada em um pequeno platô de um dos morros de vegetação abundante, que encerram a Praia da Coroa. Tem vista para pequenas ilhas e, às vezes, dependendo do tempo, para a Ponte Rio-Niterói. Foi construída em 1745, não sendo possível obter dados acerca de seu histórico. Capela com influência jesuítica na composição de sua fachada principal. As fachadas frontal e leste possuem frontão triangular, largos cunhais e cimalhas de grande proporções. A torre sineira tem solução de acesso externo em alvenaria e funciona juntamente com a sacristia, como contraforte da fachada voltada para o mar, sendo a mais castigada pelas intempéries. A cobertura foi alterada com a utilização de telhas francesas, porém mantendo a mesma inclinação. A cobertura da torre foi refeita em concreto armado. Seu interior sofreu reformas de piso no século XX e o altar é da década de 70.

Capela Santo Aleixo

A edificação está implantada em pequena elevação do terreno, voltada para norte-nordeste. A leste do atrativo localiza-se o Rio Roncador ou Santo Aleixo e a oeste, a Serra dos Órgãos. Fazem parte do entorno circundante, casas residenciais e comerciais. Ao lado da capela foi construída uma escola e a sua frente existe um coreto. Monsenhor Pizzarro cita a capela Santo Aleixo como filial da freguesia Nossa Senhora da Piedade de Magepe, fundada entre os anos de 1743 e 1747, tendo sido concluída no ano de 1812. Não foi possível, entretanto, obter dados acerca de seu histórico. O atrativo ainda guarda suas proporções originais de fachada, com frontão triangular, torre sineira ao lado direito, porta central em arco abatido, folha dupla de madeira almofadada e molduras em cantaria, duas janelas sobre a porta, em arco abatido e folha dupla de madeira encaixilhada de vidro, com vedação externa em folha dupla de madeira. A nave segue as mesmas proporções das outras edificações religiosas, mas, estranhamente, a capela-mor foge ao habitual, alinhando-se pelo lado direito com a parede da nave. A cobertura foi substituída por telhas francesas, sendo a sua estrutura, assim como a do coro, em concreto armado. Somente as esquadrias da fachada principal são originais. no interior da capela possui o piso, já reformado, em ladrilho hidráulico e altar-mor, em madeira contendo pequenas imagens.

Antigas Pontes da Estrada Imperial

Antigas pontes feitas pelos escravos na época da construção da Estrada Imperial. Para apreciar sua construção em pedras deve-se descer a escadinha rústica, à direita da estrada de rodagem.

Centro Cultural Cary Cavalcanti

Fixado em um prédio de belas linhas arquitetônicas, talvez de meados do século XIX . Atualmente são realizados shows, peças teatrais, exposições, etc. Foram construídas, nos fundos do terreno, salas onde são programados cursos de arte, artesanato, maquiagem, etc.

Estação Ferroviária de Itacuruçá

Data de 1911, marca o início da construção da Estrada de Ferro no município. Atualmente funciona o Centro Ferroviário de Cultura de Itacuruçá (CEFEC).

Estrada do Príncipe

A Estrada do Príncipe ainda conserva a pavimentação escrava, em pedra de mão, e estende-se por cerca de 2 km. dentro da Mata Atlântica, encontrando-se, em todo o seu percurso, ruínas do período colonial.

Igreja de Nossa Senhora das Dores

Fundada por Francisco José dos Santos pela provisão de 29 de março de 1760 sob o título de Nossa Senhora da Conceição, mas que foi alterada por outra provisão de agosto de 1776.

Igreja de Nossa Senhora de Sant`Ana

Situada à frente de uma praça,com sua fachada frontal voltada para o mar. Do local avista-se a Ilha e o Canal de Itacuruçá. Como entorno destaca-se o casario simples, de um só pavimento e, emoldurado a face posterior da igreja, os exuberantes contrafortes da Serra do mar. Datada de 1840 de 1840, a igreja de grandes proporções para o tamanho da vila, tem planta baixa que lembra a da Igreja da Glória, no Rio de Janeiro. Possui torre sineira central e portadas em arco pleno, com embassamento em cantaria. Seu interior é composto de uma única nave, sem altares laterais, com um arco cruzeiro separando-a do altar-mor, além do coro. Tombada pelo INEPAC em 1983.

Igreja de São João Marcos

Igreja rústica, toda construída à mão por Antônio Padre, com material transportado em lombo de animais, constituído principalmente de barro, cinza e tabatinga. Ali está localizado o Cruzeiro do antigo povoado de São João Marcos, do colonial.

Igreja de São Pedro

Acesso marítimo .Situada junto à praia, circundada por densa arborização, foi construída em 1884. Capela de linhas muito singelas, com telhas francesas. Interior com pequeno coro revestido em pinho de riga.

Igreja Matriz de Nª Sª da Guia

Revestida de azulejos portugueses em sua fachada frontal e torre sineira. Capela mor com forro de madeira, em abóboda de berço. Lustre de prata em baixo relevo e imagem de Nossa Senhora da Guia em madeira em estilo do final do barroco e início do rococó.

Obelisco Comemorativo

O Obelisco foi construído em 11 de novembro de 1931 para a comemoração do 1º Centenário de Emancipação do Município de Mangaratiba.

Ruínas da Antiga Cidade de São João Marcos

Ruínas da antiga cidade e cemitério que foi inundada para dar lugar ao açude da Light.

Ruínas da antiga Estrada Imperial

Acesso pela BR-101 até km 43 e dobrar na RJ-149. A 4 km de Mangaratiba. Esta estrada evoluiu economicamente devido às exportações de café do Vale do Paraíba, pelo Porto de Mangaratiba. Os fazendeiros criaram ali um entreposto comercial e sempre que vinham ao porto ficavam hospedados no local. Os prédios assobradados são mistos de residências/armazéns e trapiches, todos do século XIX, com linhas arquitetônicas simples, típicas do período colonial .

Ruínas do Povoado do Saco

As primeiras construções do povoado do Saco de Mangaratiba devem datar de 1830. Esta conclusão baseia-se num ofício de nº 6 da Câmara Municipal de Mangaratiba dirigido ao Presidente da Província, Paulino José Soares de Souza, denunciando o Comendador Joaquim de Souza Breves, cognominado "O Rei do Café", no Brasil, denuncia no sentido de que ele iria atentar contra a Fortaleza de N. S. da Guia, ou seja, o Forte da Guia, onde o juiz de paz havia recolhido presa uma embarcação chamada "União Feliz",por ter-se empregado desde 1835, no "ilícito, imoral e desumano tráfico de Escravatura" como consta no ofício. Neste momento já se falava da utilização de dezenas de homens no conserto e calçamento da Estrada da Serra que se dirigia justamente até o povoado do Saco, onde os "Breves" tinham seus armazéns de café.

A assinatura do contrato com Bernadino José de Almeida, para a conclusão de parte da estrada da Serra, se deu em 15 de setembro de 1850, e em 26 de fevereiro de 1855, foi assinado novo contrato com o Desembargador Joaquim José Pacheco, criando para tal uma companhia de sociedade anônima, para construir uma estrada de Mangaratiba a Barra Mansa, no trajeto de São João do Príncipe e Rio Claro. Pelo relatório do engenheiro E. B. Webb, engenheiro chefe, da estrada, já em 02 de maio de 1857, circulavam carroças sem obstáculos e em 5 ou 6 idas estaria pronta a Ponte Bela permitindo o trânsito aos carros carregados de café de São João do Príncipe (São João Marcos) até o povoado do Saco de Mangaratiba. Verifica-se ainda através do ofício de 21 de fevereiro de 1834, que a Câmara propôs em 24 de setembro de 1833, que o Comendador Joaquim de Souza Breves desse continuação à estrada que estava fazendo, até a estrada da Vila Mangaratiba.

Nos anais da Câmara, existe um documento que denuncia um dos vereadores, o Vereador "Passos", José Eloy da Silva Passos, por ter faltado a uma sessão, pois estava convalescendo de um tumor nas nádegas, e no entanto foi visto a cavalo indo ao Povoado do Saco. Algumas das Ruínas do Povoado do Saco, são de armazéns de café, como as do armazém de café que pertencia à Antunes e Cia. e que encerrou suas atividades em 18 de janeiro de 1865. Havia no Povoado uma Agência de Correios que foi criada para atender as importância comercial e comodidade de seus habitantes. A reivindicação foi foi encaminhada ao Ministro e Secretário de Estado dos negócios do Império, Antônio Carlos Ribeiro de Andrade Machado.

A Agência foi criada em 12 de outubro de 1840 e ocupou o cargo de Agente Antônio Coelho Neto. Encontra-se no local as Ruínas de um teatro que, como se constatou, nele representou João Caetano, por volta de 1839. Era o povoamento do Saco onde ficavam os escravos que o Comendador "Breves" levava através de um caminho chamado "Conguinho" que a Câmara mandou inutilizar. Dizia a Câmara, uma de suas atas, que o Saco era um grande empório do comércio da carne humana e lugar de agitações contra as autoridades legais da Vila. Vila essa, de Mangaratiba, onde vinte pessoas reclamavam contra a destruição do caminho.

Solar do Barão de Sahy

Construção de meados do século XIX, em estilo neo-clássico, pertenceu ao Barão de Saí. Restaurado e hoje totalmente recuperado, tornou-se um espaço cultural com sala de vídeo, sala para exposições e centro de artesanato.

Ruínas do Antigo Teatro

E a ruína mais importante do Sítio Histórico da Estrada Imperial. Construção assobradada, de linhas simples, do período colonial da primeira metade do século XIX. Suas estruturas foram abaladas por árvores de alto porte, de grandes raízes, que cresceram junto a suas paredes. Segundo a tradição, ali foi edificado um teatro pelos Barões do Café, para seu entretenimento. Contam que o ator João Caetano lá teria encenado algumas peças, entre 1833 e 1834.

Ruínas do Porto do Saí

Acesso pela antiga RJ-14, sentido Mangaratiba / Itacuruçá percorrendo 6,5 km. Dobrar à direita. Localiza-se a 7 km de Mangaratiba - Sede. Localizada na divisa da Praia do Saí e do Saizinho, são vestígios do antigo porto de escoamento da produção de café e do comércio de escravos. Originalmente o porto era propriedade do Barão de Saí, fazendeiro de café. O sítio compunha-se do porto, com seus trapiches, de uma senzala e, mais afastada, a casa do Barão de Saí.