O início do desbravamento do atual território do Município de Itaguaí data de meados do século XVII. Segundo Monsenhor Pizarro, a colonização remonta à época em que os índios da Ilha do Jaguaramenom, atraídos pelo Governador Martim de Sá, se transferiram para outra ilha, situada mais para o sul e conhecida por Piaçavera - hoje Itacuruçá. Foi desse local que, mais tarde partiram os aborígenes para o continente fixando-se nas terras compreendidas entre os rios Tiguaçu e Itaguaí, às quais denominaram Y-tinga.

O Alvará, com força de lei, de 5 de julho de 1818, erigiu a Vila aldeia de Itaguaí, com a denominação de Vila de São Francisco Xavier do Itaguaí, cujo território e limites compreendiam a Freguesia de Itaguaí do alto da serra para a vargem, a Freguesia de Marapicu, do rio Guandu subindo a parte esquerda, todo o Ribeirão das Lajes e a Freguesia de Mangaratiba, ficando desde logo desmembrado do Termo da cidade do Rio de Janeiro e da Vila de Angra dos Reis, a que pertencia.

Com o correr dos anos, a localidade prosperou por ser o ponto de passagem preferido pelos viajantes, que se dirigiam às terras de Minas e São Paulo. O próprio D. Pedro I hospedou-se na localidade quando se dirigiu a São Paulo, onde proclamaria a Independência do Brasil.

Dotado de terras férteis, o Município de Itaguaí desfrutou, no século passado, até 1880, de importante atividade rural e comercial, exportando em grande escala cereais, café, farinha, açúcar e aguardente. A mão-de-obra escrava contribuiu acentuadamente para esse desenvolvimento.

O advento da Lei Áurea ocasionou crise econômica, refletida no considerável êxodo dos antigos escravos. Esse fato, aliado à falta de transportes e à insalubridade da região, concorreu para o desaparecimento das grandes plantações que constituíam a riqueza principal da localidade.

A passagem da antiga rodovia Rio-São Paulo por seu território, a implantação de indústria, as obras de saneamento, contribuíram para o desenvolvimento econômico do Município.

Colônia Japonesa

Há 100 anos chegavam no Brasil os primeiros imigrantes japoneses. Em Itaguaí eles chegaram um pouco mais tarde. Em 1939 radicaram-se em Itaguaí as primeiras famílias de japoneses que iniciaram suas vidas como agricultores. Fixaram-se inicialmente na baixada de Mazomba e Palmeiras, terreno pertencente à empresa Territorial Agrícola de Mazomba. Impressiona muito a grande dose de dificuldades que esses imigrantes tiveram que atravessar, primeiro por causa da barreira da língua e depois com o advento da 2ª Guerra Mundial. O Japão estava em guerra contra os países dos quais o Brasil era aliado. Consta que mais imigrantes vieram no período da guerra para Itaguaí, pois era um local tranqüilo, sem perseguições ou discriminações.

O que torna interessante ainda mais a trajetória desses imigrantes é que muitos eram grandes agricultores e implantaram culturas que antes não haviam tido sucesso no Brasil e não contentes com isso diversificaram suas atividades, alguns para o comércio e mesmo se tornando grandes empresários. Dirigiram muitos de seus filhos para profissões liberais e se integraram como pessoas de sucesso nos locais onde escolheram viver. Pode-se enumerar algumas famílias que vieram para Itaguaí: Fukamati, Okasaki, Nomura, Matsunaga, Shiose e outros. Foi formada uma associação do pessoal mais antigo: a Associação Já[onesa de Itaguaí, que se transformou no Bunka Clube. O clube tem sede onde realizados campeonatos de beisebol além de outros eventos importantes do município.

Estação Ferroviária

A estação localiza-se no centro da cidade, onde há nove anos encontra-se desativada. Inaugurada em meados de 1926. O atual Prefeito José Sagário Filho, em acordo feito com a Rede Ferroviária Federal, recuperou e restaurou o prédio, onde a partir deste ano passa a existir o Centro Cultural de Itaguaí

Igreja Matriz de São Francisco Xavier

A Igreja situa-se no alto de uma colina, fazendo parte do seu entorno diversas casas residenciais, o Patronato São José, o Cemitério, um pequeno coreto e o Cruzeiro. Fundada pelos Jesuítas em 1718, teve suas obras concluídas no dia 3 de dezembro de 1729 e sofreu diversas reformas. Os Jesuítas depois de terem criado a Aldeia nas terras de Itinga, levantaram ali um pequeno templo. Com o crescimento da população, foi necessária a transferência para um local mais seguro.

Construção em pedra e cal, com grossas paredes. A Igreja é de pequeno porte, com linhas e características coloniais. A fachada principal apresenta porta original em folha dupla de madeira almofadada. Na altura do coro há duas janelas. Acima, frontão triangular com óculo central, encimado por cruz de madeira. Na lateral esquerda, torre sineira, com cúpula prateada e dois sinos, sendo um com o símbolo eucarístico e outro com o símbolo da cruz latina. Na parte interna, acima da porta, havia um coro, o qual foi retirado devido a sua má conservação. Do lado direito da entrada, nicho com pintura em tela, representando o batismo de Nosso Senhor, assinado Pinto em 10/05/1961.

Do lado esquerdo da nave, púlpito, com insígnia em alto relevo. Separando a nave, grande arco em pedra, tendo nas laterais dois altares diagonais em madeira pintada, com a imagem de Nossa Senhora do Rosário em madeira. O acesso ao altar-mor é feito por escada de três degraus em pedra. Do lado esquerdo, pia batismal também em pedra feita pelos escravos. O altar-mor em madeira pintada com 4 colunas, tem o sacrário dourado simbolizando a comunhão. Possui três imagens em gesso: São José, São Sebastião e São Francisco Xavier.

Do lado direito do altar-mor encontra-se a sacristia, que possui móvel antigo, original, para guardo de vestimentas eclesiásticas. Pertence também à Igreja o Patronato São José e o Cemitério secular, com ricos e antigos mausoléus de mármore e figuras simbólicas. Um deles pertence ao Conde de Itaguaí e seus descendentes; em outros, membros da Família Sá Freire.

Porto de Sepetíba

O atrativo situa-se na Estrada que liga à Ilha da Madeira tendo ao seu redor a NUCLEP e a Baía de Sepetiba. O Porto teve sua construção iniciada em 1977 e foi inaugurado em 1982. Além de ser o Porto do Rio de Janeiro, é o único a movimentar carvão no estado.

Relógio Solar

O relógio pode ser visto em frente ao Cemitério São Francisco Xavier, construído em 1967 por um andarilho paraguaio chamado Gutierrez. Para se ver a hora basta fixar a vista na sombra da espátula que fica ao centro. O relógio é todo coberto por flores, no extenso gramado da entrada do Cemitério. Rua Coronel Freitas - Praça da Aclamação.