Casa com frontaria azulejada

O desenvolvimento da praça comercial de Santos, a partir de meados do século XIX, e os consequentes reflexos nas edificações dele resultantes, comparece também na organização do programa dos prédios da cidade. Mandado construir pelo Comendador Manoel Joaquim de Ferreira Neto, comerciante de café e algodão, este prédio é um dos exemplares dessa nova organização econômico-social que traz como figura central o comissário de café que acumula ou desempenha funções correlatas à de exportador de café, em especial a de financista de seus clientes fazendeiros do interior. Coerentemente, o edifício tombado traduz essa diversidade de papéis em seu programa. De grandes dimensões, recebe em seu térreo o comércio, escritório e armazém; no superior, que é residência, recebe e hospeda os mais importantes clientes e comerciantes vindos de fora. A aprovação do projeto deste edifício, cujas dimensões estavam fora dos padrões normais da cidade, data de 1863, aliás o mesmo ano do requerimento que seu proprietário encaminhou para a construção de um trapiche na fachada do terreno voltado para o Porto do Bispo. A casa foi construída em 1865 e em 1869, após a morte de seu proprietário, o sócio Luís Guiares mandou azulejar sua fachada. Por abandono de seu proprietário, o edifício chegou a ruir. Somente sua fachada foi restaurada e espera por obra de adaptação.

Casa de Câmara e Cadeia

Construída a partir de 1837, ocupa uma quadra inteira. O seu projeto inicial previa um segundo pavimento nas suas quatro fachadas, porém, só na principal, voltada para a praça, é que este foi executado. Apesar de no aspecto geral recordar os velhos edifícios coloniais, tem em alguns dos seus elementos e na composição das fachadas a influência do gosto neoclássico do século XIX. O tombamento é extensivo à praça arborizada que lhe é fronteira. O prédio foi restaurado em 1962 e 1971.

Casa do Trem

Instituída em Santos após a restauração da coroa portuguesa - entre 1640 e 1656 - é um bom testemunho do papel que a vila passa a ter na estratégia de Portugal em garantir a defesa da região. As "casas do trem" tinham por finalidade abrigar o "trem de sítio", isto é, o conjunto de peças que compunham as munições e acessórios da artilharia. É um pequeno edifício retangular de pedra e cal com portada requintada ostentando a data de 1734, decorrente, provavelmente, das obras que deram o seu aspecto atual. O acesso ao pavimento superior dava-se somente através da escada lateral externa. A comunicação interna é recente. Foi restaurada pelo orgão estadual de preservação CONDEPHAAT.

Engenho dos Erasmos: ruínas

Datando da primeira metade do século XVI, é o único exemplar conhecido da primeira tentativa oficial de exploração açucareira no Brasil. Montado por Martim Afonso de Souza, foi posteriormente vendido a um comerciante flamengo, Erasmo Schetz, de onde advém a denominação que passou a ser chamado. Sofreu obras de consolidação e limpeza em 1965, durante as quais foram desenterradas várias formas de pão-de-açúcar em meio a uma camada de cinzas e entulho que, presume-se, seja resultado de incêndio que nele terá ocorrido em 1603. Espera ainda por obras complementares e parqueamento de sua área envoltória, bem como estrutura de atendimento ao público. O edifício foi doado à Universidade de São Paulo.

Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo

A pedra fundamental é de 1752; sua conclusão de 1760. Separada da Igreja da Ordem Primeira por uma única torre conferindo singularidade ao conjunto. Este partido deve ter se inspirado nas Carmos da Capital, edificadas pouco antes. Foi, como extensão deste mesmo tombamento, colocado sob a proteção o acervo documental da igreja vizinha da Ordem Primeira do Carmo, em 16/09/1964. Sofreu incêndio em sua capela-mor, em 1941 e teve então seu altar-mor restaurado pelo IPHAN. Já o edifício recebeu obras em 1945/1946.

Mosteiro e Igreja de São Bento

Iniciativa de Frei Gregório de Magalhães para atender, em 1649, aos religiosos da Ordem dos Beneditinos em trânsito por Santos, foi instalada numa área doada por Bartolomeu Fernandes Mourão, onde existia uma capela de Nª Srª do Desterro, ao lado da qual foram construídas celas e cozinha. São do século XVIII as obras que deram ao edifício seu aspecto atual, especialmente as de reforma e ampliação da igreja. Os altares, tribunas, retábulos, arcos e demais motivos são resultado de várias intervenções dos fins do século XVIII, início do XIX, até o começo do século XX. Vale também registrar informação constante na literatura sobre o Padre Jesuíno do Monte Carmelo de que o seu altar-mór seria de sua autoria. O tombamento compreende o edifício e as seguintes peças de escultura: imagens de Nossa Senhora do Monteserrate, em barro, da autoria de Fr. Agostinho de Jesus; de Nossa Senhora da Conceição, do mesmo artista; de Santa Luzia; de São bento, em madeira; de Santa Gertrudes; de Nossa Senhora da Conceição, em barro; de Cristo crucificado, em marfim; idem, em madeira (duas); Sagrada Família, em madeira; Sant'Ana e Nossa Senhora menina, em barro. Painéis: dois, pintados sobre madeira ("A Anunciação" e "A Visitação"); dois castiçais de prata; uma custódia de prata. O conjunto foi tombado em 1948; suas obras de restauro iniciadas em 1970.