Capela do Engenho da Graça

A capela fazia parte da casa grande, que começou a ser demolida junto com a sacristia em 1940. A fachada apresenta óculo chanfrado e o frontão é adornado por volutas de cantaria. No interior o forro é abobadado. O altar tem retábulo de pedra pintado, e acima deste vê-se composição formada por pássaro bicéfalo, ladeado por dois anjos que seguram uma coroa.

Casa à Praça do Erário

Um bom exemplo de tipologia colonial de João Pessoa, apesar de ter sofrido acréscimo de elementos do século XIX, que acabaram por o descaracterizar. Foi sede dos Correios e Telégrafos. Em 1977 passou à administração do Serviço de Patrimônio da União.

Convento e Igreja de Santo Antônio e Casa de Oração

Considerado um dos melhores exemplares da chamada "escola franciscana" no Brasil. Sua construção teve origem em 1588, quando da chegada na Paraíba do frei Melchior de Santa Catarina, para ali instalar uma fundação franciscana. O projeto original é de autoria do frei Francisco dos Santos, ficando as obras indispensáveis prontas em 1591. Em 1599, a construção foi interrompida, devido à atritos com o governo Feliciano Coelho de Carvalho e que motivaram a retirada provisória dos franciscanos da cidade de "Felipéia". Com a invasão holandesa o convento foi danificado, sendo que em 1636, os frades foram expulsos e ali instalado um posto militar, pois sua localização era estratégica: dominando todo o vale do Sanhoá, estendendo-se pelo rio Pataíba até Cabedelo. Após a retomada do domínio português, o convento teve de ser todo restaurado, ficando pronto em 1661. No início do século XVIII, foram iniciadas as obras que deram ao Convento suas feições atuais com a Igreja, o Convento, a Capela, a Casa de Oração e o Claustro da Ordem Terceira, o Adro com o Cruzeiro e a cerca conventual com seu Chafariz. A igreja de São Francisco tem frontispício datado de 1779, destacando-se a torre recoberta de azulejos e a superposição de abóbadas. As talhas de arenito de folhagens e flores estilizadas, se entremeiam com relevos barrocos, sendo o principal elemento o caju. A nave da Igreja tem o forro pintado, de autor desconhecido, representando a glória de São Francisco, com um enorme templo católico onde surgem figuras de papas, cardeais e bispos. As paredes são revestidas de azulejos portugueses, formando painéis que contam a história de José do Egito. O púlpito é uma obra de arte com um rico trabalho de talha dourada, considerado pela UNESCO como único no mundo inteiro, e possivelmente sofreu influência da arte indígena. Apresenta cripta com 10 sepulturas em nicho. O Convento de São Francisco tem pátio em estilo mourisco, a escadaria de acesso ao primeiro andar tem imagem esculpida em pedra do corrimão representando infuência inca ou asteca, e é conhecida popularmente com o nome de "mascarão". O adro, em plano inclinado, é cercado por muro revestido de azulejos contendo 6 nichos com cenas da Via-Sacra. O cruzeiro é formado por cruz monolítica, com pedestal apresentando figuras de pelicanos ou a ave mitológica Fenix, "representando Cristo alimentando os filhos com sua própria refeição e a ressureição". Começou a ser restaurada em 1979, a fim de ali instalar o Museu do Estado da Paraíba.

Fábrica de Vinho Tito Silva

A fábrica foi fundada em 1892, por Tito Henrique da Silva. Na década de 30 passou por processo de modernização, funcionando normalmente até o início da década de 80, quando seu patrimônio foi leiloado para pagar dívidas junto ao Governo. Seu tombamento representou uma inovação nessa área, pois não só o monumento, a maquinaria e o equipamento foram preservados, como também a técnica industrial. O prédio se constitui por três blocos independentes, interligados por pátios internos. A empresa possui entre outros objetos raros, 20 tonéis de madeira de lei de 1892, prensas manuais e uma máquina de rotular alemã de 1930.

Igreja da Misericórdia

Não é conhecida a data em que se começou a edificar a igreja da Santa Casa da Misericórdia, pois seu arquivo se perdeu na época da invasão holandesa. Segundo consta, foi a primeira igreja da Paraíba, tendo Duarte Gomes da Silveira instituído o morgado de São Salvador do Mundo por volta de 1639, estando no centro dessa capela a sua sepultura e a de sua esposa, D. Fulgência Tavares. A igreja é de extrema simplicidade, tanto na sua fachada, quanto no seu interior, onde a falta de ornamentação das paredes é quebrada apenas pela presença do púlpito e do coro. Foi muito modificada durante os anos, restando apenas como elemento original, o tabernáculo com seus relevos dourados esculpidos de madeira. O arco que separa a capela-mor do resto da igreja, apresenta o emblema das quinas da antiga corôa portuguesa, e sobre a capela do Salvador do Mundo, outro emblema semelhante aos das moedas espanholas do tempo de Felipe II.

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco

Também chamada de Capela Dourada, teve sua construção iniciada em 1701. Em estilo D. João V, se destaca pelos diversos trabalhos em talha de madeira, por seu exotismo e pela multiplicidade de temas raros nessas talhas. No pórtico há uma mistura de elementos estilizados, como rosáceas, flores e folhagens, acrescidas de figuras de anjos. Esses, tem variedade de forma e tamanho, com diversidade de traços étnicos, corpos infantis ou adultos com caracteres mestiços ou europeus. O que mais se destaca é o sincretismo da figura da sereia com face infantil de anjo, que mistura a simbologia sagrada com mitologia, a influência negra de Iemanjá ou a grega das mulheres aladas. A introdução desses elementos decorativos teve como principal objetivo converter e catequisar os "selvagens", através da personalização de suas crenças e as adaptando aos elementos cristãos e europeus. Outro elemento mito são as figuras dos hipogrifos, com cabeças de aves, ou elementos de folhagens estilizadas. Outras formas abstratas e indefinidas fazem parte da decoração. No altar principal, se encontra acima do capitel, painel pintado com a representação da Última Ceia, em traços rústicos e primitivos. Pelo lados, duas figuras igualmente pintadas de patronos da Ordem. Os altares laterais também apresentam elementos semelhantes ao do altar principal, porém com talha de madeira mais simples e elementos e ornatos em ouro. O teto é trabalhado em forma de quadros emoldurados e juntos, supondo-se que ali deveria haver pintura. Na sacristia existem dois arcases de jacarandá de 1761. Ao fundo, numa reentrância da parede, modela-se em pedra calcárea quatro golfinhos e as armas da Ordem. No coro se encontram cadeiras esculpidas em madeira maciça, com motivos florais. Uma treliça serve de separação para o altar-mor, ao estilo mourisco.

Igreja da Ordem Terceira do Carmo

A igreja de Santa Teresa é anexa à Igreja de N.S. do Carmo, diferindo desta por ter proporções menores e riqueza de detalhes. Apresentando uma particularidade quanto ao seu plano, que é diferente do das demais da ordens: os quatro cantos da nave são chanfrados, o que lhe confere a forma octogonal. As talhas da capela-mor são bem executadas e quase todas cobertas de ouro. As colunas helicóides com folhas estilizadas de acanto obedecem ao estilo da igreja principal da Ordem Carmelita. O forro do teto é em abóbada ogival, contando episódios da vida e morte da grande reformadora do Carmo. No centro abre-se uma gigantesca rosa de pétalas douradas, de onde saem diversos raios que se dividem em triângulos, no meio dos quais ressaltam bustos de santos da ordem embutidos na madeira. A sacristia tem cômoda de jacarandá com nicho aberto ladeado de ornatos; dois armários laterais divididos em escanihos com portinholas ( de grande valor artístico) e pia de pedra talhada, instalada em um compartimento especial.

Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes

As ruínas da igreja se encontram aproximadamente a 300m da beira do mar, no Pontal de Campinas. Não se sabe ao certo quando a igreja foi construída, existindo sobre isso uma lenda, na qual um navio teria naufragado em alto-mar, e a tripulação conseguido se salvar nadando até a costa paraíbana. O comandante agradecido teria mandado então construir uma igreja nessa praia. Também consta que a igreja possa ser do século XVI, quando da chegada dos padres da Companhia Jesuítica, entretanto não foram encontrados nas paredes e nas pedras soltas ao redor da ruína, nenhuma inscrição ou as três letras simbólicas do distintivo jesuítico. De concreto se sabe apenas que em 1676 João Fernandes Vieira vende a Jorge Homem Pinto várias propriedades, entre elas a Praia do Poço, porém não havia referência ao templo. Em 1804, aparece alguma informação sobre uma "igreja de pedra e cal coberta de telhas", que faz parte da propriedade. A planta da igreja era retangular, com apenas uma nave, medindo 26m de comprimento por 12m de largura, com uns 12m de altura. A fachada principal era em pedra calcárea e está voltada para o norte. No alto da portada central há um medalhão no qual está esculpido um cavaleiro à beira de um desfiladeiro, atingindo um monstro com sua lança e um nicho ou oratório com a imagem de uma santa. Em 1931 ainda existia um lavatório na sacristia, talhado em cinco lâminas de pedra sobrepostas com seu característico golfinho.

Igreja de São Bento

Data de 1585 a construção da primeira igreja. A atual, do século XX, teve suas obras iniciadas em 1721, por Frei Cipriano da Conceição. Em 1739, estavam concluídas a capela-mor, ladrilhamento, retábulo e trono. As obras prosseguiram e, em 1749, foi celebrada a primeira missa. Passou por reformas em 1811, feitas por frei João de Santa Rita, ampliando o pavimento da capela-mor e outros reparos. Vendida à Arquidiocese em 1911, ficou fechada, sendo reformada por D. Moisés Coelho. Na época do tombamento encontrava-se muito alterada internamente, conservando de original o aspecto externo com uma das suas duas torres inacabadas. O altar-mor é em talha de madeira, num trabalho muito delicado. O estilo da igreja é simples, contrastando com outras igrejas da ordem beneditina