Convento e Igreja de Nossa Senhora das Mercês

Os padres mercedários iniciaram sua fixação na região do Pará em 1640, com a construção de um pequeno convento com ermida. No decorrer do século essa instalação foi se desenvolvendo e, como as demais obras da época, a edificação passou pelas três fases construtivas da cidade. A primeira igreja, de 1640, era de taipa coberta de palha; a segunda era de taipa-de-mão e de pilão, conservando-se estas por mais de um século. No século XVIII foi iniciada a construção do templo atual, em alvenaria de pedra, sendo concluída em 1777. Projetado pelo arquiteto italiano Antônio José Landi, é uma das poucas igrejas brasileiras com fachada convexa e frontão de linhas onduladas. Em 1794, os mercedários são expulsos da província, sendo instalada nas dependências do Convento a sede da Alfândega. Foi intensamente utilizado durante a revolta da Cabanagem em 1835, tendo ali funcionado posteriormente, o Trem de Guerra e o Quartel de Milícia, além do Arsenal de Guerra, a Recebedoria Provincial, os Correios, o Corpo de Artilharia e o Batalhão de Caçadores. No século XIX ficou a igreja abandonada e fechada ao culto por muitos anos, servindo de depósito e tendo muitas de suas obras estragadas e roubadas. Deve-se à D. Santino, quando assumiu a arquidiocese, as obras de restauração que permitiu a reabertura da igreja em 1913 . Em 1978, um incêndio destruiu quase todo o convento, sendo a igreja pouco afetada. Em 1986 o conjunto foi integralmente restaurado pelo IPHAN.

Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Em 1626, chega a Belém a Ordem Carmelita do Maranhão. Em 1627, o Capitão-mor, Bento Maciel Parente e seu filho, Capitão de Infantaria, doam as carmelitas uma casa próxima ao alagadiço de Jucara, servindo de residência para os religiosos. Foi construido a seu lado uma igreja com o título de N. Srª. do Carmo. Em 1690 a igreja foi demolida, mas no mesmo ano, as carmelitas começaram a construção, no mesmo local, dos atuais convento e igreja. Em 1766, a igreja é ampliada, segundo projeto de Landi, adotando frontões ondulados. A Ordem construiu ainda a Capela do Senhor dos Passos, permanecendo no local até 1860; em 1870, o conjunto abandonado foi entregue ao Governo, que ali instalou a prefeitura, uma outra ala ficou para a Arquidiocese, que em 1903 passou para a Ordem dos Maristas, permanecendo até 1928; de 1928 a 1931 ficou novamente abandonada, passando então para os Salesianos; em 1974 a estrutura da ala central foi alterada, sendo restaurada em 1976. O convento apresenta janelas enquadradas por cunhais e telhado com beiral em cimalha de boca de telha.

Forte do Castelo

A cidade de Belém começou, com a ocupação da foz do rio Pará, com a construção do Forte do Presépio e da primeira capela, em 1616, por Francisco Caldeira Castelo Branco . Localizado na confluência do rio Guamá com a Baia de Guarajá, foi tombado pelo IPHAN, em 1962, e se tornou um ponto turístico da cidade. A construção primitiva era de madeira e coberta de palha. Em 1622, é reconstruído com forma quadrada, tornando-se assim uma construção mais sólida em taipa de pilão. Segundo informação do arquivo, a data da primeira reforma seria 1632. O forte passou por várias obras em 1712, 1721, 1759, 1773. Em 1832 é desativado por estar em ruínas. Em 1833 passou a ser chamado de Castelo de São Jorge. É semi-destruído pela esquadra imperial durante a revolta de 1835, sendo reconstruído em 1850. As obras acabaram em 1868, o forte contava agora com quartéis, casa, uma ponte sobre o fosso, um portão e uma muralha de pedras pelo lado do mar. O Arsenal de Guerra se instalou em 1876. Em 1978, houve uma tentativa de tirar o restaurante e o círculo do forte para uma intensa restauração. Em 1980, após suas muradas terem sido parcialmente destruídas, a edificação passa por obras de emergência para garantir a estabilidade do remanescente. Em 1983, a SPHAN/proMemória, através da primeira Diretoria Regional, sediada em Belém, realiza obras de conservação e restauração de diversos monumentos do patrimônio inclusive do Forte do Castelo. Sob a responsabilidade do Exército, passou por várias modificações para abrigar a sede social do Círculo Militar de Belém. Suas linhas foram totalmente alteradas.

Igreja da Sé

A primeira capela foi construída em 1616, no antigo Forte do Presépio, por Francisco Caldeira Castelo Branco, sendo depois transferida para o local atual. Permaneceu como capela até 1719, quando foi elevada a categoria de Sé. Em 1748, quando o barroco ainda predominava na península ibérica, de onde as influências vinham diretamente para o Estado do Grão-Pará, iniciou-se a construção da atual catedral, prosseguindo a obra até 1755, sendo concluída até o arco-cruzeiro. O restante foi entregue a Landi, que deu continuidade apartir da cornija, e por volta de 1774, o templo estava praticamente pronto. O plano geral não pode ser atribuído à Landi, a imponência neoclássica da fachada superior sim. A parte inferior "revela um maneirismo tardio e sem distinção". A antiga Sé de Belém do Pará, possuiu até fins do século XIX, um altar-mor de madeira, risco de Landi, em estilo barroco simples (ou barroco-rococó como diz do arquivo), e cujo retábulo emoldurava uma tela de N. Sra. da Graça, do pintor Alexandrino de Carvalho. Com a promessa de tornar a Igreja da Sé em uma bela catedral, o bispo do Pará, Dom Antônio de Macedo Costa, realizou inúmeras reformas no seu interior. Foi feito novo retábulo para o novo altar-mor, novos painéis para os mesmos, para os altares colaterais e para as abóbadas, novos púlpitos, paravento, orgão, bancada ou cadeiral dos cônegos e piso em mámore. O novo altar-mor, de mármore e alabastro, veio de Roma como oferta do Papa Pio IX, e foi esculpido por Leca Caprini, em estilo neoclássico. Os altares laterais expõem telas do pintor Domenico de Angelins onde, originalmente, existiam telas do pintor Alexandrino de Carvalho". As capelas estão sob a invocação de Nossa Sra. da Graça e do Santíssimo Sacramento e seus altares acompanham o mármore e o neoclássico do altar-mor. "Os remanescentes púlpitos de madeira da Landi destoam, agora, do estilo da igreja, pois apresentam elementos semelhantes aos das catedrais da idade Média e influência italiana; apresentam uma composição de relevo quase ao modo manuelino, saendo rodeados de imagens com douramente discreto." Entre as pinturas da abóbada em ogival, destaca-se um painel representando o Bispo D. Macedo Costa, no pórtico do Palácio Arquiepiscopal, ao fazer entrega, a primeiro de maio de 1862, da Catedral restaurada a Santa Maria de Belém, conforme promessa que lhe fizera. No meio das nuvens aparecem os quatro bispos antecessores mais ligados à construção do templo. Autoria de Domênico de Angelins. A tela sobre o altar-mor é da configuração do Presépio e tem a marca ddas tintas do pintor Lottini. O painel do Padre Eterno foi executado por Silvério Caporini. Tanto estas como as do Domênico datam de 1891". As portas das sacristias, do Bispo e do Cabido, são em talha e precosos levados de lioz branco e róseo, com decoração barroca. Na parede da ante-sala da sacristia do Bispo está a imagem, em talha barroca, de N.Sra. de Belém. É levada no andar da procissão e, possivelmente pertenceu a um dos primitivos altares do cruzeiro.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Sua construção data da segunda metade do século XVII. Inicialmente uma pequena ermida, erguida pelo esforço dos escravos e pretos, em devoção a Nossa Senhora do Rosário. Em 1725 foi demolida, devido a seu precário estado, e reconstruída no mesmo ano, com dimensões idênticas. Entretanto, o tamanho da igreja não acomodava bem a irmandade, empenhando-se esta então, para angariar fundos para a construção de um templo mais confortável. Foi de grande importancia a contribuição do governador Manoel Bernardo de Melo e Castro e do arquiteto José Landi, que além do dinheiro, fez o projeto. A igreja merece destaque entre os edifícios do Brasil-Colônia, principalmente por ainda conservar, na fachada da rua Aristides Lobo, as janelas com rótulas de urupêma, que segundo consta eram raras no Pará e demonstram a influência árabe nos costumes portugueses. Observa-se também o piso de lageotas vermelhas dos corredores laterais, uma reminiscência do tempo das ermidas. Infelizmente, o pavimento primitivo da nave foi substituído por mosaicos modernos. Apesar de estarem proibidos os sepultamentos dentro das igrejas, desde 1850, a irmandade conseguiu alvará para ali enterrar um de seus beneméritos. Faz parte também do patrimônio das duas irmandades, Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, os ricos castiçais e lanternas de prata maciça, uma preciosa tela, representando a Virgem Maria, no batistério e documentos manuscristos destas confrarias.

Igreja de Santana

Erguida em 1727, a pequena paróquia de Campina, era a segunda paróquia de Belém na época colonial. Em 1761, foi iniciada a construção da atual igreja de Santana, com projeto de Landi. Apresentando características neoclássicas e abóbada em ogiva, encimada por lanterna redonda coroada por cúpula e cruz, raridades nas igrejas brasileiras. A nave é em cruz, que segundo Germain Bazin é "um hábil compromisso entre a cruz grega e a cruz latina", o teto abobadado com pintura floral e as paredes desta, dos altares e da capela-mor revestidas de mármore. Reformas de 1840 e 1855 alteraram bastante suas fachadas, o que acabou comprometendo sua estrutura. Demoliram as colunas laterais e ergueram duas torres na sua frente. Em 1940 a fachada foi restaurada. Segundo relatório do Dr. Leandro Tocantins, de 1963, " junto a sacristia foi construída uma gruta para invocar Nossa Senhora de Lourdes", o que compromete a integridade do conjunto. A igreja possui ainda precioso acervo, além de uma imagem de São Pedro, réplica da de Roma. Apesar das alterações feitas no século XIX, a igreja ainda é uma referência da época de sua construção.

Igreja de Santo Alexandre

Sua primitiva elevação, uma pequena ermida, coincide com a fundação de Belém. Foi erguida em 1616, pela Compainha Missionária Jesuítica, que ali se instalou ao lado do Colégio, fundado no mesmo ano. Essa primeira capela ao lado do Forte do Castelo, de taipa e com um único altar, deu lugar, em 1668, a outra mais consistente, dedicada a São Francisco Xavier e construída por Cristóvão Domingos, que segundo a "chronica", de 1669, do padre João Felipe Bettendorff, " fez a igreja tão torta que para endireitá-la, foi necessário picá-la pelo meio para a banda dos altares colaterais...". Os jesuítas procuraram na floresta amazônica, inspiração para a igreja, onde pássaros e frutos da região, substituem as folhas de acanto, cachos de uva, aves e querubins do paraíso, característicos do barroco. Com nave única, e oito capelas laterais em volta do altar-mor, evidenciando duas fases do barroco - a áurea e a decadente. Apresenta também notáveis trabalhos de talha nos púlpitos e altar-mor, destacando-se os coroamentos extremamente movimentados com numerosos anjos, de autoria do irmão jesuíta João Xavier Traer, além de valioso acervo de imaginárias. Na virada do século começou a construção da atual igreja de Santo Alexandre, pelo regente do Colégio dos Jesuítas, Manuel de Brito, sendo sagrada em 1719. A decoração, porém, só foi concluída em 1731. Com a expulsão dos jesuítas em 1760, o prédio passou a ser sede do bispado, "a parte baixa do edifício ficou reservada para o seminário Episcopal, ficando os demais compartimentos desnecessários ao Bispo, para depósito de armamentos e munições de guerra". De 1786 a 1798, a igreja passou para a Irmandade do Senhor Santo Cristo do Forte, sendo então entregue à Irmandade da Santa Casa*. O forro original, pintado, desapareceu em uma das reformas. Em 1963 foi encontrado, depois de estar por 10 anos desaparecido, o lampadário, que segundo consta é um dos dois existentes no Estado. Esta peça data do século XVIII, em prata portuguesa, batida a martelo, e onde se exibe o brasão dos carmelitas. Portanto, o Colégio e a Igreja, formam um importante testemunho do trabalho dos jesuítas no estado do Pará, sendo estas talvez, uma das poucas obras da época, que não passaram pelas mãos de Landi. *Dicionário Histórico, Geográfico e Etnográfico do Brasil, volume II, pg.226. / foto: detalhe da igreja.

Igreja de São João Batista

A primitiva capela de São João Batista foi erguida em 1622, no mesmo lugar da atual, por determinação do capitão-mor Bento Maciel Parente. O pretexto para sua construção teria sido a recusa do vigário em celebrar a festa de São João Batista na única igreja então existente, a de N. Sra. da Graça. Em 1661, o padre Antônio Vieira esteve preso nela. Em 1686, é construída uma segunda igreja, no mesmo local. Em 1721, depois de ser paroquial por sete anos, a igreja foi engrandecida passando a Catedral ou Sé Episcopal, com a criação do Bispado do Pará. Passa então por um período de intensa vida religiosa e civil mas que, em 1755, acaba quando a Igreje da Sé é concluída e se torna a nova catedral. De 1771 a 1774, foi construído o atual templo em alvenaria de pedra, segundo projeto de Landi. Foi sagrada em 1777 e com sua nave octogonal coberta por uma cúpula é única em Belém. Existe um campanário de alvenaria junto à sacristia no lugar das torres e o altar, que substitui o primitivo, com retábulo imitando o estilo neogótico. A igreja foi tombada apenas em 1941, tendo sofrido algumas modificações. Na década de 30, a pintura em perspectiva "tromp l'oeil" de Landi foi coberta por uma escaiola, pintura que imita mármore. Foi descoberta por um restaurador em 1988 que planejava uma restauração da pintura do retábulo do altar-mor. Três altares em estilo neogótico também foram erguidos na sua frente

Palacete Azul

O projeto é de 1860, de autoria de José da Gama Abreu, em estilo neoclássico tardio, sofreu acréssimos e modificações em 1883 a cargo de Landi e a decoração, é do Governador Lemos, do início do século XX. Lemos reformula o palácio, em 1911, acrescentando revestimentos, móveis e objetos da moda européia, assinados por mestres como Capranesi, De Angelis e Teodoro Braga.Torna-se assim um acervo importante, rivalizando com Rio de Janeiro e São Paulo. Outra importante reforma foi a de 1927. Em 1994 é sede do Poder Municipal e Museu da Arte de Belém. Em 1973, no governo de Nélio Lobato, passa por reformas de pequeno vulto e é quando os restos mortais de Antônio Lemos são trazidos do Rio de Janeiro, onde falecera em 1913. Na década de 80 abriga muitas funções, precárias divisórias de madeira dividiam o espaço, os revestimentos antigos eram encobertos por novos e os móveis e objetos estavam abandonados. Em 1992, o restauro recupera as linhas originais do projeto de 1860 eliminando as modificações de 1883. Na decoração interna seguiu-se o ecletismo do início do século e a intervenção de Lemos.

Palacete Pinho

O Palacete Pinho é um dos exemplares mais característicos que marcaram, nos fins do século XIX, o ápice econômico proveniente do Ciclo da Borracha. Desde o início da sua ocupação pela família do Comendador José de Pinho, responsável por sua construção, foi palco de constantes manifestações culturais. Segundo o estudioso Correia Pinto, "não havia ali fronteiras de nenhuma espécie: nem políticas,nem estéticas, nem religiosas, nem raciais". Adotando um partido arquitetônico comum em Portugal nos séculos XVII e XVIII, mas raro no Brasil, que vem da influência dos palácios e vilas italianas do século XVI. Sua planta é em "U", sendo o pátio aberto na frente, uma proposta barroca, é limitado por uma grade como nos similares portugueses. A linguagem dos vãos, que no primeiro pavimento são em arco pleno e no segundo vergas retas, encimadas por frontões triangulares e curvilíneos, se harmonizam com o revestimento de azulejos e com os lambrequins da parte mais elevada do prédio (a camarinha). A falta de recursos dos herdeiros para preservá-lo, levaram à sua venda, em 1978.

Palácio do Governo

Originalmente, foi construído de 1676 a 1680, em taipa-de-pilão com dois pavimentos, um palácio para abrigar os governadores em inspeção à capitania. Era chamado de "casa de residência". "Estando este palácio já muito danificado e ameaçando desabar, foi demolido em 1759. No mesmo lugar, aumentado para os fundos, mandou o governador Fernando da Costa Ataíde Teive edificar novo palácio, pela planta traçada por Landi, no estilo clássico italiano." (Manuel Barata-Rev. do Inst. Hist. e Geográfico do Pará. Vol.VI, 1931, 1º sem.). As obras começaram em 1767, terminando em 1771. Durante o Império sofreu diversos reparos e melhoramentos internos, mas que não alteraram seu estilo original. No início do século XX, com o advento do ciclo da borracha, o então governador Augusto Montenegro reformulou toda a primeira parte do palácio, dando-lhe as características do ecletismo. Estas modificações quebraram completamente a harmonia arquitetônica da edificação. Em 1971, foi restaurado pelo SPHAN, voltando à sua forma original. A capela interna projetada por Landi, localizada no térreo aproveitando o vazio entre os dois pisos, tem retábulo barroco. Foi dela a saída do primeiro Cirio de Nazareth, em 08 de setembro de 1797. Com o decorrer do tempo, a capela acabou.

Palácio Velho

Tombado por seu valor arquitetônico e histórico, tem grande importância na história de Belém. O sobrado de esquina, com dois pavimentos e camarinha ao centro, tem nas suas fachadas uma série de portas e janelas em arco abatido. Embora apareça elementos do século XIX, como os gradis, é construção típica dos setecentos.

Solar do Barão de Guajará

Considerado um dos mais antigos e belos solares da cidade, não se tem informação sobre a sua construção, que é um marco da decadência do patriarcado rural. Em 1837, sua proprietária era Ângela de Cácia Fragoso, que o recebeu de herança de sua mãe. Em 1939, o Solar passa para dona Inês Micaela de Lacerda Chermont, que mais tarde o transfere para seu irmão, o primeiro Barão e Visconde de Arari, que o remodelou, colocando gradis de ferro com seu monograma nas sacadas das janelas. Tendo recebido o Solar de herança, sua sobrinha se casa com Domingos Rayol, o Barão de Guajará. A construção tem inspiração portuguesa, com três pavimentos, sendo o último em forma de camarinha. O pátio interno demonstra a influência moura na arquitetura ibérica, transferida para a Amazônia. A fachada é revestida de azulejos, com desenhos em formas geométricas nas cores brancas e azuis, provavelmente vindos de Portugal. O interior é requintado, com piso e forro de madeira, a escada para o segundo pavimento tem guarda-corpo com balaustrada e assoalho formando desenhos geométricos. Em 1970, foi reinaugurado após sofrer obras de restauração, passando ali a funcionar o Instituto Histórico e Geográfico do Pará, conservando as mesmas características da época de sua construção. Encontra-se no seu interior a biblioteca do "Barão de Guarajá", com estantes de jacarandá artisticamente trabalhadas.

Teatro da Paz

Inicialmente chamado de Teatro Nossa Senhora da Paz. A pedra fundamental foi lançada em 1869, mas sua construçao só se iniciou em 1874. Com projeto original do engenheiro militar José Tibúrcio de Magalhães, com 6 colunas jônicas na fachada, foi logo modificado pela Repartição de Obras Públicas e pelo engenheiro fiscal Augusto Calandrini Chermont. Construiu-o administrativamente, o português João Francisco Fernandes, num contrato em bloco para entregá-lo em quatro anos. Dificuldades com material, mão-de-obra, ajudadas pela burocracia governamental, determinaram o atraso de nove anos da inauguração do teatro, em 1878. A construção foi executada com a fachada com frontão reto apoiado em sete colunas coríntias, número que viola um princípio tradicional da arquitetura clássica. Esta mudança se explica pela imponência que o prédio tinha que ter, e a ordem jônica era simples demais para isto. Também foi considerado internamente pobre e estruturalmente frágil. Várias reformas foram feitas, sendo que a de 1904, feita pelo Governador Augusto Montenegro, fez recuar o pórtico, deixando o terraço descoberto e reduzindo as colunas de sete para seis. Infelizmente, estas mudanças alteraram o estilo neoclássico da fachada, tornando-a eclética, com seus ornatos e óculos a comportarem o escudo estadual e os quatro bustos representando a música, a poesia, a tragédia e a comédia. O interior também foi alterado em sua planta e estilisticamente enriquecido. O pano de boca, a alegoria à República, foi pintado em Paris pelo cenógrafo Carpezat, e foi restaurado há alguns anos atrás. O painel do teto, pintado por De Angelins, representa Apolo. O teto do imenso "foyer" é decorado com motivos regionais. Em 1965, sofreu sua terceira reforma, com a reconstrução em concreto da parte traseira, que era de taipa e ameaçava ruir. Foi tombado pelo IPHAN em 1963. O teatro teve sua sexta reforma e reabertura em 1978, com sua cor original: rosa.