Capela da Santíssima Trindade

Capela do início do século XIX, composta por nave e capela-mor retangulares, ladeadas por sacristias e consistório, cujas construções só terminaram no fim do século XIX. A fachada ostenta portada de pedra-sabão inacabada, com duas janelas à altura do coro em verga curva, frontão triangular com elementos curvos e pináculos nos arremates, e dois "puxados" laterais, mais baixos, onde estão instalados os sinos. De seu acervo, destaque para a belíssima e rara imagem do Pai Eterno com Cristo crucificado, Nossa Senhora das Dores e São José.

Capela de Nossa Senhora das Mercês

A Irmandade de Nossa Senhora das Mercês dos Pretos Crioulos foi instituída no dia 14 de dezembro de 1756. O termo de aceitação do compromisso data de 1789 e já se refere ao consistório da Irmandade de Nossa Senhora das Mercês, provavelmente da capela própria. Embora não exista documento anterior a 1800 sobre a construção do templo, é certo que no ano de 1807 a capela já devia estar parcialmente construída, uma vez que naquele ano decidiu-se transferir a procissão dos Passos para a capela de Nossa Senhora das Mercês. Em 1824, D. Frei José da SSmª Trindade, em seu relatório de visita pastoral, refere-se ao altar de talha moderna pintado e dourado da capela de Nossa Senhora das Mercês, como também à pintura do forro. Sobre os trabalhos da talha, a única documentação existente é um pagamento feito ao entalhador José Morais Pereira no ano de 1808, sem, entretanto, especificar a obra. Entre 1807 e 1820 aparecem vários pagamentos por compra de madeiras, cipó para andaimes e obras de carpintaria, encontrando-se entre estes um pagamento a Manoel Martins de Souza por trabalho no forro da capela. As pinturas do forro, retábulo, arco-cruzeiro são de autoria do artista Manoel Victor de Jesus e, parecem ter sido concluídas em 1821. São também de sua autoria, a pintura de um azulejo na capela-mor, credências, sacras e uma bandeira da Irmandade. Já a pintura do óculo, executada entre 1829 e 1830, é de autoria do pintor Jerônimo José de Vasconcelos.

Capela de São Francisco de Paula

Construção de meados do século XVIII, apresenta fachada simples com porta larga em verga curva, duas janelas à altura do coro com parapeito em balaústres torneados, frontão triangular com óculo envidraçado e encimado por cruz de ferro oitocentista. Lateralmente existem os dois puxados onde estão as sineiras cujo telhado é continuação do telhado do corpo central.

Capela de São João Evangelista

Face à inexistência de documentação, quase nada há sobre a construção da capela, sabendo-se apenas que a Irmandade de São João Evangelista dos Homens Pardos foi fundada por volta de 1740, na igreja matriz e funcionava no altar do Descendimento onde existe uma imagem de São João ao pé da cruz. Desta Irmandade só restaram os livros de termos de entrada de Irmãos. Parece que a Irmandade funcionou na matriz até o final do século XVIII, tendo a construção da capela própria se iniciado por volta de 1750/60, com recursos provenientes dos Irmãos. Na capela de São João Evangelista foi criada, em 1812, a Irmandade de São Francisco de Assis dos Pardos, que segundo parece, teve breve duração, e a confraria de Nossa Senhora das Dores, fundada por volta de 1816 ou 1817, que teria construído o altar colateral de Nossa Senhora das Dores e o oratório da sacristia, onde se guarda a imagem processional sob sua invocação. D. Frei José da SSm.ª Trindade, em seu relatório de visita pastoral de 1824, faz uma pequena descrição da capela, inferindo-se deste documento que o retábulo de Nossa Senhora das Dores foi refeito no primeiro quartel do século XIX e, que o de Nossa Senhora dos Remédios é posterior a 1824, uma vez que a descrição do referido retábulo por ele feita naquela ocasião, não corresponde ao atual que é semelhante ao de Nossa Senhora das Dores. Não há mais registros documentais sobre a igreja, a não ser referências de pequenas compras de objetos no início do século XX e pedidos de esmolas para reformas na igreja, em 1923.

Capela do Bom Jesus

A Capela do Senhor Bom Jesus da Pobreza, cujo nome originou-se provavelmente da igreja do mesmo orago em Évora, Portugal, está localizada no antigo "Largo das Rua das Forras", hoje praça principal da cidade. A documentação sobre esta Capela é muito escassa, o que torna impossível compor a história do monumento. Sabe-se que foi construída, certamente em pagamento a uma promessa, pelo Capitão-mor Gonçalo Joaquim de Barros, que, em 1801, encaminha à Coroa Portuguesa uma petição para provisionar a construção do templo, embora sua construção seja muito mais antiga. Presume-se que a capela tenha sido construída em 1771, conforme a data que até bem poucos anos achava-se pintada no frontão. Outra data, 1940, inscrita na fachada, indica a realização de ampla reforma. O certo é que, conforme se infere do livro de Receita e Despesa da Irmandade do Santíssimo, a construção do pequeno templo terminou em 1786. A esquadria e a porta vieram da demolição do sobrado do Largo das Forras, onde hoje é o hotel Ponta do Morro. A pintura do retábulo, em motivos florais, como também das paredes da nave, do frontal do altar e cimalhas, foi contratada com o pintor Francisco Cezário Coelho, caracterizando-se pelo nítido gosto popular.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

Face ao desaparecimento dos livros da Irmandade do Rosário dos Pretos, anteriores a 1800, nada restou sobre a construção desta Capela. Podemos situar a obra de arquitetura entre 1740 e 1770, a julgar pelo sistema construtivo em alvenaria de pedra, com as esquadrias de cantaria lavrada em arenito amarelado, de execução erudita. Todas as portas e janelas são compostas por vergas retas, típicas em Minas Gerais na primeira metade do século XVIII. Trata-se de uma construção em alvenaria de pedra com cunhais e esquadrias de cantaria. A planta é composta por nave retangular, capela-mor ladeada por duas sacristias, um consistório paralelo à nave e sineira à esquerda. À direita da nave existe um pequeno compartimento construído em época posterior. A fachada é marcada por dois pares de cunhais que sustentam uma cimalha larga. A portada, de verga reta, possui decoração em frisos curvos e tarja de gosto barroco, encimada por nicho com a imagem de São Benedito. Duas janelas, à altura do coro, integram-se aos cunhais e cimalha. O frontão desenvolve-se em curva, arrematado por volutas e ladeado por coruchéus. É encimado por cruz, hoje de cimento armado visto que a original foi destruída por uma descarga elétrica nos anos 30. Outra duas cruzes de cantaria encimam as empenas da nave e capela-mor. Os beirais superiores são em cimalha de cantaria e, os inferiores (sacristia e consistório) são de cachorros e beira- seveira. Internamente, a decoração conta com o retábulo do altar-mor, do terceiro quartel do século XVIII, de estrutura joanina, mas com decoração de gosto rococó, dourado e policromado; dois retábulos colaterais menores, numa interpretação provinciana do estilo D. João V, policromados e dourados, provavelmente provenientes da capela primitiva. Possui, ainda, bela balaustrada torneada, púlpito com bacia de cantaria, coro com pilastras copiados da Matriz. A pintura do forro da capela-mor, de autoria não identificada, representa a Virgem entre São Francisco e São Domingos, em tarja composta por trama arquitetônica em .perspectiva barroca, embora com decoração ao gosto rococó. A nave apresenta forro de caixotões artesoado, copiado da Matriz, com 18 painéis representando os mistérios do calvário e três invocações da ladainha da Virgem. Esta pintura, datada do primeiro quartel do século XIX, é atribuída a Manoel Victor de Jesus que pertencia à Irmandade do Rosário.

Igreja Matriz de Santo Antônio

A história da Matriz de Santo Antônio confunde-se com os primórdios da criação do Arraial Velho do Rio das Mortes. Existiu inicialmente uma pequena capela dedicada a Santo Antônio que veio a se tornar a primeira freguesia da Comarca do Rio das Mortes. A Paróquia parece ter sido fundada oficialmente em 1710, quando se criou a Irmandade do Santíssimo Sacramento. As primeiras obras de construção da nova igreja, cuja tradição indica o ano de 1710, não são documentadas pela perda irremediável do 1º Livro de Receitas e Despesas da Irmandade do Santíssimo Sacramento que registrava o período de 1710-1736. Sabe-se, entretanto, que em 1732 a igreja encontrava-se praticamente concluída, faltando apenas os assoalhos e forros, conforme consta na petição de ajuda enviada à coroa portuguesa. Em 1736/37 a documentação indica uma ampliação na igreja, que parece tratar-se de um aumento da extensão longitudinal da nave, surgindo nesta época diversos pagamentos a profissionais como João de Faria, João da Ponte e Nicolau de Souza. As obras se prosseguiram ao longo do século XVIII, e incluíram os consistórios e sacristias que circundam a nave e capela-mor. Ainda em fins daquele século, verificaram-se obras de remodelação da fachada ou reparos e só em 1807/10 a Irmandade do Santíssimo Sacramento decide demolir a frontaria e reconstruir outra ao gosto rococó, tendo para tal encomendado o projeto ao Aleijadinho. A obra foi executada sob a direção do mestre-pedreiro Cláudio Pereira Viana, tendo o mesmo concluído o adro com escadaria em três patamares, por volta de 1813. A última obra realizada seja talvez a colocação das duas cancelas de ferro batido, por volta de 1840.