Igreja de São Francisco de Assis

A exemplo do ocorrido com outras cidades coloniais mineiras, originárias da atividade de exploração do ouro, a formação urbana de São João del Rei deu-se com a aglutinação de pequenos núcleos surgidos junto a locais de mineração, descobertos a partir do ano de 1704. Desta forma, a ocupação inicial ocorreu de maneira bastante dispersa e rarefeita, limitando-se a espaçados agrupamentos de casas baixas em torno de uma pequena capela. A partir da criação da Vila em 1713, São João del Rei cresceu, tanto em importância dentro da região das Minas (sendo inclusive escolhida para a sede da nova Comarca do Rio das Mortes, criada em 1714), quanto em espaço urbano, ganhando, até a metade do século XVIII, expressivas edificações civis e religiosas, que funcionavam como fatores de polarização de novas construções. Surgiram nessa época a Igreja do Rosário, a nova Matriz do Pilar, a Igreja do Carmo, Mercês e a Igreja de São Francisco de Assis, cuja construção remonta ao ano de 1749. Coube à Ordem Terceira de São Francisco de Assis, no ano de 1772, a iniciativa de construção de uma nova igreja-sede, em substituição à primitiva capela, então em ruínas. Os primeiros preparativos para a construção tiveram início imediatamente após a decisão da Ordem e, em agosto de 1774, foram contratados os serviços do mestre Francisco de Lima Cerqueira para executar a obra conforme risco que lhe foi apresentado. A autoria do projeto original é de Aleijadinho, comprovada pelo risco existente no Museu da Inconfidência de Ouro Preto. Durante o decorrer das obras, o mestre responsável, Francisco de Lima Cerqueira, fez uma série de mudanças no projeto original, que, entre outras medidas, incluíram: alteração das pilastras do arco-cruzeiro, modificação do desenho dos óculos da nave, substituição das torres oitavadas e alteração da posição original da sacristia. Francisco de Lima Cerqueira concluiu seus trabalhos na igreja em 1804, tendo sido executadas até então as obras da capela-mor com o respectivo retábulo, nave, sacristia e demais obras menores, sabendo-se que a capela-mor, datada de 1781, contou com a participação do mestre Francisco de Lima e Silva. Em 1809, o acabamento da torre (empena) e do coro (arco) ficou sob a responsabilidade do mestre Aniceto de Souza Lopes, a quem se atribui também a execução dos baixos relevos do frontão e do medalhão da portada.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar

A iniciativa de construção da atual Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar foi tomada pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, através de licença datada de 12 de setembro de 1721, com a finalidade de substituir a primitiva Capela do Pilar, edificada no Morro da Forca, incendiada alguns anos antes, durante a Guerra dos Emboabas. Reconstruída no mesmo local da primitiva capela, em setembro de 1732 já se achavam concluídas as paredes mestras, os portais, altares e capela-mor. No mesmo ano vieram da Corte, em Portugal, ouro em folha, gessos, óleos, tintas e mais aprestos destinados à capela-mor, além dos dois painéis a "Mesa do Senhor" e "O Senhor na Casa do Fariseu", que lá se encontram. Segundo consta, no mesmo período, faltava forrar a igreja, além da colocação de lâmpadas, torre e sinos. No ano de 1750, a edificação já se encontrava praticamente concluída e ornada, como se infere da descrição feita por José Alvares de Oliveira, em sua "História do Distrito do Rio das Velhas" escrita no mesmo ano. Em princípio do século XIX, a Irmandade decidiu ampliar o corpo da igreja, em função do crescimento da vila e, portanto, ao crescimento do número de fiéis. O risco do novo frontispício foi idealizado pelo mestre Manoel Victor de Jesus, no ano de 1817, em substituição à fachada projetada por Francisco de Lima Cerqueira. As obras somente tomaram impulso em 1824, por ocasião da chegada do novo vigário da Paróquia de São João del Rei, José Dias Custódio. Entre os anos de 1850 a 1863, foram concluídos vários trabalhos da igreja, como o forro, assoalho, pintura do coro (1850/53), paredes da sacristia (1859), além do novo cemitério (1859/63). Não há referência documental sobre a época e autoria das obras de pintura da matriz.

Igreja Nossa Senhora do Carmo

Coube à Irmandade de Nossa Senhora do Carmo a iniciativa de construção da capela, conforme autorização concedida pelo bispo do Rio de Janeiro, Dom Antônio de Guadalupe, a 10 de dezembro de 1732. Primeiramente foi construída a capela-mor, cuja benção inaugural ocorreu em dezembro de 1734. As obras de construção do restante da igreja, compreendendo a nave, a sacristia e as tribunas, foram concluídas por volta de 1759, sabendo-se que os trabalhos de acabamento e ornamentação se estenderam até princípios do século XIX. Conforme se infere dos Livros de Termos da Irmandade, as obras de pintura do forro da capela-mor foram ajustadas em 1759, com o mestre Estevão de Andrade Silva, e as do forro do corpo com o mestre Braz da Costa. O entalhador Manuel Roiz Coelho arrematou as obras do retábulo, camarins, trono e púlpitos em 1768, tendo a Irmandade dado por concluído os trabalhos em 1773. Mesmo após a conclusão das obras, foram efetuadas mudanças no risco original. Em 1787, foi acertada a execução do frontispício com o mestre Francisco de Lima Cerqueira, cujas obras se estenderam até 1816, cabendo ao mesmo, em 1790, a opção pela forma octogonal das torres, em substituição às formas arredondadas, como previa o projeto original. Mais algumas obras foram realizadas até o ano de 1824, quando finalmente a igreja foi dada como concluída.