Capela de Nossa Senhora da Piedade

Esta capela é classificada como "capela de campo", apresentando todas as características de uma capela de arraial opulento. A origem de sua construção está ligada á sesmeiros de recursos ou senhores de lavras opulentos, devotos de Nossa Senhora da Piedade. Presume-se que sua construção data de 1720, o que parece indicar a data inscrita na peanha da cruz. O fato de ter sido construída na época em que o território mineiro estava ainda subordinado ao Bispado do Rio de Janeiro, justifica a inexistência de qualquer documento que se refira à ereção de Irmandade ou autorização para se erguer a capela, nos arquivos do Arcebispado de Mariana. À exemplo de outras capelas do chamado "Morro trágico do Ouro Preto", erguidas no primeiro quartel do século XVIII, a Capela da Piedade foi construída de canga, material empregado nas edificações primitivas locais, de que hoje restam várias ruínas. Pertence ao grupo das primeiras capelas erigidas na Serra de Ouro Preto e que ainda hoje se mantêm eretas, juntamente com São João, Sant'Ana e São Sebastião, a despeito de toda a decadência dos diversos arraiais que se formaram ao redor. Apresenta fachada simples com trabalhos em cantaria, conservando totalmente sua forma primitiva. A porta inferior, de verga reta, é encimada por duas pequenas sacadas com balaustrada artística, simetricamente dispostas em relação ao eixo da fachada com óculo redondo no frontão. Duas sineiras substituem as torres, das quais apenas em uma há sino. Domina o frontão, na linha da cumeeira, uma cruz simples. Por um átrio humilde, atinge-se ao interior, de paredes lisas, só rasgado por duas frestas que ajudam a iluminação. Pouco adiante, já embutida na parede, a soleira do púlpito inacabada.

Capela de Nossa Senhora das Dores

Situada no bairro de Antônio Dias, a primitiva Capela de Nossa Senhora das Dores foi construída por iniciativa da Irmandade de Nossa Senhora das Dores e Calvário, constituída em 1768, na Matriz de Antônio Dias, de acordo com a provisão datada de 31 de janeiro de 1775. A entidade construtora e patrocinadora foi uma confraria que, em 1862, passou a Ordem Terceira. Erguida no mesmo local da atual capela, porém um pouco mais recuada, a primitiva capela de Nossa Senhora das Dores foi construída por volta de 1780 em lugar onde anteriormente havia um cemitério. Mas a capela que hoje vemos, tendo toda a sua estrutura em pedra, data de 1835. Entretanto, foi entre os anos de 1845 e 1850 que a sua construção avançou até a fachada atual.

Capela de Santana

Localizada no Morro de Sant'Ana ou Morro da Queimada, a iniciativa de sua construção é atribuída aos moradores do próprio morro onde se situa, a exemplo das demais capelas da Serra de Ouro Preto. Conforme consta em documento do Arquivo do IPHAN, esta capela deve ter sido construída nos primeiros tempos do ouro, em período anterior a 1720, como suas contemporâneas São João e Piedade.

Capela de São João

Situada no Morro de Ouro Fino, antigo arraial do Ouro Podre, a Capela de São João Batista foi construída antes de 1743, uma vez que a escritura de constituição do patrimônio que o minerador Padre Gabriel Mascarenhas fez para a referida capela, data de 17 de julho daquele ano. Diante da falta de documentação, sabe-se somente que em 1761, foram reedificadas as paredes da sacristia, por ordem do Padre Visitador José dos Santos. No século XIX, especificamente nos anos de 1855, 1878 e 1879 foram destinados recursos, pelo governo provincial, para auxiliar nas obras que estavam sendo executadas.

Capela de São José

Irmandade do Patriarca São José dos Bem-Casados foi formalmente constituída por provisão de 16 de fevereiro de 1730, na Matriz de Nossa Senhora do Pilar, tendo funcionado anteriormente na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias. Mas, já em 1726, construía capela própria no bairro do Pilar, em local e consignado pela Câmara de Vila Rica. Por volta de 1744 os irmãos de São José cogitavam da construção de um novo templo, o que se verifica através de petição enviada a D.João V, solicitando confirmação do terreno concedido pela Câmara. O risco da Igreja foi encomendado em 1746, e tem autoria de Francisco Branco de Barros Barriga. As obras de arrematação foram contratadas com José Pereira dos Santos, mas parecem ter tido início efetivo em 1753, conforme a data do primeiro recibo a ele concedido. Em 1761 foi concedida a bênção da igreja, data também da visita canônica, supondo-se que as obras deviam então estar bem adiantadas já que a visita veio atender um pedido antigo da Irmandade. Como indica o último recibo concedido a José Pereira dos Santos, a nave foi concluída por volta de 1759, iniciando-se no ano seguinte a construção da capela-mor, arrematada por Antônio Rodrigues Falcato, cujas obras se estenderiam até 1764.

Capela de São Sebastião

A iniciativa de construção da capela é atribuída aos próprios moradores do Morro de São Sebastião. Segundo o historiador Salomão de Vasconcelos, teria existido no local uma primitiva capelinha erguida pelos anos de 1708 - 1720. Sobre o arco-cruzeiro pode ser lida a data de 1753, que provavelmente se refere ao ano de sua construção. Suas etapas construtivas no século XVIII são obscuras, nada se sabendo sobre a autoria do projeto e responsabilidade de execução das obras.

Capela do Bom Jesus das Flores

No processo de formação de Vila Rica são de extrema importância os primeiros povoados, formados nos vales e morros, nos últimos anos do século XVIII, através de mineradores e comerciantes em busca do ouro na região. O grande sentimento religioso desses povoadores fez surgir, em torno de cada povoação, pequenas capelas cuja conclusão só seria realizada muito mais tarde. Conforme referência do historiador cônego Raimundo Trindade, a capela de Nossa Senhora do Pilar, no Taquaral, freguesia de Antônio Dias, como era chamada, foi erigida a pedido dos moradores, por provisão de 28 de outubro de 1748, tendo sua benção se realizado a dois de novembro do ano seguinte. A mudança da invocação para Bom Jesus das Flores, deu-se em época posterior ao ano de 1855, tendo em vista o Relatório do presidente da Província daquele ano, no qual a edificação ainda figura sob a invocação de Nossa Senhora do Pilar do Taquaral. Diante da lacuna na documentação, não se sabe a autoria do projeto e a quem coube a responsabilidade da execução. No entanto, o ano de 1748 pode ser considerado como data provável para o início das obras, uma vez que a capela foi erigida canonicamente naquele ano, conforme acima mencionado

Capela do Padre Faria

Deve-se ao Padre João de Faria a construção, nos primeiros anos do século XVIII, de uma ermida em honra de Nossa Senhora do Carmo, no arraial que posteriormente tomou o seu nome. A primitiva invocação da Capela do Padre Faria foi, portanto, a da Virgem do Carmo, que a partir de 1723 passou a pertencer à Irmandade de Nossa Senhora do Parto, constituída de pardos ou mamelucos. Por volta de 1740, a Capela do Padre Faria passou a abrigar também os irmãos brancos da Irmandade do Rosário, iniciando-se nessa época a total reconstrução da capela, no mesmo local da primitiva edificação, porém, em maiores proporções. Em face das lacunas da documentação, não há como compor uma cronologia da construção da igreja.

Capela do Senhor do Bonfim

Em face da inexistência de elementos documentais, tornou-se quase impraticável a reconstituição pelo menos parcial da história da Capela do Senhor do Bonfim. Trata-se daqueles pequenos templos cuja origem é bastante obscura. Informa Manuel Bandeira que nesta capelinha é que os condenados á morte, a caminho da forca, levantada nas Cabeças em 1791, ouviam missa por sua alma. Segundo o especialista Germain Bazin, a capela foi construída no século XVIII, sabendo-se, entretanto, que sua fachada foi reformada no século XIX, de modo desfigurador. Essa modificação ocorreu posteriormente ao ano de 1851, pois, naquela data, o viajante Hermann Burmeister, passando por Ouro Preto, reproduziu em desenho a Capela do Bonfim, com sua fachada original.

Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões

A primitiva capela do Bom Jesus dos Perdões foi edificada no ano de 1742, pelo padre José Fernandes Leite, que nela exerceu as funções de capelão e administrador, até o ano de 1760, segundo informações de cônego Raimundo Trindade. A partir desta data, a capela foi doada à Irmandade de Nossa Senhora das Mercês, advindo daí a denominação de Capela de Nossa Senhora das Mercês e do Bom Jesus dos Perdões, mais tarde simplificada para Capela de Nossa Senhora das Mercês e Perdões. A Irmandade de Nossa Senhora das Mercês existia desde 1743, quando foi fundada na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, mas sua elevação à dignidade de Ordem Terceira data de 1823.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Inicialmente, os irmãos terceiros da Ordem do Carmo do Rio de Janeiro, moradores em Vila Rica, reuniam-se na capela dedicada a Santa Quitéria, situada no alto do morro que separava os arraiais de Ouro Preto e Antônio Dias. Em 1751, já constituídos como irmandade autônoma, cogitaram da construção de seu próprio templo, cujo risco ficou a cargo de Manuel Francisco Lisboa, irmão da Ordem. Em 1756, foram iniciadas as obras de construção, arrematadas por José Pereira dos Santos, as quais foram interrompidas por diversas vezes, diante de desentendimentos com a Irmandade de Santa Quitéria, no que diz respeito às condições de cessão do terreno. Nos arquivos da Ordem encontra-se exaustiva pesquisa de Francisco Antônio Lopes, onde o autor relaciona detalhadamente a cronologia das etapas de construção da Igreja do Carmo, bem como a relação das técnicas e materiais empregados, conforme definido em contrato, com o arrematante João Alves Viana.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi formalmente constituída em 1715, e funcionou inicialmente na Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Já no ano seguinte, adquiriu capela própria no Bairro do Caquende. Por ocasião da procissão conhecida como "Triunfo Eucarístico", realizada em Vila Rica no ano de 1733, em que se procedeu o traslado da imagem do Santíssimo Sacramento da primitiva capela do Rosário para a Matriz do Pilar, construíram os Irmãos do Rosário a rua que tomou posteriormente o nome de rua do Sacramento (atual Getúlio Vargas) para a passagem desta procissão. Em troca desse benefício, em 1761 a Irmandade obteve do Senado da Câmara, concessão de um amplo terreno, próximo à capela primitiva, onde foi construída a atual Igreja do Rosário, cujo risco é atribuído ao artista Antônio Pereira Sousa Calheiros.

Igreja de Santa Efigênia

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos da Freguesia de Antônio Dias foi ereta na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, no ano de 1717, mudando-se alguns anos mais tarde para a capela do Alto da Cruz do Padre Faria. Segundo a tradição, existiu no local anteriormente uma ermida dedicada a Santa Efigênia, razão pela qual a atual igreja conserva as duas denominações. Segundo consta, a atual Igreja de Santa Efigênia foi construída no ano de 1733, no mesmo local da primitiva capela do Alto da Cruz do Padre Faria.

Igreja de São Francisco de Assis

Coube à Ordem Terceira da Penitência de São Francisco de Assis a iniciativa da construção da capela de São Francisco, obtendo-se em 1771 a licença régia necessária para a edificação do templo. Antes mesmo, porém, já em 1765, foram iniciadas as obras de terraplanagem e, em 27 de dezembro de 1766, foi arrematada a obra de alvenaria pelo mestre pedreiro Domingos Moreira de Oliveira, obedecendo ao risco de Antônio Francisco Lisboa.

Igreja de São Francisco de Paula

A Congregação dos fiéis do Patriarca São Francisco de Paula, constituída desde 1780, foi instalada como Ordem Terceira na Ermida de Nossa Senhora da Piedade, cerca de vinte anos após a sua criação. Revelando-se a Capela de Nossa Senhora da Piedade insuficiente para conter o grande número de fiéis, decidiram os Irmãos edificar um templo de maiores proporções que se verificou a partir de 1804, no mesmo local da primitiva Ermida de Nossa Senhora do Rosário, obedecendo ao risco do Capitão-mor Francisco Machado da Cruz

Igreja do Bom Jesus do Matozinhos

Em 1771, os moradores de Passa Dez obtiveram licença da Mesa Capitular do Bispado de Mariana para erigir uma capela sob a invocação do Santíssimo Coração de Jesus e São Miguel e Almas. As obras foram iniciadas no mesmo ano e em 1778 encontravam-se bastante adiantadas, quando se ajustou com o Mestre Pedro Francisco Rodrigues Lajes, a edificação do frontispício, que incluía, entre outras obras, a confecção do óculo, janelas e cruz. Em 1783, foi feito novo contrato com o pedreiro Pedro Miguel Moreira Gomes para a obra das torres, que permaneceu no canteiro de obras até 1793, responsabilizando-se também pela edificação da sacristia e calçadas de pedra. Assim, em 1793 a igreja estava praticamente concluída. Durante o século XIX, a edificação foi contemplada com sucessivos auxílios para obras, como indicam os Relatórios do Presidente da Província relativos aos anos de 1855, 1874 e 1879.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias

Coube ao bandeirante Antônio Dias a iniciativa da construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, por volta de 1699. Em 1705, instituída como matriz, foi o edifício provavelmente ampliado para adaptar-se à nova função. O rápido crescimento da população do arraial de Antônio Dias que, em 1711, passara a fazer parte da recém criada Vila Rica, exigiu a construção de um novo templo. Assim sendo, em 1727 iniciou-se a construção da atual Matriz de Antônio Dias, cujo projeto é atribuído a Manoel Francisco Lisboa. Não é possível compor uma cronologia das obras da Matriz, uma vez que se perdeu a maior parte dos documentos de seu Arquivo, inclusive os livros da Irmandade do Santíssimo Sacramento, administradora da obra. Sabe-se que os trabalhos de construção foram iniciados um ou dois anos antes do que os da Matriz do Pilar, e tiveram um ritmo bem mais lento.

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré

Conforme indica o historiador cônego Raimundo Trindade, a freguesia foi instituída por provisão episcopal em 1710, sendo elevada à categoria de colativa pelo alvará de 16 de fevereiro de 1724. Sabe-se que a construção da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré data da primeira metade do século XVIII, sendo um dos mais antigos templos de Minas Gerais. A edificação é em alvenaria de pedra e apresenta partido retangular. A planta se desenvolve em nave, capela-mor, capela na lateral direita, sacristia e cômodos na lateral esquerda. Possui escada externa de acesso ao coro, em pedra. Na segunda metade do século XIX houve um acréscimo, com construção da Capela do Santíssimo na lateral esquerda. O frontispício original, ameaçando ruir em 1849, foi substituído por outro, em 1860, de aspecto simplificado, principalmente em relação ao suntuoso interior da Matriz.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar

A construção da atual Matriz do Pilar foi iniciada entre 1728 e 1730, e veio substituir o mais antigo templo da Vila dedicado à Virgem do Pilar, construído em madeira e taipa, nos primeiros anos do século XVIII. O projeto é atribuído ao sargento-mor e engenheiro Pedro Gomes Chaves, sendo João Fernandes de Oliveira o arrematante da obra principal. Segundo consta, o próprio governador teria se empenhado pessoalmente na sua construção, cuja administração era de responsabilidade da Irmandade do Santíssimo Sacramento. A construção da nova igreja iniciou-se pela nave, procedendo-se à demolição da capela-mor em 1731, ocasião em que o Santíssimo Sacramento e Imagens foram trasladados, provisoriamente, para a Capela do Rosário dos pretos, filial da Matriz do Pilar.

Igreja Matriz de Santo Antônio em Glaura

A Matriz de Santo Antônio de Glaura teve suas obras iniciadas em torno de 1751, em substituição à antiga de madeira, edificada em torno de 1723 e situada em outro ponto do arraial. Coube à Irmandade do Santíssimo Sacramento a iniciativa de sua construção, através de incentivos da comunidade. Conforme consta no relatório elaborado por Salomão de Vasconcelos, datado de 1946, o principal arrematante das obras foi Tiago Moreira, embora outros oficiais tiveram seus trabalhos documentados a exemplo de Francisco da Costa, Clemente João, Francisco de Lima e Antônio Moreira Gomes, entre outros. Indica ainda o mesmo documento que os retábulos, cuja fatura é atribuída ao mestre entalhador Valério de Souza Romeiro, foram aproveitados da primitiva capela e que o douramento é considerado trabalho do irmão Antônio da Costa.

Igreja Matriz de São Bartolomeu

A povoação de São Bartolomeu remonta aos primeiros anos do século XVIII, sendo sua igreja matriz uma das mais antigas de Minas. O partido arquitetônico filia-se ao das matrizes mineiras da primeira metade do século XVIII, composto por planta em retângulo compacto formado pela nave, capela-mor, sacristia, corredores laterais à capela-mor. A capela lateral e os dois cômodos a ela ligados não integram o corpo retangular da igreja e, sugerem tratar-se de construção posterior. Apresenta torres de seção quadrada e coro acima da nave. Sua construção caracteriza-se pela utilização de dois sistemas construtivos distintos. Assim, a edificação apresenta estrutura autônoma de madeira com vedações de adobe e ainda alvenaria de pedra nos corredores laterais e na sacristia, o que parece indicar etapas distintas de construção ou mesmo a reconstrução ou ampliação do edifício original, a exemplo do ocorrido com a Sé de Mariana.

Igreja Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia

A Irmandade de Nossa Senhora das Mercês foi instituída em Vila Rica entre os anos de 1740 e 1754 e funcionou primeiramente na Capela de São José, onde permaneceu por cerca de 20 anos. Tão logo decidiu a construção do seu próprio templo, obteve a licença eclesiástica em 8 de outubro de 1771, iniciando-se no ano seguinte as obras de construção. Estas foram arrematadas por Henrique Gomes de Brito e embora tivessem evoluído rapidamente, apenas pequena parte da igreja encontrava-se concluída por ocasião da trasladação da imagem de Nossa Senhora das Mercês da Igreja de São José para a nova capela, em fins de 1773. No início de 1774, Henrique Gomes de Brito arrematava a obra nos telhados da nave e, em 1782, o carpinteiro Inácio Pinto Lima foi contratado para fazer o risco do arco-cruzeiro, pregar o forro e assentar os altares. No ano seguinte, o artista Manuel Francisco de Araújo assume a execução de dois dos seis altares previstos.

Palácio dos Governadores

O Palácio dos Governadores foi construído no mesmo local onde funcionou anteriormente a Casa de Fundição e Moeda. Coube ao Governador Gomes Freire de Andrade, em 1735, a iniciativa de mandar adaptá-la à sua nova função. Entretanto, foram realizadas à época apenas algumas obras provisórias de adaptação da antiga construção, ainda em pau-a-pique. A nova edificação, em pedra e cal, tem início a partir de 1741, obedecendo ao projeto encomendado por Gomes Freire de Andrade, ao engenheiro José Fernandes Pinto Alpoim. A obra principal foi arrematada no mesmo ano, com Manoel Francisco Lisboa. O material empregado nas obras, como a pedra de alvenaria, pedra de cantaria, cal de argamassa, mármore Ojô, telhas de barro, dentre outros, procedeu das localidades próximas de Ouro Preto. O término da obra principal deve ter ocorrido por volta de 1747, uma vez que os serviços de pintura foram arrematados naquele ano.

Passo à Praça Tiradentes

Este passo já existia desde a primeira metade do século XVIII, como mostra o "Livro de Receita e Despesa da Irmandade dos Passos", nos documentos alusivos aos pagamentos feitos a Manoel Francisco Lisboa, pela execução dos passos da rua. Localiza-se na praça Tiradentes, esquina da rua Conde de Bobadela, antiga rua Direita do Pilar. Entretanto, numa das primeiras ilustrações da praça, pode-se notar que a porta do passo situava-se na rua Conde de Bobadela, e não como se encontra atualmente, isto é, na Praça Tiradentes. Em 1808, deve ter sofrido restauração ou reconstrução, conforme indica documento existente no Arquivo da Casa do Pilar. No século XX, passou também por restaurações empreendidas pela Prefeitura Municipal de Ouro Preto, supervisionadas pela SPHAN (atual IPHAN), nos anos de 1980 e 1981. O Passo da Praça Tiradentes não tem estrutura arquitetônica autônoma. O cômodo faz parte da residência localizada na esquina da rua Conde de Bobadela. A função de passo pode ser percebida pela porta, que se diferencia das demais pertencentes à casa, por suas proporções superiores. Em seu interior encontra-se um altar de talha simples, parecendo datar do século XIX, e uma imagem pequena do Cristo com a Cruz às Costas, provavelmente do século XVIII. Texto extraído de: SIMÕES, Josanne Guerra, FURTADO, Júnia Ferreira. Ouro Preto Revisitada: roteiro histórico de seus monumentos esquecidos. 1981