Capela de Santana

Situada em uma pequena elevação, na parte baixa da cidade, a capela de Sant'Ana é uma das mais antigas de Mariana. Segundo a tradição oral, sua origem remonta aos primeiros anos do século XVIII. Foi nesta capela que se congregou inicialmente a Ordem Terceira de São Francisco de Mariana, transferida, mais tarde, para seu templo próprio. Diante das lacunas da documentação, não há como apontar a data da construção da capela. Pode-se, todavia, a partir do testamento do padre Matias Fernandes Afonso, datado de 7 de julho de 1744, no qual declarava a sua condição de pároco desta capela há cerca de vinte e quatro anos, concluir que ela já existia, em sua estrutura primitiva, em 1720.

Igreja da Sé

A história da Sé nasceu da primitiva capelinha da Conceição, fundada em 1703 pelo capitão Antônio Pereira Machado. Até esta data, apenas duas modestas capelinhas existiam no antigo arraial bandeirante: a Capela de Nossa Senhora do Carmo, erguida pelo descobridor Salvador Fernandes Furtado e a Capela da Conceição, construída pelo português Antônio Pereira Machado. A primeira, por ser a mais antiga e a padroeira, tomou desde logo os fóros de Matriz. Entretanto, com a criação da Vila do Carmo, em 1712 e a determinação da Coroa para que se erigisse uma matriz, optou-se pela Capela da Conceição por se situar em local mais adequado, proporcionado maior atendimento à crescente população. Em 1713, iniciaram-se as obras de construção no mesmo local da primitiva capela, tendo sido aproveitada para a sacristia, a capelinha existente. Foi encarregado da construção o mestre Jacinto Barbosa Lopes e, certamente, as obras já estavam bastante adiantadas em setembro de 1716, uma vez que os oficiais da Câmara Municipal enviaram ao mesmo um ofício solicitando o término das obras. Essa primeira obra deve ter sido concluída entre 1716 e 1718, ou pouco mais tarde. O que se concluiu, entretanto, por essa época, não foi o edifício tão completo como se vê hoje, mas apenas o da Matriz propriamente dita, que estava naquela época sob a direção da Irmandade do Santíssimo Sacramento e cujas obras, nem mesmo em 1745 estariam ainda finalizadas. Em 1734, a igreja, construída em madeira e taipa, apresentava estado físico precário. Importantes obras de reedificação, compreenderam uma série de trabalhos na nave, fachada e torre foram no mesmo ano arrematadas pelo mestre Antônio Coelho da Fonseca. Quanto aos trabalhos de decoração interna, sabe-se que o douramento do altar-mor foi concluído em 1727 por José Martins e Manuel de Sousa e Silva e o dos altares laterais, em 1741.

Igreja de Nossa Senhora da Glória

Localizado no caminho entre o referido município e o de Ouro Preto, tem sua origem ligada à presença de bandeirantes no local em inícios do século XVIII, quando as primeiras notícias de descobertas de ouro, atraíram para a região levas de aventureiros. A partir de 1729 muitas datas foram concedidas e, em 1819 as terras foram levadas à praça e arrematadas pelo Barão de Eschwege que organizou no local a Sociedade Mineralógica de Passagem, responsável por muitos anos pela exploração das referidas minas. Com o desenvolvimento do arraial, surgiu o primeiro templo denominado Capela de Santo Antônio do Morro, localizado na fazenda de Maximiliano de Oliveira Leite, tendo mais tarde se transformado em capela particular. A edificação de uma nova capela em Passagem, dedicada a Nossa Senhora da Glória e filiada à Sé de Mariana, data provavelmente da década de 20 do século XVIII, sabendo-se que sua construção dependeu de recursos provenientes de esmolas e outras campanhas patrocinadas pela comunidade local. A atual igreja de Nossa Senhora da Glória veio substituir a primitiva capelinha de pau-a-pique que ruiu em 1755, cabendo à comunidade de fiéis a iniciativa de reconstrução do seu prédio. A primeira referência ao reinicio das obras da nova capela em pedra e cal data de 25 de abril de 1772, quando é concedida ordem para sua reedificação. Diante da inexistência de documentação, desconhece-se a data de conclusão das obras. Parece, entretanto, que a nova matriz já estava concluída em princípios do século XIX, pois, nas observações feitas por viajantes que passaram pelo local por essa época, não existe qualquer menção a serviços na capela.

Igreja de Nossa Senhora das Mercês

Coube à Irmandade de Nossa Senhora das Mercês, constituída formalmente por Provisão de 16 de maio de 1787, a iniciativa da construção da igreja. Existe, entretanto, controvérsias entre os historiadores com relação a dados para possível esclarecimento da data de início das obras. Cônego Raimundo Trindade indica a data de 28 de janeiro de 1769 para a provisão de benção da igreja, enquanto Salomão de Vasconcelos aponta o ano de 1787 para o início das obras. Provavelmente, a exemplo do ocorrido com outras igrejas mineiras do período, tenha existido anteriormente uma capela da Irmandade, verificando-se mais tarde a edificação da igreja definitiva. A inexistência de elementos documentais, impossibilita também o devido esclarecimento sobre a autoria do projeto e das obras de construção. Embora dada como construída em fins do século XVIII, o que parece ser justificado pela solução adotada em seu frontispício, é constituída, entretanto, na sua parte principal, por estrutura em madeira e taipa, recursos construtivos já abandonados nas construções religiosas daquele período.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Instituída em Mariana desde 1751, a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo reunia-se primitivamente na Capela de São Gonçalo, enquanto aguardava a necessária licença para construir o seu próprio templo. Em 1759, iniciou-se a construção de uma capela provisória, bastante simples, em taipa e com apenas uma torre central na fachada, sob a invocação do menino Deus, cujas obras já se encontravam praticamente concluídas no ano seguinte. A construção do templo definitivo teve início em 1784, embora a licença régia tenha sido concedida a 7 de janeiro de 1789, sendo as obras ajustadas com o mestre pedreiro Domingos Moreira de Oliveira, construtor de São Francisco de Assis de Ouro Preto. Consta no Livro de Receita e Despesa da Ordem do Carmo, um pagamento, em 1782, a Manoel da Costa Athaíde por serviço realizado, sem especificação do mesmo. Observa-se, entretanto, que naquele ano as obras da capela definitiva não tinham sido ainda iniciadas. Em 1793 já se fazia a cobertura da capela-mor e trabalhava-se no frontispício, tendo sido contratados José Meireles Pinto para execução da talha da porta principal, e Sebastião Gonçalves Soares para a execução de dois anjos que enquadram a cartela sobre a portada, formando um conjunto escultural em pedra-sabão. O risco do retábulo-mor, de autoria do Reverendo Félix Antônio Lisboa, meio-irmão do Aleijadinho, data de 1797, sabendo-se que a talha foi executada entre esta data e 1819, sendo o douramento realizado por Francisco Xavier Carneiro, discípulo de Manuel da Costa Athaíde, em 1826. É também de sua autoria a pintura do teto da igreja como, ainda, o douramento dos altares laterais, ajustados em 1826. A cobertura do corpo da igreja só se realizou em 1800 e no ano seguinte foram dadas como concluídas as obras, incluindo frontispício, torres redondas e presbitério, arrematadas pelo capitão Francisco Machado da Luz. O marco final das obras de construção se dá, entretanto, com a instalação dos relógios das torres, em 1835. Germain Bazin considera a Igreja do Carmo um dos últimos belos exemplares do rococó em Minas.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário

É desconhecida a história da capela de Nossa Senhora do Rosário, localizada em Santa Rita Durão, distrito de Mariana, a 40 km da sede urbana. Tudo indica, a julgar por seu sistema construtivo, que seja da primeira metade do século XVIII. Para Germain Bazin, entretanto, a construção do monumento data possivelmente da segunda metade do século XVIII, conservando as características do estilo sóbrio de 1720. A capela de Nossa Senhora do Rosário possui estrutura independente de madeira, com vedação em adobe e pau-a-pique, o que a aproxima bastante da igreja de Nossa Senhora da Conceição de Sabará.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

A iniciativa da construção coube, conjuntamente, às Irmandades do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia, confrarias de pretos que anteriormente tinham sua sede na chamada Capela do Rosário Velho, hoje de Santo Antônio. A hegemonia do empreendimento foi, entretanto, da Irmandade do Rosário, cuja pedra fundamental da igreja foi lançada a 14 de maio de 1752, em solenidade oficiada pelo bispo Dom Frei Manuel da Cruz. As obras de pedra, ou de construção propriamente dita, foram arrematadas pelo mestre José Pereira dos Santos, em 23 de maio de 1752, supondo, Cônego Trindade, tratar-se do mesmo José Pereira dos Santos, autor da Igreja de São Francisco da mesma cidade. A bênção da igreja ocorreu a 21 de dezembro de 1758, o que significa que estava apta para o culto. Os trabalhos de carpintaria prosseguiram, no entanto, até 1764, mas com o falecimento do arrematante da obra de carpintaria, mestre Sebastião Martins da Costa, naquele ano, antes da conclusão das torres, a construção de novas grimpas para as mesmas, verificara-se muito mais tarde, através da contratação dos serviços com Manuel Francisco Damasceno e Francisco Machado de Jesus, em 1814. As obras de talha do altar-mor, contratadas com Francisco Vieira Servas a 21 de janeiro de 1770, foram concluídas em 5 de março de 1775.

Igreja de São Francisco de Assis

Coube à Ordem Terceira de São Francisco a iniciativa da construção de sua própria igreja, através de licença concedida por D. Frei Manuel da Cruz, em 1761. A capela foi iniciada em 1762 e obedeceria ao risco de autoria do Padre Ferreira da Rocha, executado naquele ano. Entretanto, esse não foi o risco realmente adotado, tendo sido substituído ainda no mesmo ano, pelo do arquiteto José Pereira dos Santos. As obras de alvenaria ficaram sob a responsabilidade de José Pereira Arouca. Em fins de 1763 foi colocada a pedra fundamental. Em 1777 estavam concluídas a capela-mor, a sacristia e a casa do noviciado, quando se deu a benção da nova capela e realizou-se a primeira missa no dia 6 de dezembro. Em 1783 deliberou-se fazer novo frontispício e torres, bem como modificação no arco do coro. Em 1790 as torres já deviam estar concluídas, uma vez que naquele ano o Bispo de Mariana sagrou o sino grande, dando-lhe o nome de "Francisco da Conceição". As obras se arrastaram ainda por alguns anos, visto que em 1793, o Irmão Miguel Teixeira Guimarães faz a entrega da capela-mor, sacristia, noviciado, corredores e, em 1794, foi feito pagamento a José Pereira Arouca da parte mais importante da construção. Depois dessa data, ocorreram trabalhos de pintura. Sabe-se que além do conhecido empreiteiro José Pereira Arouca, trabalharam na capela de São Francisco alguns notáveis artistas, como Manuel da Costa Athaíde e Francisco Vieira Servas.

Igreja Matriz de Bom Jesus do Monte

A Igreja Matriz de Bom Jesus do Monte foi construída em 1745, em substituição à primitiva capela. Em 1767, a sacristia e a capela-mor foram reedificadas e, nos anos seguintes, ali trabalhou o renomado construtor marianense José Pereira Arouca, conforme indica documento datado de 1782, no qual a Rainha D. Maria I manda pagar ao empreiteiro por obras realizadas na igreja. O corpo principal (nave) e as torres da igreja são construções posteriores, presumivelmente do início do século XIX.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Esta igreja é considerada uma das mais antigas de Minas, sendo tradição de que foi construída por volta de 1707. Pertence ao grupo típico de antigas matrizes mineiras de princípios do século XVIII, tendo o término de sua construção ocorrido, provavelmente, próximo de meados daquele século. Erguida no alto de uma colina, apresenta adro cercado por murada de pedra e escadaria à frente que leva a um belo cruzeiro também de pedra, colocado em um ponto mais baixo, constituindo um conjunto original dentro da implantação urbana de Minas Gerais do século XVIII.

Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré

:Santa Rita Durão, antiga Inficionado, teve sua matriz construída pelo sargento-mor Paulo Rodrigues Durão, cuja benção se deu a 28 de maio de 1729. Entretanto, informa Germain Bazin que o templo atual não é o primitivo, acrescentando que o Livro de Receita e Despesa da Irmandade do Santíssimo Sacramento, faz alusão aos trabalhos executados na segunda metade do século XVIII, por Domingos Francisco Teixeira. Consta que se concedeu licença para reedificar a capela-mor em 1779, tendo sido dadas as condições e orçamento para essa reedificação em 1780, pelo conhecido construtor José Pereira Arouca Sabe-se que Domingos Francisco Teixeira executou toda a obra de carpinteiro e de pedreiro pertencente a esta Irmandade até 1794, ano em que ainda ali trabalhava. Trata-se de uma construção mista de madeira, adobe e taipa. O frontispício tem a composição habitual, com duas torres sineiras, cobertas com telhados piramidais, curvilíneos, com esfera armilar, cata-vento

Igreja Matriz de São Caetano

Igreja Matriz do arraial de São Caetano, hoje Monsenhor Horta, distrito de Mariana, teve sua construção iniciada em 1730, por iniciativa da Irmandade do Santíssimo Sacramento. Parcialmente concluída em 1742, suas obras e trabalhos de decoração se estenderam ao longo dos séculos XVIII e XIX. Chama a atenção o fato de, em local de população tão pobre, se ter construído um templo bem opulento, com seu interior ricamente decorado, por talhas douradas, em cuja construção se empregaram artistas e artífices diversos de esmerada mão-de-obra. A planta organiza-se segundo o esquema típico das construções da primeira metade do século XVIII, com nave e capela-mor ladeadas por corredores e sacristia localizada em sua parte posterior. Lateralmente à capela-mor, em um dos corredores, encontra-se a Capela do Santíssimo, certamente instalada em época posterior à construção. O aspecto externo da Matriz de São Caetano é simples, sem especial valor artístico.

Seminário Menor e Capela de Nossa Senhora da Boa Morte

O Seminário Menor, também conhecido como Seminário de Nossa Senhora da Boa Morte, é a casa de instrução mais antiga de Minas Gerais. Sua criação deveu-se a preocupação do primeiro Bispo de Mariana, D. Frei Manuel da Cruz, com a carência de um estabelecimento para o ensino de humanidades em sua diocese. O conjunto de edificações do Seminário da Boa Morte veio substituir, após as necessárias obras de adaptação e ampliação, o imóvel de propriedade particular conhecido como Chácara da Intendência, adquirido pelo Bispo de Mariana, para instalação do referido estabelecimento, cuja criação foi autorizada por D. João V, em ordem régia de 12 de setembro de 1748. A Provisão de sua fundação traz a data de 20 de dezembro de 1750.