Conjunto histórico, arquitetônico e paisagístico

Com o objetivo de proteger o território ao sul de Mato Grosso, foi fundado, em 1778, um povoado às margens do rio Paraguai, denominado de Albuquerque e, mais tarde, recebendo o nome de Corumbá. A princípio teve a função de ser um posto avançado para abastecer o Presídio de Coimbra e o Forte do Príncipe da Beira, sendo também considerado um centro de influência na zona entre os pantanais e a região do Chaco. Entretanto, o declinio da mineração na região levou a uma precariedade econômica, agravada pela Rebelião Cuiabana, deixando o povoado em estado de miséria e abandono até o século XIX. O pequeno aldeamento de Corumbá só veio receber atenção, por volta de 1850, em função das relações diplomáticas do Brasil com o Paraguai, pois o Império e o Governo da Província tiveram que se voltar para os problemas na fronteira sul do Mato Grosso, estabelecendo uma ação governamental que determinou a livre navegação do rio Paraguai e, conseqüentemente, levantou a economia da região. A expansão do comércio portuário e a ação do mascate fluvial na zona pantaneira proporcionaram um acúmulo de capital, caracterizado na imponência das casa comerciais, nos prédios urbanos e no crescente prestígio político do comerciante. Em 1862 a povoação foi elevada à categoria de Vila. Após a Guerra do Paraguai (1864-1870 ), Corumbá estava devastada, mas ainda mantinha o seu porto, o que veio favorecer a sua rápida rearticulação. Entretanto, apesar do crescimento comercial de Corumbá, esta apresentava graves problemas de infra-estrutura urbana, tais como transporte de mercadorias, abastecimento de água potável, saneamento e saúde pública, além de apresentar um alto custo de vida para a população local, que era em menor número que os estrangeiros. Os poucos projetos e investimentos voltados para esses problemas foram realizados mediante o interesse pessoal de comerciantes, que detinham o poder através do movimento importador-exportador. Foi realizado um plano de grandes avenidas, os traçados em xadrez foram "influência do "urbanismo sanitarista" do século XIX, organizando nas encostas dos barrancos de forma funcional o seu porto - grandes armazéns, embarcadouros, mirantes - símbolo do poder local." (J.P.) ." As casas comerciais multiplicaram-se a partir de 1873, sendo edificadas em sua maioria na rua Delamare, o principal centro nervoso da parte alta da cidade, assim como as residências dos mais bem sucedidos negociantes, havendo dentre eles um grande número de estrangeiros.Todavia, os edifícios para estocagem e armazenagem de maior porte foram sendo construídos na rua do Porto, às margens do rio Paraguai, próximos da Alfândega de Corumbá. Os primeiros anos do século XX, marcaram Corumbá como um período de crescimento demográfico em função da alta rotatividade de negócios, gerando muito capital para os seus empreendedores. Essa classe do "grande comerciante dos portos" só teve seu poderio derrubado em meados do século, com a conclusão da ligação rodoviária Campo Grande-Cuiabá. Esse declínio acarretou um processo de decadência em grandes proporções, indicado no progressivo abandono do Casario do Porto.

Forte Coimbra: conjunto de edificações

O núcleo original do forte, o Presídio de Nova Coimbra, foi construído, em 1775, para a defesa da fronteira portuguesa com a América espanhola (atuais Paraguai e Bolívia). A sua localização às margens do médio Paraguai foi importante para facilitar o acesso e conseqüente povoamento da região. Até 1872, teve importante papel na defesa das fronteiras. Em 1983, houve o planejamento da implantação do Projeto Parque Histórico-Turístico Forte de Coimbra. Trata-se de uma construção em formato irregular, devido a sua localização, instalada sobre um barranco às margens do Rio Paraguai. Compondo o conjunto de edificações temos: uma capela, uma casa de pólvora, um alojamento, pátios internos e a muralha com os baluartes. Há alguns canhões de Marinha no local.