Capela de São José da Quinta das Laranjeiras

Originalmente, a Capela de São José integrava a Quinta das Laranjeiras, situada no final da Rua Grande, cujo primeiro proprietário, o português José Gonçalves da Silva, foi o maior comerciante do Maranhão durante o período colonial. Na Quinta das Laranjeiras existia, primitivamente, um oratório privado na casa-grande; em 1811, José Gonçalves da Silva resolveu construir uma capela pública, com entrada pela rua, para o que pediu autorização ao bispo D. Luís de Brito Homem, já instituindo, no mesmo documento, que seu corpo deveria ser enterrado na capela. Em 17 de abril de 1811, foi-lhe passada a licença, tendo durado a construção cerca de cinco anos. A Capela de São José das Laranjeiras é um belíssimo exemplar da arquitetura religiosa predominante no Maranhão no século XIX, justamente a época de maior opulência econômica do Estado.

Conjunto arquitetônico e paisagístico

O Centro Histórico de São Luís é formado de conjuntos homogêneos de arquitetura civil, remanescentes dos séculos XVIII e XIX, quando o Estado do Maranhão teve participação decisiva na produção econômica do Brasil como um dos grandes exportadores de arroz, algodão e matérias-primas regionais. Nesta época, São Luís foi considerada a quarta cidade mais próspera do Brasil, depois de Salvador, Recife e Rio de Janeiro. O conjunto delimitado estritamente pelo perímetro do tombamento federal (cerca de 1000 edificações), possui imóveis de valor histórico e arquitetônico, a maioria civil, com construções do período colonial e imperial com características peculiares nas soluções arquitetônicas de tipologia, revestimento de fachadas e distribuição interna.

Fábrica Santa Amélia

O prédio onde funcionou a Fábrica Santa Amélia abrigou, primeiramente, a fábrica da Companhia de Lanifícios Maranhense, instalada em 1892. Com a falência desta, a fábrica e o maquinário foram arrematados em leilão, por Cândido José Ribeiro, em 1902 e, somado à Fábrica São Luís, passou a constituir o "Cotonifício Candido Ribeiro". A fábrica funcionou por 64 anos, sendo fechada em 1966, tendo grande importância no processo de industrialização do Maranhão, iniciado em meados do século XIX, produzindo inclusive para exportação.

Fonte das Pedras

Foi construída pelos holandeses no século XVII, sendo modificada, em 1832, pelo engenheiro maranhense José Joaquim Lopes que traçou a forma atual da fachada, em estilo colonial português, e um tanque para escoamento das águas das bicas. A Fonte das Pedras está ligada a dois fatos históricos maranhenses: a expulsão dos franceses, em 31 de outubro de 1615, pelo comandante português Jerônimo de Albuquerque e suas tropas que ali acamparam antes de expulsar os invasores franceses chefiados por La Ravardière, na Fortaleza de São Luis; e a invasão holandesa, em 1641, ocasião em que suas águas foram canalizadas pelos batavos. Em 1762 estava em ruínas. A reconstrução da Fonte das Pedras com as características que até hoje conserva - frontão de alvenaria, calçamento, galerias subterrâneas, bicas e carrancas em lioz português - deu-se no período de 1819-1822, durante o governo de Bernardo da Silveira Pinto da Fonseca.

Fortaleza de Santo Antônio

Erguida aproximadamente em fins do século XVII, na faixa de terra próxima ao canal de entrada da barra do porto de São Luis, antigamente chamada de Ponta de João Dias. Construída em caráter temporário, suas obras são retomadas em 1691, mas, sem mão-de-obra e material adequados, em 1755 já se vê em ruínas. Não se sabe a data em que o forte foi transformado em obra de fortificação permanente porém, em 1870, já estava cercado por uma muralha de pedra, com terrapleno calçado de pedra e plataforma de lajes de Portugal. Em 1824, o tenente de artilharia Manuel Joaquim Gomes liderou revolta contra o Presidente Bruce. Formou um pequeno governo denominado " Junta Temporária " e se instalou na fortificação. O motim durou pouco, sendo logo abafado pelos fogos dos fortes de São Luis e São Marcos.

Palacete Gentil Braga

O edifício foi construído no início do século XIX (1820), com características "coloniais", sofrendo influência diversas que resultaram no seu ecletismo. Na fachada externa os vãos tem arcos em linha gótica. As bandeiras destes vãos denotam uma influência barroca, com um belo trabalho em madeira e vidro, formando vitral. As paredes, entretanto, traduzem bem a linha colonial portuguesa, com seu revestimento em azulejos 13 x 13 cm. O pátio interno tem "varanda" servindo de acesso para os cômodos, com barra de azulejos policrômicos portugueses, representando chineses. O prédio apresenta também, como característica marcante, um mirante em torre (um dos dois únicos do gênero). As escadas são em cantaria e o piso é intercalado em madeira e cerâmica. Foi residência do escritor Gentil Braga e do primeiro vice-cônsul inglês no Maranhão, John Heskett. "Interessante exemplo da rara beleza policromática de paredes recamadas com azulejos portugueses" (M. Alfredo V. de Lima).