Igreja de Almofala; Igreja de Nossa Senhora da Conceição

As terras onde se localiza o povoado de Almofala, entre os rios Aracati Mirim e Aracati-Açu, foram doadas através de Carta Régia do Governo Português, datada de 08/01/1697. A medida tinha como objetivo a fixação dos indíos Tremenbé. A Igreja de N. Sra. da Conceição foi erguida no século XVIII, substituindo a anterior capela de taipa com cobertura em madeira. Presume-se que parte dos materiais utilizados na construção, veio da Bahia, por mar, desembarcando no porto de Aracaú, e seguindo deste em carros-de-boi, até o local da construção.

A igreja foi soterrada pela areia em 1897, tendo início nessa época, a formação de uma duna em torno da mesma, acabando por cobrí-la por completo. Em 1898, o Bispo da Província do Ceará, Dom Joaquim José Vieira, autorizou a retirada dos objetos de culto de seu interior, transferindo-os para a capela de N. Sra. dos Navegantes, em Itarema. Passados mais de quarenta anos, os ventos a descobriram, revelando a estrutura de alvenaria. Em 1944, as imagens retornaram ao templo.

Uma reforma foi realizada em 1947, pela população local. A igreja foi tombada pelo SPHAN, em 1980, levando-a uma restauração da mesma em 1983. Na época do reaparecimento do templo, Carlos Drummond de Andrade escreveu uma crônica entitulada: "Areia e Vento". Segundo o arquiteto Cyro Correia de Oliveira Lima "o edificio é um exemplo muito característico do barroco latino americano pela simbiose de detalhes eruditos - como o desenho da torre - com arremates de feitura popular - como as volutas rampantes do frontão" (1). A construção foi realizada em tijolos, argila e cal, acrescido com búzios colhidos no litoral.

A igreja possui frontão triangular decorado com volutas e possuindo um nicho para imagem em seu centro. O frontão é ladeado por dois pináculos. A porta principal, assim como as janelas do coro, possuem formato retangular, com ombreiras e vergas em pedra. Há duas portas secundárias no lado esquerdo e direito da fachada principal, as quais são em arco abatido, possuindo ombreiras e vergas decoradas.

Do lado esquerdo há outro frontão com decoração semelhante ao vão onde se localiza a sineira, no lado oposto. A torre possui formato retangular, até a sineira e sua parte superior possui cúpula circundada por pináculos, em formato octagonal. As fachadas laterais possuem janelas em arco abatido. A igreja possui, como compartimentos, a nave; a capela-mor; um corredor lateral, de cada lado da nave; a sacristia; além do acesso à torre. O coro é feito em madeiramento com balaustrada.

A divisão entre a nave e a capela-mor é feita por um arco apoiado por colunas e ladeado um outro arco de cada lado do principal, os quais formam os altares laterais, os quais possuem três nichos em arco pleno tendo ombreiras decoradas e encimados por volutas. Os vãos de acesso entre a nave e os corredores laterais tem formato retangular. Entre as imagens sacras temos: N. Sra. da Conceição; N. Sra. do Rosário; S. José S. Miguel. Há reprodução de plantas no inventário existente no Arquivo do IPHAN. (1) In: Revista SPHAN/Pró-memória, n. 2; janeiro/fevereiro 1983, pág. 33; citando a mesma revista n. 05, pág.06.