Asilo D. Pedro II

Solar urbano da primeira metade do séc. XIX, que embora possua um tratamento neoclássico, segue a linha dos grandes palácios e urbanizações barrocas européias. O edifício do Asilo, considerado a maior casa de residência conhecida na cidade, é constituído de um bloco em três lances: um central e dois laterais, todos ligados entre si com circulação em toda a extensão. A entrada do edifício é precedida de um atrium gradeado, com colunas culminadas por estátuas neoclássicas e jarros de louça da fábrica de Santo Antônio do Porto. Internamente os cômodos são amplos, conservando as antigas dimensões. Destacando-se a capela com altar neoclássico, de meados do séc. XIX, em talha dourada sobre o fundo branco. No primeiro andar do corpo central está o salão nobre, que conserva galeria de retratos a óleo e mesa de jacarandá, estilo D. João V. São visíveis as modificações ocorridas no final do séc. XIX, quando a residência foi transformada em Asilo.

Capela da Ajuda

A igreja atual localiza-se nas imediações da antiga Igreja d'Ajuda, primitiva Sé de Palha do Governo de Tomé de Souza. O projeto foi desenvolvido pelo arquiteto italiano Júlio Conti, sendo inaugurada em 1932, em estilo neo-gótico manuelino. Internamente a igreja está decorada com pinturas em suas paredes e forros. Estas pinturas foram executadas pelo professor Oreste Sercille com o auxílio do seu filho Bruno.

Capela de Nossa Senhora da Escada

A capela foi construída por Lázaro Arévolo, em terras de sua propriedade, sendo doada aos jesuítas em 1572. Implanta-se a capela sobre uma pequena colina voltada para o mar, à margem do acesso ferroviário da Av. Suburbana, ao norte da cidade. Construída em alvenaria de pedra e tijolo, a capela possui alpendre, nave, coro, capela-mor, sacristia e sineira em arco localizada ao lado da epístola. Sua planta é uma transição das antigas capelas rurais - de espaço único - e aquelas de partido em "T", que justapõem sacristia e consistório à capela-mor. Apresenta nave única e capela-mor e sacristia num corpo que se distingue do restante da edificação.

Capela do Corpo Santo

A capela foi fundada, em 1711, pelo marujo espanhol Pedro Gonçalves em pagamento a uma promessa feita durante uma tempestade em águas da Baía de Todos os Santos. No período entre 1736 e 1756 serviu de matriz da Freguesia da Conceição da Praia enquanto se construía a atual igreja matriz. A planta é do tipo arcaico, encontrado na arquitetura religiosa rural, com nave e capela-mor formando um só corpo de construção, dividido convencionalmente pelo arco cruzeiro. Apresenta um corredor largo ao longo da igreja que funciona como sacristia. Não possui torre, mas a presença de base indica a existência anterior ou projeto.

Casa de Castro Alves

O sobrado foi, provavelmente, construído no início do século XVIII pelo mestre-de-campo Jerônimo Sodré Pereira, que deu nome ao prédio e ao logradouro. Em 1871, morre aí o poeta Casro Alves, cujo pai havia adquirido o sobrado anos antes. O solar desenvolve-se em planta retangular, em torno de um saguão central, partido comum na época. Da mesma forma, o frontíspicio, cujo eixo de simetria é marcado pela portada, é característico da arquitetura deste período, com janelas rasgadas e balcão, no pavimento nobre.

Catedral Basílica de Salvador

A atual Catedral é a quarta igreja e último remanescente do conjunto arquitetônico do Colégio de Jesus. Sua planta é típica das igrejas luso-brasileiras, sendo construída sob projeto do irmão Francisco Dias, chegado à Bahia em 1577 para construir o Colégio. Segundo o projeto, a igreja estaria no eixo do conjunto, ladeada por dois corpos que se organizariam a partir de um pátio. A planta da Catedral apresenta um transepto inscrito no retângulo da edificação e capelas laterais interligadas com tribunas superpostas. A capela-mor é ladeada por duas capelas e corredores que dão acesso à sacristia transversal. Sua fachada, em lioz, procura conciliar o tradicional modelo português, com duas torres e a nova fachada jesuítica com volutas e sem torres, proposta por Vignola. Destacam-se no seu interior, a sacristia, os retábulos de diferentes períodos nas capelas e o forro em caixotão da nave. Quanto ao antigo colégio, um dos pátios é destruído pelo fogo em 1801; instalando-se em 1808, o Real Hospital na ala que restara. Novo incêndio, em 1905, consome o edifício que é reerguido em estilo eclético para abrigar a Faculdade de Medicina da Bahia, a primeira do país, aí instalada desde 1833.

Convento e Igreja de Nossa Senhora da Lapa

Inaugurado em 1744 e destinado às Franciscanas Concepcionistas, o conjunto arquitetônico é formado por convento, igreja, casa do capelão e roça. A entrada do convento é precedida por pátio com a casa do capelão à direita. A construção conventual em alvenaria de pedra, desenvolve-se em torno de um claustro retangular, apresentando mirante na esquina direita - elemento comum em conventos baianos de religiosas - e a igreja na outra extremidade, prolongando-se na fachada. A planta da igreja apresenta nave única e a peculiaridade de ter acesso lateral, "coro baixo" e "coro alto". A torre, de terminação piramidal, situa-se próxima à capela-mor. No seu interior, destaca-se a pintura do forro da nave, em perspectiva ilusionista de origem italiana, sendo atribuída a Querino Veríssimo.

Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo

O conjunto arquitetônico que compreende Igreja e Ordem Terceira foi construído fora dos muros da cidade, indicando um vetor de expansão urbana. O convento tem sua construção iniciada no século XVII e se organiza em torno de dois pátios, estando a igreja situada numa das extremidades do conjunto, contígua à capela da Ordem Terceira. A igreja, embora Carmelita, apresenta planta típica dos jesuítas, com a nave única, capelas intercomunicantes e transepto. Sobre as capelas, tribunas que, no lado sul, ligam-se a uma galeria envidraçada. Sua fachada, em linhas clássicas, é pontuada pela torre com terminação à Mansard que se destaca da grande massa horizontal do convento. O interior da igreja é neoclássico, onde se distingue a sacristia rococó com forro em caixotão. Todo o conjunto tem grande importância na configuração paisagística da cidade.

Convento e Igreja de Santa Teresa

Em 1665, é fundado na Bahia um convento de Carmelitas Descalças, cujas obras são conduzidas pelo Frei José do Espirito Santo, em local onde havia uma pequena igreja dedicada a Santa Teresa, sendo o convento inaugurado em 1686 e a igreja concluída em 1697. O convento desenvolve-se em torno de um claustro quadrado, onde a igreja ocupa um dos lados, sacando em relação ao restante do conjunto. A igreja apresenta plano típico dos jesuítas romanos com transepto e nave de igual altura, cúpula no cruzamento e capelas intercomunicantes. Atribuídos ao Frei Macário de São João, o projeto da igreja apresenta galilé com três arcos, típica das construções beneditinas e franciscanas. O partido de sua fachada, em linhas clássicas, é inspirado no modelo romano de Vignola, sendo um caso único deste tipo de composição antes do final do século XVII, no Brasil.

Convento e Igreja de São Francisco

O convento franciscano é fundado na Bahia em 1587 e destruído quando da invasão holandesa, datando de 1686 o início da construção do atual convento e igreja, sob a administração do Frei Vicente de Chagas. O conjunto é ainda formado pela Ordem Terceira de São Francisco e pelo cruzeiro que lhe é fronteiro. O convento desenvolve-se em torno de um claustro quadrado, ocupado em um dos lados pela igreja e sacristia, e nos demais por celas, destacando-se o conjunto de azulejos de meados do século XVIII que decora as galerias dos dois andares e reproduz, no térreo, as estampas dos Emblemas de Horácio (publicados em 1606, em Antuérpia).

Convento e Igreja do Desterro

Iniciado em 1681, em local onde havia uma pequena igreja e o Hospício do Desterro, então com 05 ou 06 celas, é o primeiro convento de freiras do país. O convento das Clarissas desenvolve-se em torno de dois claustros, inserindo-se a igreja num dos seus lados. A composição arquitetônica é realçada pela torre da primeira metade do séc. XVIII, com terminação bulbosa, situada no corpo que divide os claustros e ainda, pelo mirante - elemento comum nos conventos de religiosas - que aí é empregado pela primeira vez na Bahia.

Fortaleza de São Pedro

Segundo alguns autores, a primeira fortificação do local data de 1624 e teria sido feita pelos holandeses. No ano de 1648, o Governador da Província manda substituir a primitiva trincheira por um forte. Localizado em ponto estratégico, por ser passagem obrigatória de acesso à parte sul da cidade, o Forte de São Pedro juntamente com o Forte de São Paulo da Gamboa exerceram papel importante na defesa da cidade, protegendo-a na parte sul.

Fortaleza do Barbalho

Primitivamente conhecido como Forte de N. Sra. do Monte Carmelo ou do Carmo, este Forte localizado no extremo norte da cidade, juntamente com o Forte de Sto. Antônio Além do Carmo, tinha a função de proteger o acesso norte da cidade. As primeiras notícias datam de 1638, quando Luiz Barbalho Bezerra, manda construir trincheiras neste local com o objetivo de defender a cidade de novas investidas holandesas.

Fortaleza do Monte Serrat

A primeira construção militar existente no local data do período compreendido entre 1538-1587, quando o Forte era conhecido como Forte de São Felipe - denominação que perdurou até o início do séc. XIX. Do seu terrapleno domina-se todo o porto da Baía de Todos os Santos. Possui forma de polígono irregular, com torreões circulares nos ângulos recobertos por cúpulas. Originalmente possuía ponte levadiça entre a rampa e o terrapleno e o corpo da guarda tinha, no térreo, dois quartéis flanqueando a entrada.

Forte da Gambôa

Sua origem está ligada a um plano de defesa da cidade projetado pelo engenheiro francês João de Massé, no primeiro quartel do séc. XVIII, que estende até o mar as obras suplementares do Forte de São Pedro. Estas duas fortalezas, ligadas por trincheiras, fechavam o recinto sul da cidade.

Forte de Santa Maria

ão se sabe exatamente a data de construção deste forte. Pode-se afirmar que, durante a segunda invasão holandesa em 1638, já existiam os três fortes da Barra, sob o regime de comando unificado. Forte em forma de heptágono irregular, possuindo quatro ângulos salientes e três reintrantes, à barbete e a casa de comando com dois pavimentos. Seu desenho é do tipo italiano e sua construção em alvenaria de pedra e cal. A fachada sul da casa do comando é revestida de telhas, tratamento impermeabilizante encontrado em sobrados baianos de todo o período colonial.

Forte de Santo Antônio da Barra

A primeira fortificação existente no local foi construída entre 1583 e 1587. Reconstruída logo em seguida, entre 1591 e 1602, em forma octogonal, a fortificação não resistiu ao desembarque dos holandeses no Porto. Entre 1696 e 1702, o engº João Coutinho dá ao forte a forma atual. O Forte hoje possui forma de decágono, com seus angulos salientes e quatro ventrantes, à barbete, tendo no centro do terrapleno farol luminoso de seção cilíndrica. Seu desenho, como de outras fortificações da Marinha, é do tipo italiano.

Forte de São Marcelo

Forte de planta aproximadamente circular. Sua construção afastada da costa, em 1650, se deve ao receio de uma nova invasão holandesa. Sua função era impedir a entrada ao porto, cruzando fogo com os fortes de S. Francisco, S. Felipe e S. Paulo da Gamboa. Construção iniciada pelo engº francês Felipe Guiton e continuada pelo seu conterrâneo o engº Pedro Garcin.

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco

Em 1635, é fundada na Bahia a Ordem Terceira dos Franciscanos, com sede no Convento do mesmo nome. A primitiva igreja, de 1644, é demolida em 1686 para a construção de um novo templo, sob plano grandioso do mestre Gabriel Ribeiro, sendo este inaugurado em 1703. O edifício forma com o Convento e a Igreja de São Francisco um dos mais monumentais conjuntos arquitetônicos da cidade.

Igreja da Palma

A igreja e convento foram construídos sobre o "Monte das Palmas", uma das primeiras áreas de expansão da cidade, devendo-se a sua edificação, em 1630, a ex-voto feito por Bernardino da Cruz Arraes, que estivera enfermo. O convento, desenvolvido em torno de um pátio retangular, ladeado pela igreja, é iniciado em 1670, posterior à igreja que, nesta época, é ampliada. Pertencente à Ordem dos Agostinhos Descalços, é transferida à Irmandade do Senhor da Cruz, em 1822, com o retorno daqueles a Portugal. Acredita-se que a igreja atual, da segunda metade do século XVIII, obedece basicamente o partido primitivo, com algumas alterações. Com planta em "T", a igreja é formada por nave, sacristia subdividida e acrescidos corredores laterais e tribunas. A fachada tem elementos em estilo rococó, encimada por frontão com volutas e nicho, flanqueada por torre com terminação piramidal. Seu interior é uma transição do rococó e neoclássico, e o teto da nave possui pintura ilusionista barroca, atribuída a Veríssimo de Souza Freitas.

Igreja da Rua do Passo

A Freguesia do Santíssimo Sacramento da Rua do Passo é criada em 1718, sendo a instituição da nova igreja paroquial de 1736. Igreja em alvenaria de pedra e tijolos, possui subsolo (ossuário), térreo (capela-mor e sacristia) e pavimento superior (tribunas e coro). A planta é típica das igrejas baianas do século XVIII, com corredores laterais superpostos por tribunas e sacristia transversal que, neste caso, dá acesso ao ossuário, em nível inferior. Sua fachada tem composição similar aos edifícios religiosos do período, com corpo central encimado por frontão e acesso do tipo arco do triunfo, flanqueada por torres terminadas em frontões curvos e cobertura piramidal. Seu interior é neoclássico, onde destaca-se a pintura do teto, de autoria imprecisa, em perspectiva ilusionista barroca, de origem italiana. A monumentalidade do edifício é realçada pela escadaria que lhe é fronteira que, na encosta, estabelece uma ligação entre dois logradouros situados em cotas distintas. Sua escadaria serviu de cenário para o filme "O pagador de promessa".

Igreja de Nossa Senhora da Barroquinha

As terras para a construção da igreja foram doadas, em 1722, por Manuel Ribeiro Leitão, sendo as obras iniciadas neste mesmo ano. Com a ajuda da população, já no ano seguinte estava edificada a Capela da Confraria de Nossa Senhora da Barroquinha, nome herdado de "barroca" ou depressão, em referência ao sítio no qual se implanta. A igreja possuía dois pavimentos e sua planta se inscreve num retângulo com corredores laterais superpostos por tribunas, partido típico das igrejas matrizes e de irmandade do começo dos setecentos na Bahia. Alguns elementos arcaicos, contudo, eram identificados, como duas capelas simétricas próximas ao arco cruzeiro e abóbodas de berço em tijolo na nave e capela-mor. O segundo pavimento era constituído pelo coro e tribunas. A fachada é ladeada por torres terminadas em pirâmide, recoberta por azulejos e frontão com volutas, sofrendo influência, na composição, da Igreja de São Francisco.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão

Em 1726, a Irmandade de N. Sra. da Conceição dos Homens Pardos, então instalada na Matriz de Sto. Antônio, solicita licença ao Vice-Rei para construir sua capela. As obras têm início no ano seguinte, implantando-se a igreja à meia costa, desenvolvendo seu partido em dois subsolos, térreo e primeiro pavimento. Possui nave, corredores laterais e sacristia transversal ao fundo, comum a suas contemporâneas e na parte superior, galerias coro e sala do consistório. O último sub-solo é transformado em catacumba no século XIX, período também em que se concluem obras no seu interior. Sua fachada, formada por duas torres que enquadram corpo central, culminada por frontão, é típica da arquitetura baiana deste período. O frontão é azulejado e tem volutas e nicho central em forma de concha, sendo encimado por cruz sobre pedestal. As torres possuem óculos e terminação octogonal, com bulbo e pináculos. O interior é neoclássico e o forro da nave em perspectiva ilusionista barroca, de inspiração italiana, atribuída ao discípulo de José Joaquim da Rocha.

Igreja do Pilar

A Irmandade do Pilar é instituída na Bahia em 1718, mas a edificação de sua igreja só tem início em 1756, quando recebe autorização para o desmonte da encosta do terreno - que lhe era fronteiro - visando a construção do adro da igreja. Completa o conjunto arquitetônico o cemitério, edificado em 1799, num nível mais elevado do terreno, em feições neoclássicas. A igreja caracteriza-se por possuir planta alongada, comum na arquitetura mineira, onde os corredores laterais à nave com coro são suprimidos e reduzidos, na capela-mor, a estreitas ligações com a sacristia transversal. Sua fachada apresenta portas e janelas coroadas por frontões retilíneos e curvilíneos sem entablamento, de tendência neoclassicizante, que não vingou na Bahia. O corpo central apresenta, contudo, frontão de tratamento rococó e torre lateral com terminação à Mansard. No seu interior, destaca-se a talha neoclássica e as inúmeras pinturas em tela, atribuídas a José Joaquim da Rocha - séc. XVIII. Destaque também para as pinturas do forro atribuídas a José Teófilo de Jesus.

Igreja do Senhor do Bonfim

A construção deste santuário de peregrinação teve início em 1740 por Teodório Rodrigues de Faria, capitão da Marinha Portuguesa. Situada na única colina da penísula de Itapagipe, a Igreja do Bonfim, está praticamente concluída em 1754, sendo do ano seguinte a fundação da Irmandade. A praça em sua frente é delimitada em dois lados por conjuntos de casa de romeiros, construídas pela Irmandade, no século XIX. A planta da igreja é do tipo comum no início dos setecentos, com nave e coro ladeada por corredores e tribunas superpostas, apresentando capela-mor flanqueada pela sacristia e sala de ex-votos. Em alvenaria de pedra e tijolo, o edifício possui pórticos em arcada ao longo da nave, uma transição entre os avarandados do século XVII e os corredores laterais do XVIII. Sua fachada, praticamente revestida de azulejos brancos portugueses de 1873, possui duas torres em bulbo do final do século passado, quando se dão modificações na frontispício. Seu interior possui decoração neoclássica, onde se destaca a pintura do teto da nave de autoria de Franco Velasco, de 1818/02. É sede de uma das mais tradicionais devoções da Bahia.

Igreja e Mosteiro de Monte Serrat

Grande controvérsia envolve a fundação da primitiva ermida beneditina: para alguns historiadores, esta deve-se a um militar espanhol, no final do século XVI, devoto da Virgem de MonSerrate; para outros, foi erigida pelos senhores da Torre de Garcia D'Ávila, no mesmo período. Sua doação aos beneditinos, em 1609, feita pelos Garcia d'Ávila, ou em 1658, pelo Governador, é outra polêmica em sua história. De 1679 é a construção do mosteirinho. De pequenas dimensões, possui dois pavimentos e avizinha-se à igreja no sentido longitudinal. A igreja apresenta planta de transição entre o tipo nave - capela-mor e o partido em "T", com justaposição de sacristia e consistório à capela-mor, possuindo ainda pequeno coro e púlpito. Similar a muitas capelas rurais da Bahia, sua planta é atribuída ao arquiteto italiano Baccio de Filicara. A torre de terminação piramidal, revestida de azulejos, destaca-se no conjunto de pequenas proporções, assim como o alpendre ou copiar da igreja, reconstruído em 1969 pelo IPHAN, quando se eliminou seu frontão rococó. O altar-mor do séc. XVIII é oriundo da igreja de São Bento, e em 1930, foi mutilado para adaptar-se à capela. Na sua imaginária, destacam-se o São Pedro Arrependido, em barro cozido, de autoria do Frei Agostinho da Piedade e N. Sra. do Monte Serrat, hoje, guardadas no Mosteiro de São Bento.

Palácio Arquiepiscopal

Em 1705, uma carta régia autoriza a construção de uma residência para os arcebispos no Terreiro de Jesus. O terreno é trocado, em 1707, por outro vizinho à antiga Sé, onde havia uma ermida pertencente à Irmandade de São Pedro dos Clérigos, dando-se início às obras que são concluídas em 1715. Solar urbano, desenvolve-se em torno de um pátio central, para onde se abrem duas galerias superpostas, denunciando influência dos palácios renascentistas, ainda que tardia. Possui subsolo e três pavimetnos sobre a rua. Nos pavimentos superiores, dois lados do pátio têm galerias envidraçadas, que devem ter sido varandas. Sua fachada caracteriza-se pelo frontão barroco do tipo usado em palácios e igrejas, no acesso principal. No térreo e primeiro andar as janelas são de peitoril e vergas retas e, no pavimento nobre, janelas rasgadas com balcão e gradil de ferro denunciam a hierarquia empregada no tratamento dos espaços. O edifício ligava-se ainda, à antiga Sé por passadiços elevado que, demolida em 1933, expôs sua fachada lateral, interferindo em sua ambiência.