Casa dos Ouvidores

Da casa do Ouvidor não se tem a data precisa de sua construção, presumindo-se por suas características tipológicas, ter sido edificado no séc. XVII. A tradição oral informa ter sido o monumento, primitivamente, a residência dos jesuítas que fundaram a vila em meados do século anterior, só depois sediando o Poder Judiciário. Situada no sopé da Ladeira da Ajuda, sem edifícios contíguos, possui planta quase quadrada, dois pavimentos mais sótão e disposição típica do período colonial: salões para a rua, o centro ocupado por quartos e alcovas e uma varanda voltada para o quintal, para onde se abre a sala de jantar. Sua peculiaridade é dada pela implantação da cozinha, no nível do sobrado, construída sobre terrapleno. Edifício robusto, com cunhais em argamassa nas extremidades, possui envazaduras singelas, em verga reta com cercaduras de argamassa e, no pavimento nobre, janela do tipo francês. Um telhado de três águas com beira-saveira completa a composição.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Ajuda

No final do século XVI, Matheus de Barros de Aguiar Barriga doa um terreno, no ponto mais alto da zona urbana, onde os jesuítas constroem uma capela. No início dos setecentos, os moradores reconstroem-na, estendendo as obras até o início deste século, quando é erigido o frontispício e a torre. A Matriz da Ajuda apresenta planta típica das igrejas deste período, possuindo nave com coro, corredores laterais recobertos por tribunas e um falso transepto, herança do partido jesuíta. Não tem, contudo, a sacristia transversal, estando esta justaposta à capela-mor, sobreposta pelo consistório. Sua fachada, do início dos novecentos, é do tipo rococó com uma torre terminada em mansarda revestida de azulejos e a outra inconclusa. O acesso principal é encimado por nicho, tendo as portas molduradas de cantaria e folha almofadada. Coroa o corpo central um frontão de volutas.

Paço Municipal

Uma das mais antigas casas de Câmara e Cadeia do estado, foi construída no final do século XVII, às margens do rio Jaguaripe, voltado para a Praça da Bandeira. Sua volumetria e planta se assemelham àquelas da arquitetura residencial do período. Construída segundo planta retangular com cômodos intercomunicantes, desenvolve-se em dois pisos na frente e quatro no fundo, devido à declividade do terreno. O segundo sub-solo apresenta, ainda que embrionariamente, um elemento que se difundiria no século seguinte, a arcada. No primeiro sub-solo, abaixo do nível da praça, se realizava a feira sendo superposta por um mezanino, de pé-direito reduzido. A cadeia instalava-se neste sub-solo e no térreo, também ocupado por serviços administrativos. Ao pavimento nobre destinavam-se a Sala da Câmara e serviços afins. Edificação robusta, onde predominam os cheios em relação aos vazios, é delimitada por cunhais, cobertura em quatro águas com beira-saveira no frontispício e cornija nas demais fachadas. As envazaduras são simples, em arco abatido na sua maioria, tendo no último andar, balcão com gradil de ferro forjado. Sua implantação e volumetria tornam-no um elemento de referência na paisagem, avistado a grande distância.