Forte de São Lourenço

Situado no extremo norte da ilha de Itaparica, no local conhecido antigamente como Ponta da Baleia, em área estrategicamente importante por impedir o desembarque no único porto natural da ilha. A primeira construção data de 1647, durante a invasão holandesa, quando estes ocuparam a ilha e constroem um forte de quatro redutos. Ao se retirarem para Recife os holandeses arrasam com o forte. A construção atual data de 1711 e foi mandada construir pelo Governador Lourenço de Almeida. Construção em terrapleno contido por muros de arrimo de alvenaria de pedra, cujo acesso se faz por túnel em rampa. A planta octogonal possui seis ângulos salientes e dois reintrantes. O antigo quartel da guarnição e a prisão são recobertos por abóbadas de berço.

Igreja de São Lourenço

De acordo com Ubaldo Osório em "A Ilha de Itaparica", a igreja teria sido construída em 1610. Construção de alvenaria mista de pedra e tijolo, desenvolvida em nave única, com corredores laterais sem tribunas, sendo recoberto por telhado de telha-vã de duas águas, com terminação do tipo beira-seveira. Este edifício apresenta planta de transição entre as capelas rurais de partido em "T" e as igrejas Matrizes e de Irmandade do início do séc. XVIII. Preserva ainda um alpendre do lado direito que serve de vestíbulo ao corredor lateral. O copiar foi retirado por volta de 1823. Sua fachada se caracteriza pela presença de uma única e volumosa torre com terminação em pirâmide.

Igreja do Santíssimo Sacramento (Igreja Matriz)

Construída nos fins do séc. XVIII, a base de cal, pedra e óleo de baleia, pelo Padre Manoel de Cerqueira Tôrres. Podemos observar no teto e nas paredes famosos painéis, pintados por José Teófilo de Jesus, reproduzindo a ceia e os milagres do Senhor.

Igreja Nossa Senhora da Piedade

Construída em 1854. Esta pequena capela era nincho na era da independência, para ela se voltaram todas as preces das mães aflitas e toda a esperança daqueles pescadores humildes que foram prenomes na nossa liberdade. Nossa Senhora da Piedade é a Padroeira de Itaparica.

Conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico

A Ilha de Itaparica situa-se na Baía de Todos os Santos e de sua ocupação se tem notícias desde os primeiros tempos da colonização portuguesa. Os primeiros assentamentos indígenas foram dando lugar aos engenhos de açúcar, grande riqueza do Recôncavo Baiano no período colonial. Sua posição estratégica tornou-a alvo de inúmeros invasores que pretendiam a conquista da cidade de Salvador, a capital da Colônia, e das ricas vilas de Maragogipe e Cachoeira, cujo acesso se fazia pelo rio Paraguassú, o que fez com que a ilha fosse duramente castigada, tendo seus engenhos incendiados. Isto também explica o grande número de fortalezas em seu território que buscavam, mediante fogo cruzado, impedir o ataque inimigo. O município, que primitivamente se estendia por toda a ilha e Salinas das Margaridas, foi emancipado do de Salvador aos 04.08.1833, e a primitiva vila elevada à cidade em 1890. A parte central da cidade, protegida pelo IPHAN, localiza-se próxima ao mar, no norte da ilha, em trecho conhecido antigamente como Ponta da Baleia, desenvolvendo-se através de uma trama de ruas de desenho irregular, intercalada por praças. O conjunto arquitetônico, apesar das transformações ocorridas ao longo dos anos, conserva suas características originais, destacando-se pela uniformidade dos muitos edifícios de um só pavimento, com janelas e portas de vergas retas ou curvas. Os sobrados são em pequeno número, o que ratifica a escala horizontal do conjunto, onde se sobressai a Matriz do Santíssimo Sacramento por sua volumetria avantajada. Outros pontos de destaque na paisagem são a Igreja de São Lourenço, de pequenas dimensões e o Forte de mesmo nome, à beira-mar, realçado por pequena praia com frondosos tamarindeiros.