Capela da Ajuda

Entre 1595 e 1606, o capitão Álvaro Celestino Adorno levanta, numa colina, uma ermida consagrada a Nossa Sra. do Rosário, que é reedificada em 1673, em pedra e cal, pelo seu bisneto, João Rodrigues Adorno, sendo no ano seguinte elevada à matriz. Com a construção da nova matriz, esta é entregue à confraria de São Pedro dos Clérigos, cuja extinção provocou seu abandono. Em 1872, os músicos da cidade sediam na capela a Irmandade de N. Sra. da Ajuda. O atual edifício está bastante modificado de suas feições primitivas. A capela possuía nártex fechado, que foi substituído por um alpendre aberto, com cobertura em três águas. Sua planta é simples, nave única com coro, capela-mor coberta por cúpula, justaposta por sacristia e sala da Irmandade (do século XIX). A fachada principal é do tipo empena com óculo central e duas janelas, precedidas por alpendre e ladeada por pequena torre piramidal com vãos sineiras. O edifício destaca-se pela singeleza de suas proporções.

Capela de Nossa Senhora da Pena e ruínas do sobrado

A capela e as ruínas do Engenho Velho implantam-se na encosta de uma elevação verdejante, às margens do rio Paraguassú, no local onde existiu um dos primeiros engenhos da região. A Capela de N. Sra. da Pena, de 1660, é constituída de nave e capela-mor, recobertas com cúpulas com extradorso de telhas e duas sacristias laterais de 4 águas. O partido adotado em "T", resulta numa forma inusitada devido às proporções utilizadas na nave. Características renascentistas são identificadas na utilização de uma cúpula de perfil rebaixado recobrindo nave quadrada, mediante transição de "pendentifs" e, ainda, na capela-mor, em forma de ábside semicircular, recoberta por meia-cúpula. Nave e capela-mor são completamente revestidas por azulejos do século XVII, tipo "massaroca", o que confere ao espaço um certo ar oriental, que também se reflete no tratamento volumétrico, tornando-a um edifício ímpar no país. No frontispício, a portada clássica com duas janelas é encimada por espadaña. As ruínas da primitiva casa-grande estão próximas à capela, devendo ser da mesma época de sua construção. No século XIX, a casa-grande já estava arruinada, sendo construído nas proximidades um novo sobrado.

Casa natal de Ana Nery

Nesta casa nasceu Ana Justina Ferreira Nery, pioneira da enfermagem no Brasil, que participou da Guerra do Paraguai. Hoje a casa abriga o Museu Hansem Bahia. Sobrado desenvolvido em dois pavimentos mais sótão. Possui planta em forma de retângulo, que sofreu modificações internas devido aos sucessivos usos. Sua estrutura é constituída de caixa murária de alvenaria mista de pedra e tijolo e pilares internos do mesmo material, que suportam o assoalho superior. Apresenta divisórias internas de pau-a-pique com esteios de madeira de sustentação do trabalho. Este sobrado possui como característica a utilização do pavimento térreo como residência, fato raro para a época da sua construção. Sua fachada apresenta uma predominância de vazios sobre cheios, com vãos arqueados e cercaduras de argamassa.

Casa natal de Teixeira de Freitas

Há informações que a construção do prédio seja de 1795. Sabe-se porém, que a 19/01/1816 nasce no imóvel o jurisconsultor Augusto Teixeira de Freitas, autor da "Consolidação das Leis Civis". O edifício é uma reconstrução de 1962 para a instalação do Forum, em virtude do pavimento ter ruído. Edifício de planta trapezoidal, acompanhando toda a extensão do lote. Possui três pavimentos, sua distribuição espacial interna sofreu alterações, permanecendo apenas a circulação lateral.

Convento do Carmo

O convento teve como fundador o Frei Manuel da Piedade. Em meados do séc. XVIII (1751), uma nova construção substituiu o primeiro convento. No séc. XIX, o prédio do Convento abrigou o Paço da Câmara, a Casa da Moeda, quartel, pensão e hospital. Em 1928 os carmelitas se retiram do Convento. Construído em torno de um claustro simples é formado por 4 galerias compostas de grossos pilares de alvenaria com pequenas cornijas sobre as quais descansam, de cada lado, cinco robustas arcadas de meio ponto. O convento conta com 9 alas, 2 salões, refeitório, cozinha, catacumbas e demais dependências. O frontispício sofreu grandes reformas. Da fisionomia mais antiga resta uma porta alpendrada para a rua e as seteiras de iluminação e ventilação.

Convento de Santo Antônio de Paraguassú

A igreja foi sagrada em 1660, segundo data na portada, mas não concluída, apesar do noviciato já estar funcionando desde 1654. Em 1824, deixou de ser noviciato, sendo posteriormente abandonado e vendido, em 1915, para José Mariano Filho, que removeu os azulejos, lavabo e retábulos. O sítio em que se localiza a igreja e o convento é plano, ligeiramente elevado com relação ao rio Paraguassú. A igreja está recuada, mas uma das alas do convento se estende até o lagamar. Antecede a igreja um cais que se articula com o grande adro murado através de escadaria e terraços. Localizado em um dos terraços está a base do cruzeiro, elemento característico dos Conventos Franciscanos, de base poligonal de arenito, esculpido com máscaras. A igreja, construída em pedra e cal, é envolvida por corredores superpostos e tribunas. Sua planta com sacristia transversal é típica dos franciscanos do Nordeste. Seu frontispício é do tipo escalonado, construído sobre galilé em abóbadas de aresta, e modulado por uma trama de pilastras e cornijas. A torre encontra-se recuada com terminação em cúpula. O interior da igreja possuía barras de azulejos, piso formado por sepulturas com tampa de madeira, forros em gamela e abóboda. Há vestígios de azulejos na galilé e no claustro.

Hospital São João de Deus: capela

O antigo Hospital da Caridade de Cachoeira foi criado pelo frei Antônio Machado de Nossa Senhora de Belém, em 1729. A ordem de S. João de Deus, de Lisboa, recebe-o por doação em 1754, passando à Santa Casa da Misericórdia, em 1826. O atual hospital é da segunda metade do século XIX, mas segue o plano conventual adotado durante a colônia pelas Santa Casas, embora sua fachada seja neoclássica. Desenvolve-se em torno de um pátio, ocupando a capela um dos seus lados. Esta possui nave e um só corredor lateral, sacristia transversal superposta por sala da mesa e tribunas na nave e capela-mor e coro (um segundo coro não chegou a ser concluído). Na sua fachada, notam-se duas filas de janelas de coro superpostas e uma única torre.

Igreja da Ordem Terceira do Carmo

Edifício com estrutura de paredes auto-portantes de alvenaria mista de pedra e tijolo que suportam os assoalhos e telhados. Seu programa é típico das grandes sedes dos terceiros - capela, sala da mesa, claustro e cemitério. O conjunto é recuado em relação ao Convento e precedido de um adro separado da praça por grade de ferro. O claustro é o elemento polarizador do conjunto. A capela é do princípio do séc. XVII e conserva o espirito clássico do século anterior. Sua planta permanece fiel às primeiras capelas jesuíticas - uma só nave e capela-mor. Sua simplicidade externa contrasta com a refinada decoração barroca do seu interior, que é totalmente revestido de azulejos figurados e possui talha dourada de épocas diferentes. A fachada da capela é do tipo templo, com portada em dua ordens de pilastras, sustentando um frontão no estilo de voluta partida.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Construção do séc.XVIII, edificado sobre terreno doado pelo Cap. João Adorno. A construção se prolongou por vários anos, sendo concluída em meados do séc. XVIII. Igreja de nave única, corredores laterais superpostos por tribunas e capela-mor profunda. Seu frontispício rococó, em galilé, avança sobre a rua em contraste com as fachadas sóbrias do convento e da Ordem Terceira. Arrematam a frontaria três frontões rococós, flamejantes, separados por tocheiros tendo a torre recuada. Seu interior foi ricamente decorado, restando muito pouco da decoração original. Pode-se observar os azulejos figurativos encontrados em uma das capelas laterais Sua imaginária encontra-se depositada no Museu da Ordem Terceira..

Igreja do Seminário de Belém

O seminário foi fundado em 1686, próximo de uma aldeia indígena, pelo padre Alexandre de Gusmão, da Companhia de Jesus, sendo a igreja construída na mesma época. Igreja com estrutura de paredes auto-portantes de alvenaria mista de pedra e tijolo. Sua planta consiste em nave única e sacristia transversal, flanqueada por corredores laterais, superpostos por galerias e tribunas avarandadas. Fachada dividida em 3 partes por pilastras, tendo em um dos lados, uma única torre, piramidal, revestida de azulejos e pedaços de louça oriental. A fachada atual, com frontão rococó e 4 janelas rasgadas do coro, são do final do séc. XIX. O rico acervo de imagens e frontal do altar, em mármore com incrustações, pode ser visto no Museu das Alfaias, na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, em Cachoeira.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário

Inicia-se a construção da igreja no final do séc. XVI, sendo os trabalhos prolongados por longos anos. A obra foi custeada pela população local e contou com o auxílio da coroa real. Igreja definida por planta retangular, com corredores superpostos por tribunas e sacristia transversal. Sua estrutura é constituída por caixa de paredes auto-portantes, de alvenaria mista de pedra e tijolo, que suporta os assoalhos e cobertura. O frontispício é do tipo templo, ladeado por duas torres com terminações piramidais, revestidas de azulejos. Seu interior é muito rico, integralmente revestido de azulejos historiados, com mais de 4 m de altura. Forro em abóboda recobrem a nave e capela-mor. A pintura do forro da nave é do tipo ilusionista italiano e teve como artista o pintor José Joaquim da Rocha. Seu acervo compreende numerosas imagens, telas, alfais e sacrário de prata.

Igreja Matriz de Santiago

A Freguesia de Santiago do Iguape, fundada no séc. XVI pelos Jesuítas, é a mais antiga do Paraguassú. A primitiva matriz arruinou-se e foi substituída pela atual, cujo início da construção ocorreu no princípio do século XIX, com as obras se prolongando até o início do séc. XX. Igreja de planta retangular com corredores laterais e sacristia transversal sobre porão. O primeiro andar repete a planta do térreo. O edifício possui estrutura constituída por alvenaria mista de pedra e tijolo. Seu frontispício é muito esbelto, dividido por pilastras de arenito, vazado por cinco portas superpostas pelas janelas do coro, todas com acabamento em estilo D. Maria I. Duas torres bulbosas, revestidas de louça, flanqueiam o frontão recortado. As outras fachadas não foram concluídas. Na capela-mor podem ser encontrado painéis de azulejos semi-industriais, azuis e brancos.

Paço Municipal

O prédio atual possui a feição das reformas ocorridas em 1789. Neste prédio, D. Pedro I foi aclamado Regente e Defensor do Brasil, em 1822. Durante a Sabinada foi sede do Governo Legal da Província. Casa de Câmara e Cadeia, com elementos característicos desta tipologia no recôncavo. Construído sobre terrapleno que domina a praça da Aclamação, o edifício possui planta retangular que se articula com a praça através de escadaria de pedra, em forma de tronco de pirâmide. O prédio é edificado em 2 pavimentos. No térreo localizam-se as celas da cadeia e um pórtico, de onde nasce a escada de acesso ao sobrado. No primeiro pavimento além das instalações da Câmara existem duas salas que serviam como cadeia a presos ilustres. As fachadas se caracterizam pelo predomínio dos cheios sobre os vazios e pela distribuição irregular dos vãos. As janelas são protegidas por caixilharia em guilhotina ou robustas grades de ferro - cadeia . Na frontaria existem balcões com guarda-corpos de serralharia do séc. XIX. O sobrado é forrado e conserva no seu interior telas dos artistas José Couto e Antônio Parreiras.