O major de milícias e intendente da polícia Miguel Nunes Vidigal, de grande influência no Primeiro Império, recebeu dos monges beneditinos em 1820, extensas terras que iam das encostas da Pedra Dois Irmãos até o mar, onde construiu a Chácara do Vidigal. Em 1886, seus herdeiros venderam a propriedade ao Engenheiro João Dantas.

O acesso à área se dava pelo tortuoso caminho da Chácara do Céu, que vinha do Leblon. Só em 1913, o Professor Charles Armstrong aproveitou o leito abandonado do projeto cancelado de uma ferrovia litorânea, para servir de caminho ao seu Colégio Anglo-Brasileiro no Vidigal. Em 1919 o Prefeito Paulo de Frontin alargou e prolongou o Caminho de Armstrong criando a panorâmica Avenida Niemeyer, em homenagem ao Comendador Conrado Jacob Niemeyer. Nela, em 1922, foi construído o Viaduto Rei Alberto sobre os arcos da Gruta da Imprensa. Em 1968, foi iniciada a construção do Hotel Sheraton junto a Praia do Vidigal.

Os primeiros barracos da comunidade local – então conhecida como Favela da Rampa da Niemeyer - surgiram na década de 1940. Entre 1965 e 1985, a comunidade do Vidigal se expandiu ao longo da Estrada do Tambá e hoje, junto com a Comunidade Chácara do Céu - menor e mais próxima ao Leblon e ao penhasco -, abriga mais de 75% da população do bairro.

No final da década de 1970, o caso do Vidigal se tornou um marco na resistência à remoção de favelas. Em plena ditadura militar, a associação de moradores, com o apoio dos advogados da Pastoral de Favelas – entre eles os juristas Sobral Pinto e Bento Rubião -, conseguiu evitar que os barracos da parte baixa da favela fossem destruídos para dar lugar à construção de empreendimento de alto luxo. Após intensa luta, os moradores conseguiram apoio político e popular que culminou com a edição, em 1978, de decreto de desapropriação da área para fins sociais, assinado pelo Governador Chagas Freitas, que afastou de vez o perigo da remoção. Em 1980, o Papa João Paulo II visitou e abençoou a comunidade.