Localizada na extensa baixada de Jacarepaguá, Vargem Pequena compreende as planícies alagadiças dos campos de Sernambetiba, cortadas pelos canais do Portelo e do Cortado. O bairro estende-se até o Maciço da Pedra Branca, no trecho denominado Serra Alto do Peri e Sacarrão, e abrange a Pedra de Ubaeté, ou Calembá, cuja encosta norte é ocupada pela pedreira “Ibrata”, cuja autorização de funcionamento data de 1o de março de 1973, em área com mais de 50 hectares.

A região era parte da enorme sesmaria de Gonçalo Correia de Sá, proprietário do Engenho do Camorim, dado a sua filha D. Vitória de Sá, em 1625, e, como dote, a seu marido Dom Luiz de Céspedes (governador geral do Paraguai), em 1628. Com a morte de D. Vitória, em 1667, a propriedade seria deixada para os Monges Beneditinos, que dividiram o Engenho do Camorim, criando a fazenda de Vargem Pequena. Lá, em 1766, o padre Frei Gaspar de Madre de Deus construiu a igreja de N. Sra. do Pilar, atual N. Sra de Monte Serrat, tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico, no alto de elevação com bela vista da planície vizinha.

Em 1678, Frei Bernardo de São Bento, monge-arquiteto do Mosteiro de São Bento, traçou a primeira estrada de acesso da região, a “Estrada Velha do Engenho”, que interligava as propriedades dos Beneditinos. Essa estrada teria os nomes de Pavuna, Curicica e de Guaratiba e hoje corresponde à estrada dos Bandeirantes. Em 1710, o Corsário Francês Duclerc passaria pela estrada aberta pelos Beneditinos com seus soldados para atacar a cidade do Rio de Janeiro.

Durante dois séculos, os Beneditinos exploraram a região com a criação de gado, cultivo da mandioca e preparo da farinha, coadjuvantes do cultivo da cana-de-açúcar, que gerava um pólo de cultura açucareira. Com o surgimento do ciclo do café, sítios e chácaras passaram a cultivá-lo intensamente. Em Vargem Pequena se concentrava uma pequena população, composta de sitiantes dos Beneditinos, cuja produção se comprometia com a Ordem, sediada no Centro da Cidade.

Em 1891, todas essas terras da ordem dos Beneditinos foram vendidas à Companhia Engenho Central de Jacarepaguá, sendo repassadas ao Banco de Crédito Móvel. Os lavradores, não reconhecendo o direito do Banco, fundaram a Caixa Auxiliadora dos Lavradores de Jacarepaguá e Guaratiba.

Na década de 1930, ocorreu um aumento da venda de terrenos, e, após 1936, a Empresa Saneadora Territorial Agrícola, de Francis Walter Hime, passou a fazer o saneamento, loteamento, venda e administração da localidade.

De características rurais, com planícies, montanhas, sítios e casas de veraneio, Vargem vem ganhando feições urbanas com o surgimento de grandes loteamentos e condomínios ao sul da estrada dos Bandeirantes, que ocupam as áreas alagadiças em direção ao canal do Portelo. Completam o quadro as comunidades de baixa renda como Palmares e Monte Serrat, um pequeno Shopping Center construído na estrada dos Bandeirantes e empreendimentos ao longo da estrada Boca do Mato, acesso interno da região. Nessa via, a Universidade Estácio de Sá implantou seu curso de medicina veterinária, criado, em 1996, no campus Vargem Pequena.

O bairro possui áreas de lazer voltadas para eventos, eco-turismo e parques aquáticos, destacando-se a Fazenda Alegria, em reserva florestal de 1 milhão de m2, e o Sítio Lagedo com 300 000 m2. Acima da cota dos 100 metros, situa-se o Parque Estadual da Pedra Branca, que abrange a Serra Alto do Peri, o Sacarrão Pequeno (379 m), o Pico do Sacarrão (699 m) e a Pedra Rosilha (472 m).

Capela de Nossa Senhora de Monserrate
Endereço: Estrada dos Bandeirantes, 16.064

Construída em meados do século XVIII em terras da Fazenda de Vargem Pequena de propriedade do mosteiro de São Bento, a capela é dotada de nave única com pequena sacristia à esquerda do altar e batistério junto da entrada. O frontão é ornado com o pilar, símbolo da antiga padroeira – Nossa Senhora do Pilar. Conta o povo antigo do local que, no início do século XX, a imagem de Nossa Senhora de Monserrate, proveniente de uma capela que havia ruído em Vargem Grande, foi abrigada temporariamente em Vargem Pequena. Mais tarde, quando a capela foi reconstruída, a comunidade não quis devolver a imagem.

Desde então a capela assumiu a invocação de Nossa Senhora de Monserrate. Na década de 1950, esta imagem de madeira foi transferida para o mosteiro de São Bento, ficando em seu lugar uma réplica em gesso.