Antes da chegada dos colonizadores, toda a região do bairro de São Cristóvão era um grande alagado, cruzado por vários rios, que se estendia do litoral sinuoso do Saco de São Diogo, em direção norte, até os atuais morros do Telégrafo e do Pedregulho. O acesso era difícil, a não ser por transporte marítimo.

O primeiro caminho terrestre foi o caminho de São Cristóvão, que partia de Mata Porca (atual bairro do Estácio), passava por um alagadiço (atual Praça da Bandeira) e, na altura do morro do Barro Vermelho, fazia uma curva acentuada até alcançar a orla da baía de Guanabara, seguindo daí até o Caju. Hoje, esse trajeto - que cruzava pontes sobre os Rios Compridos, Trapicheiros, Maracanã e Joana - corresponderia às atuais ruas Joaquim Palhares, Ceará e São Cristóvão.

O bairro de São Cristóvão teve sua origem na grande sesmaria pertencente aos jesuítas, que se estendia do Rio Comprido até Inhaúma e que, entre 1572 e 1583, foi desmembrada fazendo surgir três engenhos nas fazendas do Engenho Velho, do Engenho Novo e de São Cristóvão. Seu nome se deve à igrejinha dedicada ao santo erguida pela Companhia de Jesus junto à praia habitada apenas por alguns pescadores. Por ser uma área onde ocorriam muitas inundações, os jesuítas escolheram São Cristóvão para a sua devoção cristã e fundaram, em 1627, a igrejinha que deu lugar, anos mais tarde, à Matriz de São Cristóvão. Naquela época, o mar chegava às suas portas e a igreja era freqüentada por pescadores. Após sucessivos aterros, a orla desapareceu, dando lugar ao norte às indústrias, à Av. Brasil e ao Gasômetro.

Até o século XVIII, a região de São Cristóvão possuía aspecto rural e era destinada à agricultura e à pecuária nas propriedades dos jesuítas, que abasteciam a Cidade. Com a expulsão dessa ordem religiosa (1759) e a vinda da Família Real para o Rio de Janeiro, em 1808, a região foi retalhada e dividida em chácaras, que foram adquiridas por ricos comerciantes. Num morrote a beira mar, ficava a Fazenda de São Cristóvão, erguida no século XVII. Após a expulsão dos jesuítas, sua sede foi reformada e passou a abrigar o Hospital dos Lázaros, atualmente Hospital da Irmandade da Candelária.

O comerciante português Elias Antonio Lopes, cuja propriedade se estendia da orla marítima ao Rio Maracanã, doou, em 1808, sua casa e chácara à Família Real, recém chegada. Neste lugar, a atual Quinta da Boa Vista, se instalaram Dom João VI, Dom Pedro I e Dom Pedro II. São Cristóvão passou então a ser considerado uma área nobre e ganhou novo acesso pelo Caminho do Aterrado ou das Lanternas, que cruzava o Mangue (atual Av. Presidente Vargas).

A Estrada de Ferro Dom Pedro II, inaugurada no segundo reinado, invadiu o bairro, assim como a ferrovia para Petrópolis (depois Estrada de Ferro Leopoldina). Depois chegaram as linhas de bondes, inicialmente de tração animal e logo eletrificadas. Eram as linhas Alegria, São Januário, Cancela, Pedregulho e Bela de São João, que serviam como principal transporte da população. No Largo da Cancela - assim chamado por ter uma cancela colocada pelos jesuítas para a passagem dos tropeiros - começava a antiga Estrada Real de Santa Cruz, que dava acesso ao sertão, a São Paulo e a Minas Gerais.

Com o advento da República, São Cristóvão entrou em decadência e os casarões da monarquia se transformam em cortiços.

Até a década de 1930, destacava-se em São Cristóvão o pequeno comércio feito por portugueses, as vilas e residências modestas. A partir de então, as indústrias tomaram conta do bairro e, incentivadas pelo decreto municipal N° 6000 de 1937, fábricas novas surgiam em diversos pontos. Após a explosão da indústria automobilística no Brasil, São Cristóvão, que já tinha a Avenida Brasil desde os anos 40, passa a ser cruzado por vias expressas e viadutos, o último deles o elevado da Linha Vermelha.

Destacam-se, no bairro, a Quinta da Boa Vista, o Jardim Zoológico, o Observatório Nacional-Museu de Astronomia, o Museu do Segundo Reinado e o Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga no Pavilhão de São Cristóvão. Recentemente, o bairro iniciou uma fase de revigoração e novos empreendimentos imobiliários surgem nos quarteirões.

Em 2007, considerando a importância do bairro na história da cidade e também pela celebração dos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil - que se estabeleceu no bairro, foi aprovado um novo decreto municipal que transformou o nome do bairro em Imperial de São Cristóvão, valorizando seu conjunto arquitetônico e a qualidade ambiental com a preservação de grande área verde.

Casa da Marquesa de Santos
Endereço: Avenida Pedro II, 283

Para instalar Domitila de Castro Canto e Melo, Marquesa de Santos, D. Pedro I adquiriu uma chácara de propriedade do médico Theodoro Ferreira de Aguiar, situada defronte ao caminho principal da Estrada de São Cristóvão, próxima ao Palácio Imperial. Nela mandou construir uma casa, confiando as obras a Pedro Alexandre Cavroé, português por ele nomeado, em 1825, arquiteto das Armas Nacionais e Imperiais. O projeto geral era do arquiteto francês Pedro José Pezerat, seu amigo particular. Da decoração interna incumbiu-se o pintor Francisco Pedro do Amaral. Instalando-se no belo solar, em 1828, a marquesa nele não ficaria por muito tempo: em 1829, após o casamento de D. Pedro com Maria Amélia Augusta Eugênia Napoleona de Leuchtemberg, ela foi expulsa do Rio. Voltando o solar à sua posse, D. Pedro I o doou à sua filha D. Maria II, em favor de quem abdicara da Coroa Portuguesa.

Educandário Gonçalves de Araújo
Endereço: Campo de São Cristovão, 310

Magnífico exemplar neogótico de matriz portuguesa. O estilo, patente na forma dos arcos e nos pináculos exacerbados sobre a cornija, indica a motivação caritativa da construção, evidencia também no relevo com a imagemdo – cordeiro de Deus no frontão. Merecem atenção a delicadeza e contenção decortivas e o apuro de execução.

Escola Municipal Floriano Peixoto
Endereço: Praça Argentina, 20

No mesmo local onde hoje funciona a escola viveu Floriano Peixoto, presidente da República entre 1891 e 1894. A escola, inaugurada em 26 de fevereiro de 1922 possui curiosa planta em módulos octogonais.

Escola Municipal Gonçalves Dias
Endereço: Campo de São Cristovão, 115

Uma das “escolas do imperador”, o impotente prédio foi inaugurado em 25 de dezembro de 1872, com a denominação Escola de São Cristovão. Mais tarde receberia o nome do poeta Gonçalves Dias.

Escola Municipal Nilo Peçanha
Endereço: Avenida Pedro II, 383

Em estilo neoclássico, construído para servir como prédio residencial, sua fachada data época de inauguração da escola, 1910. Na gestão Carlos Sampaio teve sua capacidade ampliada com a reconstrução do segundo pavimento.

Estação Ferroviária São Cristovão
Endereço: Avenida Oswaldo Cruz, 680

Inaugurada em 1859, a então chamada Estação da Quinta Imperial para servir exclusivamente a D. Pedro II, em 1925, seria demolida e recosntruída com aproveitamento de material original, onde se encontra hoje. O prédio apresenta estrutura em alvenaria de tijolo, com cobertura em telha cerâmica francesa sustentada por treliças de madeira.

Estação Ferroviária Barão de Mauá
Endereço: Avenida Francisco Bicalho, s/nº

A estação de Barão de Mauá, cujo nome homenageou, claro, Irineu Evangelista de Souza, pioneiro da ferrovia no Brasil, foi inaugurada em 1926, dezessete anos depois do início das discussões e pedidos de autorização para a sua construção. A linha da Leopoldina começava na estação de São Francisco Xavier, da Central, o que forçava os passageiros à baldeação, devido à diferença de bitolas. A história das idas e vindas para a construção da estação é bastante complicada, mas acabou por gerar uma discussão acerca de se a estação deveria ter sido construída comportando espaço para a linha Auxiliar da Central do Brasil e da Rio de Ouro, as duas também de bitola métrica.

Em 1934, a discussão acabou com a vitória da Leopoldina: a estação só serviria mesmo a ela, visto que o Governo, dono da Central e da Rio de Ouro, não havia cumprido a promessa de também pagar sua parte na sua construção. Entre 1909 e 1926, a Leopoldina utilizou uma estação provisória para o embarque em suas linhas, que haviam sido prolongadas por volta de 1910 até a Praia Formosa. A estação deixou de ser utilizada definitivamente para embarque de passageiros desde o início do século XXI com todos os passageiros sendo transferidos para a estação Dom Pedro II, da antiga Central. Desde então está fechada e abandonada, existindo hoje projetos para a sua transformação em museu e/ou shopping center.

Hospital Frei Antônio (Lazareto)
Endereço: Praça Mario Nazaré

Conhecido como Lazareto. Construído no século VXIII, integrava a fazenda dos padres jesuítas. Expulsos os jesuítas , foi transformado em hospital de lázaros, em 1763, sob a administração da Irmandade da Candelária. Originalmente , ficava à beira-mar, destacando-se na paisagem. Com aterros sucessivos e a construção dos gasômetros à sua frente, perdeu a imponência. Conserva detalhes internos como pátiso, azulejaria e aléia de palmeiras no acesso.

Museu do Primeiro Reinado
Endereço: Avenida Pedro II, 283

Inaugurado em 12 de março de 1979, o Museu do Primeiro Reinado situa-se no bairro de São Cristovão, instalado no palacete que pertenceu à Marquesa de Santos, que ali viveu de 1826 a 1829.Tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional - Iphan, em 1938, o Solar da Marquesa de Santos constitui o principal acervo do museu, guardando, em seus belos salões decorados, lembranças do período colonial.

Museu Nacional da Quinta da Boa Vista
Endereço: Avenida D. Pedro II, s/nº

O palácio que abriga o Museu Nacional desde 1892, foi doado ao príncipe-regente Dom João VI pelo comerciante português Elias Antônio Lopes, em 1818. Depois da queda do Império, foi quartel, escola e sede da primeira assembléia constituinte republicana.

Hoje exibe esqueletos de animais pré-históricos, cerâmicas etruscas, ataúdes egípcios, múmias, armas e objetos indígenas de todo o mundo, minerais e animais taxidermizados. Parte dessa coleção, pertenceu a Dom Pedro II, que era botânico, e à imperatriz Teresa Cristina, arqueóloga. O museu dispõe ainda de um horto de 40mil m2 e uma biblioteca de ciências naturais e antropológicas com 442 mil volumes.

Observátorio Nacional
Endereço: Rua General Bruce, 586

O Observatório Nacional foi criado por D. Pedro I em 15 de outubro de 1827. Entre suas finalidades estava a orientação e estudos geográficos do território brasileiro e de ensino da navegação. Com a proclamação da república, em 1889, o Imperial Observatório do Rio de Janeiro passou a se denominar Observatório Nacional.

O Observatório Nacional - ON, uma das mais antigas instituições brasileiras de pesquisa, ensino e prestação de serviços tecnológicos, foi criado, oficialmente, em 15 de outubro de 1827, mas sua origem é anterior. Segundo o Padre Serafim Leite, em 1730, os jesuítas instalaram um observatório no Morro do Castelo, na cidade do Rio de Janeiro. Nesse mesmo local, em 1780, um observatório foi montado pelos astrônomos portugueses Sanches d'Orta e Oliveira Barbosa, realizando-se ali observações regulares de astronomia, meteorologia e magnetismo terrestre. Com a vinda da família real para o Brasil, em 1808, o acervo desse observatório foi transferido para a Academia Real Militar.

Quinta da Boa Vista
Endereço: Avenida D. Pedro II, s/nº

Residência da Família Real Portuguesa durante todo o Império, foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938, e conserva ainda hoje as características do projeto original do paisagista francês Auguste Marie Glaziou e constitui-se em Unidade de Conservação Ambiental. Nos seus jardins de características românticas, com pontes, cascatas e lagos, destacam-se o Templo de Apolo, de arquitetura coríntia, o Mirante e a Gruta. No outrora Palácio Imperial de São Cristóvão, nasceram D. Pedro II, D. Maria da Glória, Rainha de Portugal e a princesa Isabel. Lá foram decididos os fatos mais importantes da nossa história: a Independência, a 1ª Constituição do Brasil, a Abdicação, a Abolição da Escravatura e a República. O prédio, atualmente abriga o Museu Nacional.

Reservatório da Quinta da Boa Vista
Endereço: Rua Mineira

Construído em 1867, o reservatório da Quinta da Boa Vista fazia parte das iniciativas do governo de melhorar e ampliar o fornecimento de água à Capital do Império. Datam desta mesma década a construção dos reservatórios do morro do Inglês no Cosme Velho (1868), do morro do Pinto (1874) e da Caixa Velha da Tijuca no Alto da Boa Vista (1850). O reservatório da Quinta era alimentado pelo sistema rio d’Ouro e destinava-se ao abastecimento de parte de São Cristóvão, inclusive o Palácio Imperial na Quinta da Boa Vista. De planta sextavada, o reservatório foi executado em paredes duplas de blocos de pedra e argamassa, subdividido em dois tanques que eram originalmente cobertos.

Reservatório do Pedregulho
Endereço: Rua Marechal Jardim, 455

O reservatório do Pedregulho, inaugurado em 1880 pelo imperador d. Pedro II, é obra notável de cantaria e alvenaria de pedra, com arcada e tetos em abobadilhas de aresta, é composto de duas caixas em níveis diferentes. Em funcionamento desde sua inauguração, o reservatório é, ainda hoje, o grande centro distribuidor da cidade.

Restaurante da Quinta da Boa Vista
Endereço: Quinta da Boa Vista

O Restaurante Quinta da Boa Vista está instalado onde funcionava a antiga capela da residência da Família Imperial. Durante a missa os homens sentavam-se à direita e as mulheres à esquerda (o lado do coração) para não expor o Imperador à tentação, ao menos na hora da missa. Onde hoje funciona sua cozinha era no passado a casa do sacerdote. Os salões do Restaurante situam-se sobre um dos porões da antiga capela, onde o Imperador costumava passar as noites com suas escravas preferidas. No outro porão castigavam-se os escravos que se rebelavam contra o cativeiro. A capela da Quinta foi transformada em restaurante em 1954. Possui pinturas em estilo frances e móveis do século XVI e mantém suas características originais.