Originalmente a grande área situada entre as estradas do Galeão e de Tubiacanga era ocupada por matas contínuas aos terrenos da Aeronáutica. Próximo dela ficava um depósito particular de dinamite, cuja explosão em 1933, uma das maiores de nossa história, chegou a abalar portões de ferro no centro da cidade.

Em 1961, a Companhia Imobiliária Santa Cruz (loteadora do Jardim Guanabara) criou na região o “Jockey Club Guanabara”, com arquibancada principal, encimada por imponente marquise. Com as restrições impostas a corridas de cavalos no governo Jânio Quadros, o empreendimento fracassaria e suas instalações foram adquiridas pela Associação Atlética Portuguesa, que criou o Estádio de Futebol “Luso-Brasileiro”. Sua inauguração se deu no dia 2 de outubro de 1965, na partida Portuguesa 0 X 2 Vasco da Gama, com 2 gols do atacante vascaíno Zezinho, um deles ajudado pelo “Vento” o que fez o Estádio da Lusa ficar conhecido como o “Estádio dos Ventos Uivantes”.

O Estádio Luso-Brasileiro viveu grande momento em 2005, quando uma parceria com o Botafogo, o Flamengo e a Petrobras colocaram estruturas metálicas tubulares em todo o trecho disponível do Estádio, aumentando sua capacidade para 30.000 torcedores, na disputa do Campeonato Brasileiro daquele ano. Ficou conhecida como “Arena Petrobras”.

Portanto, a origem do bairro é associada à A. A. Portuguesa, sua urbanização é recente: em 1965, foi aberta a rua Haroldo Lobo, em 1966 a rua Gustavo Augusto de Resende, e a partir da década de 1970, sua expansão seria notável, em 1971 loteamentos na rua Gustavo Augusto de Resende, com 5 ruas. Nesse mesmo ano, surgiu a Rua A (atual Eduardo Nadruz), ligando a rua Haroldo Lobo a estrada de Tubiacanga, em 1973 loteamento próximo ao Estádio da Portuguesa com 4 ruas, 2 praças e uma avenida-canal (avenida Carlos Meziano) e, em 1976, houve o loteamento de grande terreno entre a avenida Maestro Paulo e Silva e a estrada de Tubiacanga, com 266 lotes, 12 ruas e várias praças, com traçados curvilíneos, dando origem ao Condomínio “Village da Ilha”, construído pela Cooperativa Habitacional da Ilha do Governador e é composto por 8 blocos com 1276 apartamentos e 514 casas.

O bairro da Portuguesa é predominantemente residencial, abrigando conjuntos habitacionais, vilas, condomínios, ora de casas ora de edifícios de apartamentos. Seu Centro Comercial fica ao longo da estrada do Galeão e rua República Árabe da Síria, o mais expressivo da Ilha do Governador, só comparado ao bairro Jardim Guanabara. Esse trecho recebeu em 1996, o projeto “Rio Cidade”, da Prefeitura, sendo criado um calçadão, áreas de estacionamento, passarelas metálicas e nas extremidades da área de intervenção urbana, dois monumentos, marcando simbolicamente a entrada da Ilha.

Na orla da Baia de Guanabara, entre a estrada de Tubiacanga e o mar, ficava um trecho da praia dos Gaegos, recoberta por manguezal, que começou a ser ocupada em 1973, multiplicando-se num período de 14 anos. Os moradores foram aterrando a área com despejos de lixo e entulho. Nos anos 1980, usavam material oriundo da terraplanagem da segunda pista do Aeroporto Internacional, daí consolidando a Comunidade do Parque Royal ou “Praia do Maneiro”. Foi beneficiada pelo Projeto “Favela-Bairro”, com implantação de creche, quadras esportivas, ciclovia, em 1994.