Suas terras pertenciam à freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, criada em 1647.

Em 1617, a área do atual bairro de Madureira fazia parte da Fazenda do Campinho, de Dona Maria de Oliveira, cujas terras seriam adquiridas pelo capitão Francisco Inácio do Canto, em 1800. Lá existia o Forte de Nossa Senhora da Glória do Campinho, construído em 1822 e desativado em 1831, onde, em 1851, foi instalada fábrica de artigos pirotécnicos do exército. Atualmente essa área é ocupada pelo 15º Regimento de Cavalaria Mecanizada.

Destacava-se, no Vale do Rio das Pedras, o Engenho do Portela, de Miguel Gonçalves Portela, grande produtor de cana de açúcar, aguardente e rapadura.

O nome do bairro vem de Lourenço Madureira, lavrador e criador de gado em terras da Fazenda do Campinho, onde era arrendatário do capitão Inácio Santo e onde fez benfeitorias. A viúva do capitão, Dona Rosa Maria dos Santos, resolveu expulsá-lo de sua propriedade, denunciando-o ao Juiz de Fora Duque Estrada Furtado de Mendonça. Daí teve início um litígio que tornou Lourenço Madureira o protagonista do primeiro processo legal por posse de terras no Rio de Janeiro. Dona Rosa faleceria em 1846, quando já tinha dado início ao desmembramento de sua fazenda, repartindo-a em grandes lotes, entre os Engenhos do Portela e de Fora, doados a parentes e conhecidos, como o seu inventariante Domingos Lopes da Cunha e Vitorino Simões, pai de Clara Simões, com quem Domingos se casaria. Com a morte deste, em 1868, Dona Clara Simões se casaria com o Comendador Carlos Xavier do Amaral.

Na chácara de Dona Clara Simões, foi implantada uma linha férrea circular com 2,50 km de extensão denominada “Circular Dona Clara” (inaugurada em 1897 e desativada no início da década de 1950) que, com estação na atual Praça do Patriarca, servia de acesso às instalações de grande frigorífico. Nessa época, já cruzava o bairro a Estrada de Ferro Dom Pedro II, depois Central do Brasil, cuja estação de Madureira foi inaugurada em 15 de junho de 1890. A implantação da Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil, depois linha auxiliar, e da estação “Inharajá” - depois Magno (homenageando o engenheiro Alfredo Magno de Carvalho) e atual estação Mercado de Madureira - tornou o bairro um importante eixo ferroviário, remontando à época em que fora ponto de convergência das estradas para Santa Cruz, Jacarepaguá e Irajá.

Nas encostas do morro do Dendê, escravos entronizaram o culto a São José no local onde, em 1904, foi construída uma capelinha dedicada ao santo e, em 1915, criou-se a Irmandade de São José da Pedra. Em 1922, a capela foi visitada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral (fizeram a primeira travessia aérea de Lisboa ao Rio) e, em 1978, foi inaugurada a escadaria de acesso, com 366 degraus, consolidando a Igreja de São José da Pedra como importante marco religioso do bairro.

A Igreja de São Luiz Gonzaga, matriz de Madureira desde 1915, foi construída pelo padre Manso, seu primeiro vigário, em terreno doado por Dona Alcina Valvan Marques. Madureira era então um pequeno núcleo entre 3 estações ferroviárias - Magno, Madureira e Dona Clara -, mas sua transformação em entreposto agro-pastoril de Irajá e Pavuna, com a chegada das linhas de bonde, do trem e dos ônibus com Mário Bianchi e sua Viação Suburbana, deram grande prosperidade à região, facilitando seu acesso e expandindo seu comércio.

Com a construção do Mercado de Madureira, em 1914, na gestão do prefeito Bento Ribeiro, o bairro se consolidaria como importante centro comercial. Dois anos depois, em 1916, o mercado seria transferido para a atual avenida Edgar Romero e, em 1929, seria ampliado pelo prefeito Prado Júnior, tornando-se o maior centro de distribuição de alimentos da região. Reinaugurado em 1959 pelo presidente Juscelino Kubistchek, o “Mercadão” viu surgir, em 1974, a concorrência da Ceasa, em Irajá. Após sofrer um incêndio, em 2000, que destruiu todas as suas instalações, o Mercado de Madureira – um dos principais símbolos do bairro - ressurgiu modernizado, fruto de um esforço coletivo, com grande diversidade de lojas de artigos religiosos, gêneros alimentícios, entre outras.

Na década de 1950, a estrela de teatro de revista portuguesa Zaquia Jorge instalou na rua Carolina Machado o primeiro teatro permanente da zona suburbana. Zaquia Jorge morreria afogada na Barra da Tijuca em 1957, inspirando a música “Madureira chorou, Madureira chorou de dor” de Júlio Monteiro e Carvalhinho.

Em 1958, foi inaugurada pelo prefeito Negrão de Lima a grande obra viária do bairro, o grandioso viaduto de Madureira ou viaduto Negrão de Lima, projeto do vereador Salomão Filho, que interligava os 3 setores separados pelos ramais da linha férrea. Madureira se tornava importante centro funcional dos subúrbios, com intensa área comercial nas ruas Carvalho de Souza, Carolina Machado e Estrada do Portela, destacando shoppings como o “Tem Tudo”, o Polo 1, seis grandes cinemas, o Shopping São Luiz e o moderno Madureira Shopping Rio, inaugurado em 1993, com 31.000 m2 construídos, lojas, salas de cinema e pólo gastronômico.

Em 1914, foi fundado o Fidalgo Atlético Clube, substituído em 1933 pelo Madureira Atlético Clube, que, unindo-se em 1971 ao Madureira Tênis Clube e ao Imperial Basquete Clube, daria origem ao atual Madureira Esporte Clube, com seu estádio Aniceto Moscoso, inaugurado em 1941, com capacidade para 10.000 torcedores. O “tricolor suburbano” revelou grandes jogadores como Didi, Jair da Rosa Pinto, Evaristo, entre outros, e foi vice-campeão do campeonato estadual de 2006.

A grande tradição da região de Madureira, contudo, se encontra no carnaval e no samba.

Do morro da Serrinha, resultando da fusão de 3 escolas, nasceu, em 1947, a escola de samba Império Serrano, com as cores verde-branco, cuja quadra fica junto à estação do Mercado de Madureira. Já a Portela foi fundada em 1923, a partir da união dos blocos “Baianinhas de Oswaldo Cruz” e “Quem Fala de Nós Come Mosca”, depois “Quem Faz é o Capricho” e “Vai Como Pode”, até, em 1935, se tornar o Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela. Com quadra localizada na rua Clara Nunes, no bairro vizinho de Oswaldo Cruz, a Portela é a escola recordista de títulos do carnaval carioca, totalizando 21 vitórias. Em 1985, ocorreu uma dissidência na Portela e integrantes insatisfeitos com a extinção de várias alas fundaram o Grêmio Recreativo Escola de Samba Tradição, com quadra na estrada Intendente Magalhães, divisa entre os bairros de Campinho e Madureira.

As principais comunidades de Madureira são as de São José, da Grota, Serrinha e Buriti-Congonhas.

Conjunto Arquitetônico datado 1914
Endereço: Largo do Campinho

Datado de 1914, em estilo eclético, teve seu esplendor no início do século passado, evidenciado pelo poder comercial local, principalmente pelo desenvolvimento do Mercado do Campinho, que nesses primeiros anos constava como líder na distribuição e venda de produtos agropecuários da cidade.

Igreja Nossa Senhora da Conceição do Campinho
Endereço: Avenida Ernani Cardoso, 48

Localizava-se na antiga Freguesia de Irajá, onde existiam duas Capelas – Nossa Senhora da Conceição e Sapopemba e uma Igreja de Nossa Senhora da Penha. Em 08/07/1862 Domingos Lopes da Cunha doa o atual terreno da Igreja, ao Laboratório Pirotécnico, com a condição de que seja construída uma capela a Nossa Senhora da Conceição. Em 30/12/1896 foi Fundada a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição do Campinho, constituída por funcionários, oficiais e operários, sendo seu primeiro provedor Honório Gurgel do Amaral. Entre os membros na Irmandade encontravam-se nomes ilustres da história de Campinho como Augusto Fausto de Souza, Dr. Manuel Veloso Paranhos Pederneiras (pai do caricaturista Raul Pederneiras), dentre outros. Em 1979 a Igreja sofreu um incêndio, perdendo todo o telhado. Segundo informações de moradores locais o altar em mármore existente foi doação do Sr. Ernani Cardoso, o que se confirma em inscrição existente no altar, sendo original da época da construção da Igreja.

Igreja do Santo Sepulcro
Endereço: Rua Sanatório, 310

É um notável exemplar do templo católico dos primeiros anos do século XX. Trata-se de réplica em escala natural do templo que se erigiu sobre a sepultura do Cristo em Jerusalém.