Praia do Leme era o nome dado ao trecho arenoso que ia do antigo Morro do Inhangá até o Morro ou Pedra do Leme. O nome “Leme” foi dado devido à forma dessa elevação, que lembra o leme de um navio.

Espremido entre o Morro da Babilônia e o Oceano Atlântico, o Leme era um areal deserto, até que a Companhia de Construções Civis (de Otto Simon e Duvivier) criou as ruas do bairro, entre 1892 e 1894. Sua principal rua, a Gustavo Sampaio, foi aberta em 1894. Com a inauguração do Túnel Novo, ou do Leme, em 1906, a linha de bondes da Companhia Ferro-Carril Jardim Botânico chegaria ao final do Leme, na Praça do Vigia. Em 1906, acompanhando a orla do Leme e Copacabana, a Avenida Atlântica foi concluída e se tornaria cartão postal do bairro. Mais tarde, em 1971, seria duplicada para a implantação do calçadão.

Junto ao Morro da Babilônia ficava a Chácara de Torquato Couto, depois alugada a Chaves Faria. Também residiu nela a família de Wilhelm Marx, (pai do paisagista Roberto Burle Marx), que construiu a Ladeira da Babilônia, atual Ari Barroso, famoso compositor que ali morou. Embaixo se ligava à Rua Araújo Gondin (atual Gal. Ribeiro da Costa), onde os padres dominicanos fundaram a Igreja N. Sra. do Rosário, construída entre 1927 e 1931.

O início de ocupação das encostas do Morro da Babilônia se deu em 1915. A partir de 1934, a ocupação aumentou consideravelmente, dando origem às Comunidades da Babilônia e do Chapéu Mangueira. No alto do Morro da Babilônia (238 m), existia um Telégrafo, acessado por estrada que partia da Ladeira do Leme, e que hoje foi absorvido por grande área de reflorestamento.

No cume do Morro do Leme destaca-se o Forte Duque de Caxias, construído em 1776, com a denominação de Forte da Espia ou do Vigia, situando-se a 125 m de altitude. Em 1823, o forte recebeu armamento de artilharia. Reconstruído em 1919, em projeto de Augusto Tasso Fragoso, foi desativado em 1975, quando deu lugar ao Centro de Estudos de Pessoal do Exército. Dentro da área do Forte, existem ruínas datadas de 1711 e 1823 na denominada Pedra do Anel, que deviam servir para sinaleiros observarem a movimentação de navios na entrada da Baía de Guanabara.

A partir dos anos 1950 e 1960, grandes prédios residenciais ocuparam a estreita área do bairro e surgiram hotéis, destacando-se a torre do Le Meridien, com 37 pavimentos, atual “Iberostar-Copacabana”. O Leme, contudo, manteve sua tranqüilidade, bem representado pelo “Caminho dos Pescadores” junto à Pedra do Leme, onde há uma das mais belas vistas da orla carioca.

Forte Duque de Caxias
Endereço: Localizado no Morro do Leme

Construído entre 1776 e 1779, por ordem do Vice-Rei, Marquês do Lavradio, o Forte do Vigia tinha a missão de alertar as demais fortificações da aproximação de embarcações inimigas e terminava sua linha de defesa com um portão de pedra até hoje existente na Ladeira do Leme. O Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, ali serviu em 1789, como integrante da Cia. de Dragões de Minas, que então guarnecia a fortificação. Reformado pelo Capitão Augusto Tasso Fragoso em 1895, passou a ter o nome de Forte do Leme, recebendo a partir de 1918, oito obuseiros gigantes Krupp (280mm), de origem alemã. Em 1935 recebeu o nome Duque de Caxias por decreto de Getúlio Vargas. Desativada a fortificação em 1965, ali foi instalado, em 24 de abril, o Centro de Estudos de Pessoal do Exército Brasileiro.O Caminho Ecológico do Forte Duque de Caxias é aberto ao público aos sábados, domingos e feriados, de 9 às 17 horas.

Muralha e Arcos da Ladeira do Leme
Endereço: Ladeira do Leme, atual ladeira Coelho Cintra, junto do nº 63

Data de 1565 a doação, pela Coroa de Portugal à Cidade do Rio de Janeiro, da sesmaria que abrangia os morros de São João e Babilônia. Esses morros separam atualmente, os bairros da Urca e Botafogo de Copacabana e Leme. As primeiras fortificações do Rio de Janeiro foram construídas a partir do século XVI. Foi no início do século seguinte que aumentou a preocupação em reforçar a defesa da cidade preocupação em reforçar a defesa da cidade devido a sucessivos ataques de navios franceses e à transferência da capital de Salvador para o Rio. Foram então, convocados engenheiros militares para elaborarem planos de redutos e fortalezas no litoral carioca. Foi essa a origem do Reduto do Leme, no governo do 2º marquês do Lavradio (1769-1779), construído no alto da ladeira do Leme, para impedir o acesso de invasores vindos da Zona Sul. Foram colocadas seteiras nas faces laterais que podiam ser fechadas em caso de perigo.