Nesse local da Baía de Guanabara situava-se um arquipélago composto por oito ilhas: Cabras, Pindaí do Ferreira, Pindaí do França, Baiacu, Fundão, Catalão, Bom Jesus e Sapucaia. Desde 1935, existia a proposta da construção de um Campus único que concentrasse as atividades da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.

Passados dez anos de estudos (1935 a 1945) elaborados por várias comissões para diversos locais, em 1948 optou-se por implantar a Cidade Universitária na enseada de Inhaúma, formada pelos rios Jacaré e Faria, e no período de 1949 a 1952, as já referidas oito ilhas foram aterradas e interligadas, numa superfície de 4,8 milhões de metros quadrados, para a Cidade Universitária ser instalada. Em 1959, o presidente Juscelino Kubitscheck, denominou, pelo Decreto 47.534, a Ilha resultante da fusão do arquipélago original, de “Ilha da Cidade Universitária, da Universidade do Brasil”.

Seu projeto técnico ficou sob a tutela da equipe de arquitetos do Escritório Técnico da Universidade do Brasil (ETUB), tendo como arquiteto-chefe Jorge Machado Moreira. Iniciadas em 1954, as obras seguiam lentamente até que, em 1970, o presidente Emílio Garrastazu Médici assinou decreto com verbas para acelerar a construção da Cidade Universitária. Atualmente, a Cidade Universitária tem um conjunto de edificações que abriga 60 unidades acadêmicas e instituições conveniadas, incluindo também setores técnicos, esportivos e administrativos da UFRJ.

A malha urbana e os conjuntos arquitetônicos da Cidade Universitária, ocupam 30 % do território atual da ilha, cuja localização entre o Aeroporto Internacional Tom Jobim e o Centro da Cidade, garante-lhe um grande destaque. Além das faculdades, convênios de cessão de usos de terrenos trouxeram para o Campus da UFRJ, importantes instituições como o Instituto de Engenharia Nuclear da CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (CENPES), o Centro de Pesquisas da Eletrobrás (CEPEL) e o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM).

Destaca-se o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF), projetado pela equipe do arquiteto Jorge Machado Moreira, cuja construção iniciou-se em 1950, interrompida por falta de recursos em 1955. Erguida a imensa estrutura de 220.000 metros quadrados, a obra arrastou-se por duas décadas, em 1970 foi decidido que o hospital só ocuparia a metade da área total da estrutura. Em 1974, foi aprovada verba inicial para a retomada do projeto e no dia primeiro de março de 1978 foi inaugurado o Hospital Universitário, no governo de Ernesto Geisel, sendo presidente da Comissão de Implantação, Clementino Fraga Filho, que posteriormente daria seu nome à Instituição.

Na antiga ilha do Bom Jesus, no que restou dela, os franciscanos tiveram uma igreja e convento no início do século XVIII, doados pela viúva do Capitão Francisco Teles de Menezes. Dom João VI era seu assíduo visitante e, entre 1823 e 1832, ele acolheria o hospital da Marinha e os leprosos da Ilha das Enxadas até que, transferido em 1868 para o governo, abrigou o asilo dos Inválidos da Pátria. Atualmente, essa área pertence ao Exército e a igreja do Bom Jesus da Coluna, tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (em 1964), passou por um processo de restauração arquitetônica. Com a inauguração da “Linha Vermelha” em duas etapas, 1992 e 1994, a Cidade Universitária, conhecida como “Ilha do Fundão”, foi beneficiada com acesso pela nova via expressa para o Centro, Baixada Fluminense e Ilha do Governador e posteriormente a “Linha Amarela” (1997) interligou o bairro diretamente à Barra da Tijuca.

Igreja de Bom Jesus
Endereço: Praça General Lamartine

Juntamente com o convento ao lado, já demolido, a igreja foi constrída pelos padres franciscanos no início do século XVIII. No século XIV, o convento chegou a funcionar como hospital e, a partir de 1868, como asilo (dos Inválidos da Pátria, abrigando sobreviventes da Guerra do Paraguai). A igreja tem inflências do estilo barroco.