Após a derrota imposta aos franceses em 1567, os portugueses buscaram um local mais protegido dos ataques de estrangeiros e nativos hostis para a locação da Cidade. Assim, foi escolhida uma colina, o morro do Castelo e a pequena paliçada, núcleo original da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, foi transferida da área do atual bairro da Urca para a área do atual Centro.

Durante meio século, os franceses, fixados em Cabo Frio após a expulsão e aliados a grupos indígenas anti-portugueses, ainda eram uma ameaça, até a sua expulsão definitiva, ocorrida somente em 1615.

O Governador-geral Mem de Sá administrou a Cidade até junho de 1568, quando nomeou seu sobrinho, Salvador Correia de Sá, capitão e Governador. Começam de fato aí, no morro do Castelo, todas as funções da Cidade, suas atividades econômicas e sociais e o início do seu desenvolvimento urbano. No alto do morro do Castelo, foram construídas uma igreja consagrada a São Sebastião, o Colégio dos Jesuítas, a Câmara e a Cadeia, com os seus foros, a Casa do Tesouro e as demais repartições.

Depois de instalada no morro do Castelo, a população composta por colonizadores portugueses, mamelucos e índios começa, aos poucos, crescer, desce as ladeiras e ocupa as superfícies da planície localizadas entre os morros do Castelo e de Santo Antônio (ambos, hoje, desmontados), de São Bento e da Conceição. Nas partes altas do Castelo, no entorno dos conventos e igrejas, viviam as pessoas abastadas e nas partes mais baixas, as pessoas mais pobres. Essas últimas, inicialmente, construíam suas casas em terrenos próximos ao morro e, posteriormente, nas áreas formadas por faixas de terra entre os pântanos e lagoas insalubres, que foram sendo ocupados após os sucessivos aterros.

Ao final do primeiro século de colonização, a população já se dividia entre as montanhas e o mar, e na várzea entre os quatro morros: Castelo, Santo Antônio, São Bento e Conceição. A ladeira da Misericórdia, que dava acesso ao morro do Castelo, e a rua Direita (hoje rua 1º de Março) já eram vias bastante usadas. Existiam trapiches em torno do porto dos jesuítas, na extinta Praia de Piaçava, próxima da Igreja de Santa Luzia e uma leve configuração urbana em torno do morro do Castelo.

O Rio de Janeiro desempenhou, desde a segunda metade do século XVI, o papel de porto açucareiro, tendo a cultura da cana-de-açúcar se desenvolvido rapidamente nos recôncavos da baía de Guanabara. Mas o núcleo urbano limitava-se a uma pequena comunidade rústica que demandava pouco além de uma reduzida população para exportar e comercializar o açúcar.

Apesar de ser ainda muito limitada a expansão do primitivo aglomerado humano instalado no morro do Castelo, a Cidade já espalhava seus tentáculos para regiões mais distantes. Para buscar água limpa, imprescindível ao consumo e combate às epidemias, escravos agüeiros traziam a água potável em tonéis de madeira desde o rio Carioca, que nascia na Fonte das Caboclas, no Silvestre. Eles faziam uma difícil caminhada, passando pelos atuais bairros do Cosme Velho, Lagoa, Botafogo, Flamengo, Laranjeiras, Catete e Glória até o Centro. A ocupação já alcançava, também, a distante sesmaria de Irajá, chegava até Jacarepaguá, às terras tijucanas e a Campo Grande. Mas o núcleo original desenvolvia-se muito lentamente.

Entretanto, no início do século XVII, já existia um intenso comércio de mercadorias, feito por pequenas embarcações que atracavam nos vários trapiches construídos na praia de Piaçava, seguindo pela atual Praça XV até a Prainha, atual Praça Mauá. Também já era intenso o tráfego de navios que faziam a rota para Angola e outros portos, principalmente da Europa. A economia da Cidade gravitava em torno da cultura da cana-de-açúcar, da criação de gado bovino e do cultivo de frutas e verduras, além de pequenas manufaturas. Farinha de mandioca e derivados da cana, como açúcar e aguardente, eram exportados ou serviam de moeda para a compra de escravos.

A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro era considerada estratégica para o domínio português por causa da prata que vinha das colônias espanholas ao sul e era levada daqui para Portugal. A frota portuguesa tinha no Rio de Janeiro um porto seguro para abastecimento e abrigo, além de uma base para as operações de defesa do litoral sul da colônia. Além disso, o porto do Rio era essencial para o comércio português com as Índias. A prosperidade da Cidade dependia intensamente das atividades mercantis.

Durante o século XVII, a pequena vila colonial foi assumindo feições urbanas, não tanto pela área edificada, mas principalmente por suas atividades de intercâmbio com o exterior, como porto de exportação das riquezas da Colônia. Outra característica que marcou a evolução urbana do Rio, ainda no século XVII, foi a forte presença dos jesuítas na economia, tanto pelos empreendimentos nos engenhos de cana-de-açúcar e pela capacidade demonstrada na solução de problemas de engenharia, como pelo incentivo aos ourives de prata e ouro e outros artesãos. Ao ampliar as bases de sustentação da economia carioca, eles ajudaram a estender, portanto, a ocupação além do seu núcleo inicial. Junto com eles, outras ordens religiosas vieram implantar-se na Cidade, dentre as quais a dos beneditinos, dos franciscanos e a dos carmelitas. Os Beneditinos, especialmente, desempenharam papel importantíssimo na defesa da Cidade e ajudaram a transformar a pequena vila num centro urbano.

Na segunda metade do século XVII, a Câmara e a Cadeia foram transferidas para o Largo do Paço, que já abrigava desde 1590, o Convento das Carmelitas, mas a Cidade tinha, ainda, um desenvolvimento lento, com a área urbana encurralada entre os morros que não passava da Rua da Vala, atual Uruguaiana. Uma rede de pequenas ruelas conectava as igrejas, ligando-as ao Paço e ao Mercado do Peixe, à beira do cais, nascendo, a partir delas, as principais ruas da Cidade. Apesar disso, o Rio já contava com cerca de 30 mil habitantes e tornara-se a cidade mais populosa do Brasil, passando a ter importância fundamental para o domínio colonial. Por outro lado, as principais ruas já abrigavam inúmeras residências e lojas de comércio e havia uma concentração de pequenos armazéns na rua Direita. Porém, o primeiro grande passo para a estruturação urbana da Cidade só aconteceria na passagem para o século XVIII, com a descoberta de ouro em Minas Gerais. O Rio teve um grande movimento, com os desbravadores que aqui passavam em busca das riquezas do interior e voltavam carregados de ouro e pedras preciosas que eram embarcados para Portugal.

A partir da segunda década do século XVIII, a Cidade toma um novo rumo. Após as sucessivas invasões estrangeiras, o primeiro passo foi cuidar da sua defesa. Para tanto, foram construídas fortificações na Baía de Guanabara e no continente. Em seguida, foi resolvido o antigo problema do abastecimento de água, quando Ayres de Saldanha, que governou de 1719 a 1725, construiu o primeiro aqueduto. A água era captada na nascente do rio Carioca, nas Paineiras, e através do Caminho dos Arcos Velhos, atuais Arcos da Lapa, chegava até o centro. Depois era distribuída para a população, por um chafariz, com grande quantidade de bicas, localizado no Campo de Santo Antonio, hoje Largo da Carioca.

O último dos governadores, Gomes Freire de Andrada, o conde de Bobadela, que administrou a Cidade por 30 anos ininterruptos, de 1733 a 1763, deu, ao meio urbano carioca, uma feição digna da futura Capital do Vice-Reino. Entre suas realizações, destacam-se: a ampliação do Aqueduto da Carioca; a implantação de um segundo chafariz no cais do Largo do Paço, ampliando o sistema de abastecimento d´água; a construção do Palácio dos Governadores e a instalação do Tribunal da Relação. Gomes Freire construiu, ainda, o Convento de Santa Teresa, iniciou as obras da nova Catedral, organizou o serviço de atendimento hospitalar e da Santa Casa da Misericórdia, no Morro do Castelo; ampliou o sistema de defesa, construiu a Fortaleza da Conceição e reformou o Forte da Ilha das Cobras; abriu novas ruas e estradas, construiu pontes e melhorou o serviço de iluminação pública a óleo de baleia. E, pela primeira vez, na Cidade, houve uma intervenção visando ao controle das atividades relacionadas ao uso do solo urbano. Além disso, Bobadela promoveu atividades culturais, apoiando associações de letrados, como a fundação da organização Academia dos Felizes, em 1736, e a da nova instituição literária Academia dos Seletos, em 1752, autorizando ainda a instalação de uma tipografia, ações consideradas subversivas pelos círculos oficiais. No governo de Bobadela, a Câmara da Cidade do Rio de Janeiro recebe, em 1757, o título e prerrogativas de Senado da Câmara, conservadas até a Constituição da Independência. Além disso, a Cidade é transformada, em 1763, Capital do Vice-Reinado.

Como Capital, a Cidade passa por um novo momento. O Rio de Janeiro torna-se centro das atenções do reino e o Brasil atinge sua condição de sustentáculo político e econômico do poder português. O período dos sete vice-reis, de 1763 a 1808, é marcado por uma série de melhoramentos que dão à Cidade, particularmente ao seu Centro, uma fisionomia urbana renovada.

Em 1779, a Cidade contava com, aproximadamente, 51.000 habitantes, excluídos os moradores das inúmeras chácaras; possuia 300 casas de dois sobrados e 1.921 de um, além de 196 tabernas, 181 barracas de quitandeira, 141 armazéns de aguardentes e vinhos e 190 lojas de fazendas. Contava, ainda, com nove escolas de ler, duas aulas de grego e latim e duas de filosofia e retórica.

Em 1786, é fundada a Sociedade Literária do Rio de Janeiro. A ocupação do Centro já havia ultrapassado a rua da Vala, atual Uruguaiana, calçada com lajes de pedra pelo Vice-rei Conde da Cunha, que governou de 1763 a 1767. Ele também favoreceu o adensamento populacional ao ceder terrenos para moradores abastados que viviam em fazendas e chácaras, longe do núcleo central, dando incentivo à construção de novas residências.

Dos governos de vice-reis que se seguiram, destacam-se os dez anos de atuação de D. Luís de Almeida Portugal, o Marquês do Lavradio, de 1769 a 1779. Assim como os que o precederam, ocupou-se da defesa da Cidade construindo as Fortalezas do Pico e do Leme. Abriu ruas, como a que leva seu nome; construiu novos chafarizes; criou a concorrida Feira da Glória; incentivou a instalação de novas indústrias; transferiu o mercado de escravos para o Valongo e incentivou as artes e diversões públicas com teatros e bailes, e as ciências com a fundação de uma Academia Científica.

Luís de Vasconcelos e Sousa, que governou de 1779 a 1790, criou o Passeio Público, projetado por Mestre Valentin, com mobiliário urbano, chafarizes, esculturas, jardins e alamedas, restaurantes, terraço panorâmico, portão monumental e pavilhões de arte, sobre o aterro da antiga e pantanosa Lagoa do Boqueirão. Isso mudou os costumes da Cidade, carente de espaços públicos para o lazer da população. Vasconcelos e Souza realizou, ainda, outras obras importantes, como a urbanização do Campo de Santana; a criação de um museu de pássaros; a pavimentação do Largo do Paço e a construção do cais com escadas, guarda-corpo e o chafariz de Mestre Valentim. Nas praças, instalou bebedouros para animais; melhorou o sistema de iluminação pública e instituiu o Calabouço para evitar o castigo de escravos em locais públicos. Sua obra teve continuação no governo de D. José Luiz de Castro, o Conde de Resende, que governou de 1790 a 1801. Entre os serviços que prestou à Cidade, estão as ruas do Senado, dos Inválidos e do Resende, que perpetua seu nome. Durante seu governo o acontecimento mais notório foi o enforcamento de Tiradentes.

Com ruas pavimentadas, as praças delimitadas e hospitais, quartéis e comércio concentrados nas ruas próximas ao Largo do Paço, providas de iluminação pública a óleo de baleia e abastecimento de água por meio de chafarizes, o meio urbano central estava consolidado. O transporte de mercadorias e passageiros era feito em faluas e barcas e havia disponibilidade de transporte de aluguel por meio de carroças e diligências.

A Cidade teria, ainda, mais dois vice-reis: D. Fernando José de Portugal, o Marquês de Aguiar, de 1801 a 1806 e, D. Marcos de Noronha e Brito, o Conde dos Arcos, de 1806 a 1808.

Seguia o ano de 1808, quando ocorreu o fato mais importante da história da Cidade, pelas implicações políticas e conseqüências determinantes. Fugindo das guerras napoleônicas, que ameaçavam invadir a Península Ibérica, a Corte portuguesa chega ao Brasil, tendo à frente a Rainha, D. Maria I e seu filho, o príncipe regente D. João, trazendo em sua comitiva, um número até hoje indeterminado de novos habitantes para o Rio de Janeiro. Em 7 de março, a Família Real chega à Cidade, depois de uma estada em Salvador. O Rio de Janeiro torna-se, então, sede da monarquia portuguesa e se encerram, na prática, as funções dos vive-reis. Teve início uma profunda remodelação da Cidade que passou a prepara-se para ser a sede do Império Português. Em 1615, O Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal e Algarves e o Rio de Janeiro passa a ser, na prática, a capital do Império Português, que abrangia territórios na África e na Ásia.

O Centro expande seus limites para a Zona Sul, Zona Norte e São Cristóvão. Era necessário ocupar outros espaços para corresponder às novas atribuições da capital de dois reinos, Portugal e Brasil. Isso multiplicou o movimento comercial do Rio de Janeiro e trouxe nova vida ao meio urbano, atraindo, imediatamente, uma imigração em larga escala. Várias residências foram expropriadas para moradia dos membros da comitiva real e, novas edificações foram construídas. Também foi preciso instalar as repartições públicas oficiais e criar novas instituições e departamentos de governo, como a Academia Real Militar, o Banco do Brasil, a Imprensa Régia, o Conselho da Fazenda e a Escola de Medicina. Ordem e ocupação urbanas foram instituídas pelo Intendente Geral da Polícia Paulo Fernandes Viana, cuja soma de atribuições no âmbito administrativo o transformaram, na prática, no primeiro prefeito da Cidade. Além de cuidar das normas de segurança e das regras para as edificações e arruamento, o intendente melhorou o abastecimento de água, instalando novos chafarizes, aumentou a iluminação pública e promoveu a urbanização e ajardinamento das praças da Cidade, que passa a adquirir crescente aspecto europeu.

Com a elevação do Brasil a Reino pelo Tratado de Viena, o regime colonial se extingue legalmente, em 1815. Em 1816, com a morte da Rainha D. Maria Primeira, o Príncipe Regente é aclamado Rei, como D. João VI. Para embelezar ainda mais a Cidade, o Rei patrocina a vinda da Missão Artística Francesa, da qual fizeram parte Jean-Baptiste Debret, Auguste Taunay e o gravador Ferrez. A vinda das missões artísticas e científicas deixou, como legado, importantes marcos arquitetônicos no Centro, transformando a paisagem colonial com a suntuosidade da arquitetura neoclássica, marca da obra do arquiteto francês Grandjean de Montigny e de seus seguidores. São exemplos dessa época, o prédio onde funciona a Casa França-Brasil, a Igreja da Candelária e prédios da rua do Ouvidor.

Até meados do século XIX, apesar de o meio urbano já estar consolidado, a Cidade ainda era modesta, em decorrência da inexistência de transportes coletivos - somente em 1844 foi organizado o serviço de transporte urbano com o uso de diligências - e da necessidade de defesa, que faziam com que os habitantes se mantivessem próximos. Com a inauguração, em 15 de janeiro de 1868, da primeira linha de bondes, pela Botanical Garden, inicialmente à tração animal e depois movidos a eletricidade, o centro passa a expandir suas funções. A independência política e o ciclo econômico do café geram grande número de atividades econômicas ligadas ao meio urbano e atraem trabalhadores livres, nacionais e estrangeiros. Em 1852, foi firmado o contrato Russell para a instalação de um serviço de esgotos. Os meios de transportes coletivos sobre trilhos - primeiro os bondes e depois, os trens - tornam possível, após 1870, ano em que o Rio recebe triunfalmente o primeiro batalhão de voluntários da pátria na guerra do Paraguai, expandir a cidade e a convivência entre classes sociais, pois nunca a cidade tivera tanta mobilidade.

Em fevereiro de 1854, é abolido o entrudo, surgindo em seu lugar o carnaval de rua. Em 25 de março do mesmo ano, o Barão de Mauá inaugura o sistema de iluminação pública a gás encanado, dando visibilidade ao centro. Com este avanço, a população passa a ter lazer noturno em bares e restaurantes. Três anos depois, em 1857, a área central tinha mais de três mil pontos de iluminação. Em 1874, iniciam-se as comunicações telegráficas com a Europa. Em 1881, inauguram-se as três primeiras linhas telefônicas e em 1890, ano em que a população da Cidade alcança 551.559 habitantes, o serviço de iluminação já atinge mais de dez mil pontos, transformando o Rio em uma das cidades mais bem iluminadas do mundo.

A rua do Ouvidor torna-se o símbolo de uma nova era para a Cidade e o requinte do modo de vida francês transforma a vida da população, adaptando-se e criando o estilo peculiar e único de ser do carioca. A iluminação e o transporte coletivo passam a qualificar o uso do solo: os terrenos mais valorizados passam a ser os mais bem servidos pelos serviços públicos e, em 1892, é inaugurada a primeira linha de bondes elétricos para o Flamengo. No final do século XIX, o centro estava saturado. Francisco Pereira Passos aceitou convite formulado pelo Presidente da República Rodrigues Alves para auxiliá-lo na administração da Prefeitura e, por ato, de 30 de dezembro do mesmo ano, foi nomeado Prefeito do Distrito Federal, assumindo a Prefeitura em 03 de janeiro de 1903.

Com a reforma urbana promovida por Pereira Passos, na primeira década do século XX, a região passa por uma transformação radical, abandonando definitivamente suas características coloniais, onde proliferavam cortiços e edificações degradadas, ruas estreitas e insalubres, para se apresentar como grande metrópole moderna e influenciada pelo urbanismo francês de Haussmann, o grande reformador de Paris. A zona portuária é ampliada; rasgam-se avenidas como a Rodrigues Alves, a avenida Central, atual Rio Branco, e a Beira-Mar; praças antigas são reformadas e novas áreas são criadas. Os monumentos arquitetônicos edificados nesses espaços provam a força da intervenção do poder público: são construídos o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional e os novos prédios da Avenida Central, dentre inúmeros outros projetos. A reforma Pereira Passos determina, mais uma vez, uma expansão urbana do Centro. Mas a região serve também como divisor para acentuar a estratificação social, ao separar a Cidade em duas partes distintas: a Zona Sul para a classe rica e a burguesia abastada e a Zona Norte para a classe operária e a população de rendas mais baixas.

As linhas de bondes são as responsáveis pela ocupação do Centro até as praias da Zona Sul. Os subúrbios, tendo como fator de expansão as ferrovias, são ocupados pelos habitantes dos cortiços demolidos no Centro. A população pobre passa a ocupar os morros próximos aos locais de trabalho, dando início ao desenvolvimento caótico e desordenado das favelas. Em 1906, a população da Cidade eleva-se a 811.443 habitantes. Nas décadas seguintes, o Centro continua a ser a região responsável pelo progresso da Cidade. Com o prefeito Carlos Sampaio, que assume a 7 de junho de 1920, é levado a cabo o desmonte do Morro do Castelo, berço da história da Cidade, criando uma grande área para novas edificações, obra bastante contestada. Em 1920, o Rio já tinha 1.157.873 moradores. Nessa década surge o Plano Agache, projetando nova configuração para o Centro e destinando para a Cidade espaços compartimentados e com usos específicos.

Após a Revolução de 1930, o novo governo revoga todas as intervenções urbanas propostas pela Velha República e o Plano Agache, com seu caráter monumental exigindo investimentos públicos de vulto, é abandonado. Como único exemplo das idéias reformadoras do arquiteto Agache resta a Praça Paris, construída na gestão de Prado Júnior (1926-1930).

A Nova República é responsável por intervenções profundas na década de 1940, durante a II Guerra Mundial, como a abertura das avenidas Brasil e Presidente Vargas. Esta última, inaugurada em 7 de setembro de 1944, foi a terceira grande intervenção efetuada no Centro, depois da construção da avenida Central e do desmonte do Morro do Castelo. Para a construção da avenida Presidente Vargas, quarteirões inteiros foram arrasados, monumentos arquitetônicos e praças históricas - como a Praça XI, onde nasceu o samba carioca - desapareceram do cenário urbano e bairros antigos, como Cidade Nova e Estácio, foram sacrificados, surgindo com roupagem nova. Mas a avenida Presidente Vargas ainda não cumpriu o papel para o qual foi criada, não ocorrendo as ocupações previstas e vem sendo lentamente edificada.

Na década de 1950, com o surto industrial surgido no pós-guerra, a região começa a sofrer um processo de esvaziamento. Na década seguinte, com a mudança da capital federal para Brasília e a transformação da Cidade em Estado da Guanabara, o desenvolvimentismo e a febre viária desfiguram o Centro, mais uma vez, onde são construídos viadutos e pistas expressas elevadas, voltadas para o atendimento do transporte por automóvel. Data dessa época, também, o Aterro do Flamengo, feito pelo governador Carlos Lacerda, possibilitando a união, por vias expressas, do Centro à Zona Sul. A região perde parte de sua expressão econômica e tem várias de suas áreas progressivamente degradadas, perdendo a função de laboratório da expansão e evolução urbana da Cidade. A construção do metrô contribui muito para esse processo, com a demolição de edificações históricas. No Centro se localizam os principais monumentos arquitetônicos e artísticos da Cidade, além de algumas das edificações e marcos históricos mais importantes da história da sua evolução urbana. A região ainda é o segundo centro financeiro do País e abriga um número muito grande de prédios comerciais, museus, restaurantes tradicionais, centros de pesquisa e universidades.

Apesar do esvaziamento populacional dos últimos anos, o Centro continua a ser a principal referência da Cidade do Rio de Janeiro. Exatamente por preservar essa condição de núcleo estratégico para o qual tudo converge, a região traz, subjacente, as sementes da própria revitalização.

Academia Brasileira de Letras
Endereço: Avenida Presidente Wilson, nº 203

Nos terrenos resultantes do arrasamento do morro do Castelo, foram construídos, em 1922, diversos pavilhões dos países participantes da Exposição Comemorativa do Primeiro Centenário da Independência do Brasil.

Antiga Fábrica de Gás
Endereço: Avenida Presidente Vargas, 2.610

Em 1849, o governo imperial aceitou a proposta de Irineu Evangelista de Souza, visconde de Mauá, para a introdução de iluminação pública a gás no Rio de Janeiro. A fábrica de gás foi construída em 1853 pelo engenheiro militar inglês William Bragge, segundo projeto de sua autoria. Arquitetura fabril de composição sóbria e funcional. Dois longos braços térreos são unidos por um corpo central mais elevado de onde assoma a graciosa torre cilíndrica do relógio.

Antigo solar do visconde do Rio Seco
Praça Tiradentes, 67

Localizado num dos cantos do antigo largo do Rossio na esquina da rua Nova do Conde (respectivamente praça Tiradentes e rua Barão do Rio Branco atuais), o edifício já existia no início do século XIX quando o príncipe regente d. João chegou ao Brasil.

Arquivo Nacional (antiga Casa da Moeda)
Endereço: Praça da República, 173

Com a descoberta de ouro em Minas Gerais, fez-se necessário a transferência da Casa da Moeda da Bahia para o Rio de Janeiro, o que se deu ainda em 1699.

Automóvel Club do Brasil
Endereço: Rua do Passeio, 90

Neste local havia uma residência projetada por Manuel de Araújo Porto-Alegre, adquirida pelo Cassino Fluminense em meados do século XIX, quando os clubes dançantes estavam em voga. Ganhou destaque por ser freqüentado pela alta sociedade e pela Família Imperial. Em 1854 foi reformado pelo arquiteto Luís Hoske, que o transformou num prédio de dois pavimentos com linhas neoclássicas e interior luxuoso, no qual se destacava o salão de baile.

Banco Central (antiga Caixa de Amortização)
Endereço: Avenida Rio Branco, 30

O suntuoso edifício do Banco Central, construído em estilo eclético classicizante, foi inaugurado em 1906, com a presença do presidente Rodrigues Alves

Biblioteca Nacional
Endereço: Avenida Rio Branco, 219

Quando se iniciou a abertura da avenida Central, em 1903, resolveu o Governo do Presidente Rodrigues Alves erguer uma nova sede para a Biblioteca Nacional. A Biblioteca Nacional, um dos prédios de destaque da nova Avenida Central começou a ser construída em terreno conquistado após a demolição de parte do Morro do Castelo e foi inaugurada em outubro de 1910. Sua construção durou pouco mais de cinco anos, sendo o projeto arquitetônico elaborado pelos escritórios Hector Pepin e Taupenot de Paris dentro do estilo eclético, em voga na época.

Casa Cavé
Endereço: Rua Sete de Setembro, nº 133

O edifício de dois andares, inaugurado em 1890, foi originalmente concebido para ser uma confeitaria.

Casa Daniel
Endereço: Rua Gonçalves Dias, 13

Sobrado que abriga a tradicional loja de artigos para presentes. É notável seu interior com decoração art déco misturada a elementos decorativos dos anos 1960.

Casa de Osório
Endereço: Rua Riachuelo, 303

A Rua do Riachuelo, antiga Mata-Cavalos, situada entre os Morros de Santa Teresa e o antigo Morro do Senado, foi inicialmente o principal eixo de ligação entre a cidade e sua periferia norte, e especialmente no século XIX, em direção a São Cristóvão. Possui ainda alguns exemplares remanescentes desta época. Casa térrea onde residiu e morreu o General Osório, em 1879.

Casa do Marechal Deodoro da Fonseca
Endereço: Praça da República, 197

Remanescente do antigo casario, com implantação no alinhamento dos lotes, encontra-se hoje isolado pela demolição das demais construções à sua volta. Exemplar de uma casa assobradada do século XIX, possui janelas rasgadas e balcão corrido, com grade de ferro no andar superior.

Casa França-Brasil
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 78

Um dos raros remanecentes da arquitetura de Grandjean de Montigny, a construção é de data 1820 e foi concebida para abrigar a primeira Praça do Comércio do Rio.

Casas Franklin
Endereço: Avenida Passos, 36/38

A decoração de fachada do prédio e bastante simples no térreo e se complica a medida que sobe até atingir a apoteose na altura do terceiro piso, onde as janelas com vitrais formam uma grande calda de pavão de onde alça o voo uma águia de bronze que, originalmente, levava uma luminária no bico.

Casas Geminadas
Endereço: Rua do Riachuelo, 354 e 356

Casas térreas gemidas, do tipo porta-e-janela, exemplares provavelmente remanescentes do final do século VIII ou do início do XIX.

Chapelaria A Radiante
Endereço: Rua Sete de Setembro, 137

Inaugurada em 1929 pelo comerciante português Eugênio M. Pires, foi desenhada e executada pela firma italiana Storino.

Caixa de Amortização
Endereço: Avenida Rio Branco, 30

O prédio foi construído entre anos de 1905-1906 e projetado pelo escritório técnico da Comissão Construtora da Avenida Central. No projeto colaboraram o engenheiro Gabriel Junqueira, o desenhista Américo de Castro e outros técnicos de alto nível. O revestimento externo da fachada, em cimento, é de responsabilidade do arquiteto Heitor de Mello - autor de alguns dos melhores projetos da época.

Cinema Íris
Endereço: Rua da Carioca, nº 49 a 51

No ano de 1909, foi inaugurado o Cinematógrafo soberano na rua da Carioca, em prédio pertencente à Ordem Terceira da Penitência.

Cinemas Palácio 1 e 2
Endereço: Rua do Passeio, 38 a 40

Inaugurado em 1928, o prédio que abriga os cinemas possui fachadas de linha neomouriscas projetada pelo arquiteto Adolfo Morales de Los Ríos Filho.

Clube Naval
Endereço: Avenida Rio Branco, 180

Por ocasião da abertura da Avenida Central, hoje Rio Branco, o Governo Federal doou o terreno para a construção da sede do Clube Naval.

Centro Administrativo do Tribunal de Justiça
Endereço: Praça Quinze de Novembro, s/nº

Com projeto do engenheiro Humberto Nabuco dos Santos o edifício foi inaugurado em 1941 pelo Presidente Getúlio Vargas.

Confeitaria Colombo
Endereço: Rua Gonçalves Dias, nº 32 a 36

A Confeitaria Colombo é um dos mais tradicionais espaços da memória da belle époque do Rio de Janeiro. Seus amplos e elegantes salões foram, desde o final do século XIX, freqüentados por artistas, intelectuais e políticos, bem como por boêmios, damas e “cocotes”. Inaugurada em 17 de setembro de 1894, sofreu grande reforma de 1914 a 1918, recebendo os atuais móveis e a decoração interna da autoria de Antônio Borsoi. O salão de chá em estilo Luís XVI, no segundo andar, foi inaugurado em 1922. A abertura oval entre os dois andares, a clarabóia com vitral e a grande área de espelhos belgas nas paredes laterais conferem ao espaço interno um ambiente requintado e agradável.

Confeitaria Manon
Endereço: Rua do Ouvidor, 187/189

Datada de 1942, funcionou como confeitaria na década de 1940 e restaurante e casa de chá a partir dos anos 1950.

Convento do Carmo
Endereço: Praça Quinze de Novembro, 101

Denominado de Terreiro da Polé, onde em 1590, frades carmelitas iniciaram a edificação de suas residências, passou a denominar-se Terreiro ou Praça do Carmo. Inicialmente com dois pisos, a construção foi depois acrescida de mais um terceiro. Apresenta no térreo, janelas que ladeiam a porta principal de verga curva, a que correspondem dos dois outros pavimentos, igual número de janelas rasgadas e sacadas com bacias de cantaria e guarda-corpos de ferro.

Convento e Igreja de Santo Antônio
Endereço: Largo da Carioca

A Igreja de Santo Antônio foi construída de 1608 a 1620, sob o risco do Frei Francisco dos Santos. Durante o século XVIII, foram feitas obras sucessivas, com a construção da frente da nave e a inclusão do galilé no corpo da nave. A aparência externa da Igreja reflete a influência Jesuítica, com portadas de pedra portuguesa de lioz, tendo três portas no primeiro pavimento, três janelas de peitoril, com vidraças no coro, frontão reto apresentando um óculo no tímpano.

Edifício Príncipe D. João
Endereço: Praça Mauá, 10

O edifício, que ocupa toda a quadra, faz o fechamento de um dos lados da praça Mauá e foi projetado em 1912.

Escola de Música da UFRJ
Endereço: Rua do Passeio, 98

O Edifício, que hoje abriga a Escola De Música da UFRJ, recebeu em 1858 a Biblioteca Real, hoje nacional, que ali permaneceu até 1910. Depois for reformado e adaptado para sediar o Instituto Nacional de Música. A fachada, de autoria de Cipriano Lemos

Escola de Teatro Martins Pena
Endereço: Rua Vinte de Abril, 14

Considerada a mais tradicional escola de arte teatral do país, a Escola Estadual de Teatro Martins Penna funciona neste casarão onde nasceu o Barão de Rio Branco, no Centro do Rio de Janeiro.

Escola Municipal Campos Sales
Endereço: Praça da República s/nº

Localizado dentro do Campo de Santana, o prédio se destaca pelo revestimento regular em pedra que se opõe à vegetação ali existente. O projeto é de Raul Penna Firme e o prédio foi inaugurado em 1944.

Escola Municipal Celestino da Silva
Endereço: Rua do Lavradio, 56

De 1890 a 1916 funcionou no prédio o Teatro Apolo. Mais tarde, o empresário teatral Celestino da Silva, seu proprietário, doou o imóvel à Prefeitura para que fosse usado como escola, então inaugurada em 1921.

Escola Municipal Guatemala
Endereço: Praça Presidente Aguirre Cerda, 55

De estilo arquitetônico característico dos anos 1950, a escola, situada no Bairro de Fátima, foi construída em 1954 e reformada em 2003.

Escola Municipal Rivadávia Correa
Endereço: Avenida Presidente Vargas, 1.314

É uma das oito escolas construídas com o produto de coleta popular para erigir um monumento ao imperador Pedro II, após a Guerra do Paraguai. Seu prédio foi projetado por Francisco Pereira Passos e inaugurado em 1877. Em 1896 sofreu modificações projetadas pelo engenheiro Antônio de Paula Freitas. Destaca-se na fachada a estátua A ciência, fundida em Val d’Osne, França.

Escola Municipal Tiradentes
Endereço: Rua Visconde do Rio Branco, 48

Com dois pavimentos, sua fachada revela uma combinação de regularidade e simetria que procura unificar características do ecletismo classicizante. Foi inaugurada em 24 de novembro de 1905 na administração do Prefeito Pereira Passos.

Estação Marítima de Passageiros
Endereço: Praça Mauá s/nº

Esse pequeno edifício foi por muito tempo o hall de acesso social do Brasil. Por ele desembarcaram todos os visitantes da cidade antes do avião.

Estação Ferroviária D. Pedro II
Endereço: Praça Cristiano Ottoni, s/nº

A Estação D. Pedro II, está localizada em um prédio de estilo aerodinâmico com abas baixas, que mordem na esquina a torre do relógio e tem sua verticalidade realçada por descer até o solo.

Estação de Hidroaviões
Endereço: Praça Marechal Âncora, 15 A

O projeto desta edificação foi ganhador de concurso em arquitetura de 1937, e é de autoria do escritório de Atílio Correia Lima, com a colaboração dos arquitetos Jorge Ferreira, Renato Mesquita, Renato Soeiro e Tomás Estrela. Com dois pisos, apresenta no térreo um pórtico com colunas estruturais aparentes, e o sobrado parcialmente vazado, com o fim de proporcionar pé-direito duplo para um trecho do pavimento térreo.

Grande Oriente do Brasil (sede da Maçonaria)
Endereço: Rua do Lavradio, nº 97

Em 1848 as lojas maçônicas adquiriram o terreno onde havia a obra interrompida de um teatro. A ornamentação externa, interpretação livre da linguagem clássica, ostenta elementos simbólicos da maçonaria.

Grande Templo Israelita do Rio de Janeiro
Endereço: Rua Tenente Possolo, 8

Projeto de 1929 assinado pelo engenheiro arquiteto Mário Vodret.

Hospital da Santa Casa de Misericórdia
Endereço: Rua Santa Luzia, 206

A cidade do Rio de Janeiro foi fundada em 1565 entre os Morros Cara de Cão e Pão de Açúcar e transferida para o antigo Morro do Castelo no ano de 1567. A Santa Casa de Misericórdia foi construída no século XVI na parte baixa, próxima ao mar e junto a uma das ladeiras que subiam para o seu cume, no mesmo local onde hoje ainda se encontra, como último vestígio do morro do Castelo. Não se sabe ao certo a data da sua construção, mas em 1582 os doentes da esquadra do Diogo Valdez foram nela acolhidos.

Hospital São Francisco de Assis
Endereço: Avenida Presidente Vargas, 2863

Construído na década de 1870, com projeto do arquiteto Heitor Radmacker Grunewald, destinava-se a ser abrigo para mendigos. No início do século XX, passou a servir de Hospital Geral de Assistência, do Departamento Federal do Rio de Janeiro, depois incorporado à atual Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Igreja da Candelária
Endereço: Praça Pio X

A Irmandade de Nossa Senhora da Candelária foi instituída na antiga Matriz de São Sebastião, localizada no Morro do Castelo. Durante a primeira metade do século XVII, foi erguida no mesmo local onde hoje se encontra, a primitiva capela, que no ano de 1768 encontrava-se em ruínas. A atual Igreja apresenta um aspecto similar à Basílica da Estrela, localizada em Lisboa. Teve sua construção iniciada em 1775, estendendo-se até o século XIX. Em 1811, foi celebrada a primeira missa e somente em 1898 foi inaugurada com as novas obras complementares. O projeto original é atribuído ao Engenheiro Militar Francisco José Roscio. A igreja, que constitui hoje, obra predominante do século XIX, com três naves, transepto, cúpula no cruzeiro e ampla capela-mor.

Igreja da Lapa do Desterro
Endereço: Largo da Lapa

A Capela primitiva foi construída em conjunto com um Seminário em terreno doado pelo Capitão Antônio Rabelo Pereira, no ano de 1750. A iniciativa das obras coube ao missionário apostólico Padre Ângelo Siqueira em 1751, à época possuía a invocação de Igreja de Nossa Senhora da Lapa do Desterro. Em 1810, por decisão do Princípe-Regente, Dom João VI, a Igreja e o Seminário foram cedidos aos frades Carmelitas, em troca do Convento e Igreja que esta congregação possuía na atual Praça XV, e que passaram a ser utilizadas pela Corte. A partir de 1810, portanto, a capela e o antigo seminário, transformado em casa conventual, passaram a se denominar de Nossa Senhora do Carmo da Lapa.

Igreja da Mãe dos Homens
Endereço: Rua da Alfândega, 58

A devoção a Mãe dos Homens, em nossa cidade, era realizada diante de um oratório de pedra, já no século XVII, nas proximidades da Rua da Quitanda e Alfândega. A Irmandade da mesma devoção só se constitui no século XVIII. Erguida a capela, pela provisão de 1752, as obras prosseguiram lentamente, e em 1790 foi concluído o retábulo do altar-mor, obra do Mestre toreuta Inácio Ferreira Pinto, como também as talhas do arco-cruzeiro e do coro.

Igreja da Ordem Terceira de N. S. do Carmo
Endereço: Rua Primeiro de Março

A Ordem Terceira do Carmo, fundada em 1648, depois de se instalar provisoriamente numa ermida, deu início, em 1755, à construção de sua igreja, ao lado da que era conventual, com frente para a Rua Direita atual Primeiro de Março. Edificada por Mestre Manuel Alves Setúbal, foi sagrada em 1770. Os campanários das torres só ficaram prontos em 1850, feitos segundo risco do professor da Academia de Belas Artes, Manoel Joaquim de Melo Côrte Real.

Igreja de N. S. da Conceição e Boa Morte
Endereço: Rua do Rosário

A irmandade da Conceição e Boa Morte resultou da fusão da Irmandade de Nossa Senhora da Conceição existente outrora na Matriz de São Sebastião no Castelo, e aquela de Nossa Senhora da Assunção e Boa Morte existente no Convento das Carmelitas. O risco da igreja foi feito pelo engenheiro militar Brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim no local onde existira a ermida denominada do "hospício".

Igreja de N. S. da Lapa dos Mercadores
Endereço: Rua do Ouvidor, 135

A partir de 1747, a Igreja começou a ser construída no mesmo local onde havia um oratório dedicado à Nossa Senhora da Lapa, onde os comerciantes, ou "mercadores", reuniam-se para rezar. No ano de 1750, foi sagrada e cinco anos depois concluída. Grandes obras de remodelação foram feitas de 1869 a 1872, quando se refez a fachada do templo, construiu-se a torre sineira e completou-se a obra de talha do interior.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo
Endereço: Rua Primeiro de Março

No local onde se achavam as ruínas da Ermida de Nossa Senhora do Ó, próximo ao mar, os frades carmelitas iniciaram, em 1619, a construção de um convento e, em 1761, a construção de uma igreja que, mais tarde, foi transformada em Capela Real. Em 1808, com a chegada da família real portuguesa, foi elevada à Catedral Metropolitana, até a década de 1970, quando foi inaugurada a nova Catedral, na Avenida Chile.

Igreja de Santa Cruz dos Militares
Endereço: Rua Primeiro de Março, 36

A primitiva capela foi construída entre os anos de 1623 e 1628, no local onde anteriormente havia sido erguido o Forte de Santa Cruz, em princípios do século XVIII. A partir de 1780, deu-se início à construção da atual Igreja, segundo projeto do Engenheiro Militar Brigadeiro José Custódio de Sá Faria e no ano de 1811 foi sagrada. A fachada da Igreja foi realizada ao feitio da famosa igreja dos jesuítas, construída no século XVI em Roma, Itália. Apresenta, como aquela, frontão triangular e volutas laterais, tendo uma grande janela centrada ladeada por pilastras e grandes nichos com estatuas de santos.

Igreja de Santa Luzia
Endereço: Rua Santa Luzia, 490

O culto a Santa Luzia teve início em nossa cidade em uma ermida localizada à beira-mar, no sopé do Morro Cara de Cão, neste local era cultuada uma imagem barroca de Santa Luzia trazida por Estácio de Sá para o Brasil. Com a transferência do núcleo urbano para o Morro do Castelo em 1565, a devoção Santa Luzia passou a se realizar na ermida de Nossa Senhora dos Navegantes ereta por pescadores junto ao sopé do Morro do Castelo.

Igreja de Santa Rita
Endereço: Largo de Santa Rita

A Igreja de Santa Rita teve origem na capela que o casal Nascentes Pinto fez erigir em terras de sua propriedade no chamado Sítio Valverde, parte desta área hoje denomina-se Largo de Santa Rita. Antes de se decidirem pela construção da referida capela, o casal cultuava a Santa em culto doméstico aberto aos devotos. A capela cuja construção antecedeu ao ano de 1721, foi cedida por escritura pública à Irmandade de Santa Rita a quem caberia a administração da igreja, que nesta ocasião já contava com capela-mor, sacristia e consistório; os Nascentes Pinto cederam ainda ornamentos e alfaias. Em 1751 a Igreja foi elevada à condição da Freguesia, cuja confirmação e instalação ocorreu em 1753.

Igreja de São Francisco da Penitência
Endereço: Largo da Carioca

Em 1619 foi fundada a Ordem Terceira da Penitência, pelo português Luís de Figueiredo e sua mulher, e em 1620 já se encontrava pronta a Capela da Conceição, localizada perpendicularmente ao lado direito da igreja conventual. A igreja da Ordem Terceira foi iniciada em 1653, construída paralelamente à Igreja conventual, também pelo lado direito, mas por causa de desavenças na Irmandade, somente a partir de 1726 as obras se aceleraram, e no ano de 1773 foi inaugurada. A primitiva Capela ficou incorporada à nova Igreja.

Igreja de São Francisco de Paula
Endereço: Largo de São Francisco

Data de 1756 a resolução para a fundação de uma confraria dedicada a São Francisco de Paula. No ano seguinte, a confraria já estava instalada na Igreja de Santa Cruz dos Militares e, em 1759, deram-se início às obras da Igreja, que prolongaram-se até 1801. A fachada, porém, foi alterada por Antônio de Pádua e Castro, após a metade do século XIX, quando imprimiu-lhe elementos de caráter clássico associado ao frontão curvilíneo típico da arquitetura barroca.

Igreja de São José
Endereço: Av. Presidente Antônio Carlos

O templo dedicado a São José teve sua origem em uma pequena ermida construída em 1608 pelo ermitão Egas Muniz, a capela serviu, a partir de 1659, como Matriz e Sé do Rio de Janeiro e foi submetida a diversas reconstruções. No século seguinte, a igreja voltou a sofrer novas obras entre 1725 e 1729. Em 1751 é a Matriz da freguesia de São José. Em 1807, a Irmandade de São José deu início às obras da atual Igreja sob a responsabilidade do Mestre Félix José de Souza, substituído, em 1815, pelo arquiteto do Paço, João da Silva Muniz, sendo inaugurada em 1842.

Igreja do Santíssimo Sacramento
Endereço: Avenida Passos, 50

A Irmandade do Santíssimo Sacramento foi constituída entre os anos 1567 e 1569 na primitiva Matriz de São Sebastião. A partir de 1816, começaram a construção da sua Igreja, que foi concluída em 1859. Igreja de nave única e capela-mor profunda. A fachada é de grande porte, apresentando trabalhos de cantaria e coroamento das sineiras em forma alongada piramidal, de autoria do arquiteto Francisco José Bittencourt da Silva, revestidas por mármore branco. As portadas são de cantaria e ao lado da entrada principal, estão estátuas de São João e São Lucas.

Ilha Fiscal
Endereço: Sudoeste da Ilha das Cobras

Ilha dos Ratos foi o primeiro nome dado à laje alta que aflorava ao largo da costa do Rio de Janeiro, não muito longe do antigo porto. Foi sucessivamente aplanada e aterrada até tornarse uma superfície horizontal de contornos retilíneos. Em 1882, ao visitar o local, d. Pedro II percebeu as excepcionais potencialidades cênicas da ilha e encomendou ao engenheiro Adolfo del Vecchio o projeto de um posto aduaneiro. O projetista concebeu então a pequena jóia cuja linguagem neogótica que visava, segundo a memória de projeto, harmonizar a construção com a moldura da Serra dos Órgãos, ao fundo da baía de Guanabara.

Mosteiro e Igreja de São Bento
Endereço: Rua Dom Gerardo, 68

É do início do século XVII a primeira fase das obras do Mosteiro de São Bento e de sua igreja, devotada à Nossa Senhora do Montserrat. Apesar das consideráveis modificações e ampliações empreendidas no final do mesmo século, o conjunto ainda conserva, fundamentalmente, o caráter da edificação iniciada em 1617, sob o traço do Engenheiro-Mor Francisco de Frias da Mesquita. A partir de 1670, obras de grande porte foram realizadas sob a responsabilidade do Arquiteto Beneditino Frei Bernardo de São Bento; completou-se a quadra conventual, e a Igreja de uma nave, passou a ter, no térreo, capelas laterais intercomunicantes e tribunas no pavimento superior, em conseqüência da abertura de arcos nas paredes laterais.

Museu Nacional de Belas Artes
Endereço: Avenida Rio Branco, 199

O prédio foi construído entre os anos 1906-1908, segundo projeto de Adolfo Morales de los Rios, para abrigar a Escola de Belas Artes e sua pinacoteca. Em 1937, foi criado o Museu Nacional de Belas Artes, a partir da pinacoteca, tendo sido a Escola desmembrada, funcionando atualmente no prédio da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro na Ilha do Fundão.

Paço Imperial
Endereço: Praça Quinze de Novembro, 48

Em 1730, foi autorizada através de Ordem Régia a construção de uma casa destinada à morada do vice-rei, no Rio de Janeiro, por Gomes Freire de Andrada, Conde de Bobadela.. Projetado pelo Brigadeiro Engenheiro José Fernandes Pinto Alpoim, foi inaugurado em 1743 como sede do governo das capitanias do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Vinte anos depois, com a mudança da capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro, passa a abrigar a sede do poder civil colonial.

Palácio Itamarati
Endereço: Avenida Marechal Floriano, 196

O Palácio Itamaraty, construído no século passado, foi encomendado pelo Barão e depois Conde de Itamaraty, o cidadão português Francisco José da Rocha, comerciante de café e pedras preciosas. O projeto de construção é atribuído ao Arquiteto José Maria Jacinto Rabello, suas linhas neoclássicas apresentam fachada sóbria, apurada, com dupla ordem de vãos com vergas de plena volta, apresenta no sobrado sacadas corridas e guarda-corpo de serralheria e é encimada por platibanda com vasos que substituíram as primitivas estátuas, flanqueada de dois terraços com balaustrada de pedra de lioz, usada também nos portais, pilastras e cornijas.

Palácio Tiradentes
Endereço: Av. Presidente Antônio Carlos, 641

Após a fundação da cidade do Rio de Janeiro, entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, no ano de 1565, a sede administrativa foi transferida para o antigo Morro do Castelo em 1567. Em decorrência da atividade portuária, as construções expandiram-se para a parte baixa da cidade. Em 1639, uma nova Casa de Câmara e Cadeia começou a ser construída, no local onde hoje se encontra o Palácio Tiradentes.

Palácio Pedro Ernesto
Endereço: Praça Marechal Floriano

No conjunto de grandes edifícios públicos de arquitetura eclética da Cinelândia, o palácio Pedro Ernesto compõe com a Biblioteca Nacional a moldura imediata do Theatro Municipal. O projeto do Escritório Técnico Heitor de Mello foi desenvolvido, a partir de 1919, por Memória e Cuchet.

Passeio Público
Endereço: Rua do Passeio

Pharmácia Cordeiro
Endereço: Rua da Constituição, 45

Fundada em 1895 por Antônio Cordeiro, farmacêutico e homeopata. Atualmente, o edifício é ocupado por outra atividade.

O local onde existia a lagoa do Boqueirão da Ajuda, que o Vice-Rei D. Luís de Vasconcelos mandou aterrar, foi transformada em jardim, segundo o risco de Mestre Valentim. O traçado primitivo do jardim apresentava ruas retas que se cruzavam ortogonalmente, e outras formando diagonais.

Quartel Central do Corpo de Bombeiros
Endereço: Praça da República, 45

Neste mesmo local funcionou desde 1856 o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte. Em 1908, sendo insuficientes as antigas instalações, foi construído o edifício atual, segundo projeto do engenheiro militar Francisco Marcelino de Souza Aguiar, futuro prefeito do Distrito Federal e autor de outros edifícios públicos. É exemplar notável do gosto eclético em que a decoração exterior articula elementos de arquitetura militar numa composição imponente.

Real Gabinete Português de Leitura
Endereço: Rua Luiz de Camões, 30

Em 1880, ao comemorar-se o tricentenário da morte de Camões foi lançada por D. Pedro II a pedra fundamental do Real Gabinete Português de Leitura na antiga rua da Lampadosa que passou a chamar-se desde então Luiz de Camões.

Restaurante Albamar
Endereço: Praça Marechal Âncora, 184

O primeiro mercado do Rio de Janeiro foi projetado na primeira metade do século XIX pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny, na beira da antiga praia de D. Manuel, junto do largo do Paço, para disciplinar o comércio de gêneros alimentícios – sobretudo peixe – na zona central.

Sala Cecília Meirelles
Endereço: Largo da Lapa, 47

No mesmo local onde primitivamente existiu o antigo armazém do Romão, foi edificado o Hotel Freitas, em 1887. Em seguida foi reformado e reinaugurado como Grande Hotel da Lapa, pouso de políticos mineiros que vinham à antiga Capital. Encerrando o funcionamento em 1948, o prédio foi adaptado para servir de cinema.

Sociedade Brasileira de Belas Artes
Endereço: Rua do Lavradio, 84

Este imponente edifício na confluência das ruas da Relação, Lavradio e da avenida Chile foi construído para residêncoa do marquês do Lavradio, vice-rei do Brasil quando, no final do século XVIII, a sede do vice-reino foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro.

Teatro Municipal
Endereço: Praça Floriano Peixoto

O Teatro Municipal foi construído entre os anos de 1904 e 1909, logo após a abertura da Avenida Central, segundo risco de Francisco de Oliveira Passos, inspirado na Ópera de Paris, que empregou na sua construção materiais de grande requinte, como mármore, bronze, metais e estuques dourados, azulejos e ladrilhos especialmente desenhados, veludos, estruturas metálicas inglesas, cobertura e telhados em chapas de cobre.