Corruptela de U BANG Ú, “O Anteparo Escuro”, “A Barreira Negra”, ou também BANG Ú, “Alcantilado e Torcido” ou “Cercado por Morros”, na linguagem dos índios, a outra denominação está relacionada a uma corruptela do étimo africano “BANGÜÊ”, com que os escravos chamavam o local do engenho onde se guardava o bagaço da cana-de-açúcar que, após moída, alimentava o gado. O termo ficou consagrado ainda, como denominação de uma espécie de padiola feita de tiras de couro ou fibras trançadas, usadas geralmente por dois homens para conduzir feixes de cana-de-açúcar cortada e outros materiais, numa forma improvisada de transporte que deu origem à expressão "fazer à bangu", cujo significado é fazer sem cuidado, de improviso, fazer de qualquer jeito.

Essa região desabitada, inicialmente atravessada pelo caminho dos jesuítas (depois Estrada Real de Santa Cruz), foi desmembrada da Paróquia de N. Sra. do Desterro de Campo Grande, teve como primeiro proprietário, o negociante português Manoel de Barcelos Domingos que, em 21 de janeiro de 1673, fundou a fazenda Bangu, construindo nela uma capela e erguendo o Engenho da Serra, que fabricava açúcar, cachaça e rapadura, transportados em carros de bois até o Porto de Guaratiba. Muitas pendências e confusões surgiram com os proprietários vizinhos, das fazendas Piraquara, do Retiro e do Viegas, acirrando a disputa por terras.

Nisso a fazenda Bangu foi mudando de dono, ao longo os 200 anos posteriores, tendo cerca de nove proprietários, entre eles, João Freire Alemão, Dona Ana Francisca de Castro Morais e Miranda, o Barão de Itacuruça, se destacando Dona Ana Francisca, a primeira a utilizar oficialmente o nome Bangu em documentos oficiais relativos à Fazenda. Em 1798, então viúva, ela através em vários recursos à justiça, procurou estender seus limites territoriais através dos de sitiantes, encapando os do Piraquara, Realengo, chegando a ameaçar as terras do Convento do Carmo. Morta Dona Ana, herdou-lhe a fazenda Bangu, seu filho, Coronel Gregório de Castro Morais e Souza, 1º Barão de Piraquara, e no início da República, a propriedade já era do negociante Manuel Miguel Martins (o Barão de Itacuruça).

Em 1878, a E. F. Dom Pedro II, inaugurou o ramal de Santa Cruz e nele foi aberta, em 1890, a Estação de Bangu como um Prédio de Tábuas, que ainda existia em 1928. Somente em 1938, foi construída a atual estação em alvenaria, que hoje integra a Supervia. A fazenda Bangu, ou seja, sua casa grande, capela e senzalas, eram mais para dentro, no rio da Prata, perto do Caminho dos Cardosos, no sopé da Serra do Bangu.

Em 1888, imigrantes portugueses ligados ao comércio atacadista de tecidos, resolveram montar uma Indústria Têxtil, e consideraram a região de Bangu, com muitas cachoeiras e nascentes, o local apropriado para a implantação da fábrica. O Engenheiro Henrique de Morgan Snell convenceu os sócios, que adquiriram do Barão de Itacuruça a fazenda Bangu, mais as fazendas do Agostinho, dos Amarais e do Retiro, margeando o ramal ferroviário.

Em 6 de fevereiro de 1889, foi constituída a “Companhia Progresso Industrial do Brasil”, tendo como presidente Estevão José da Silva. A construção da Fábrica Bangu ficou a cargo da “The Morgan Snell and Company”, sediada em Londres, e entre seus principais acionistas estavam o Comendador Costa Pereira, Morgan Snell, o Visconde de Figueiredo, o Barão Salgado Zenha, Eduardo Gomes Pereira e o espanhol João Ferrer, seu primeiro Superintendente. Ferrer assumiu a gerência da fábrica em 1903, e foi quem mais a impulsionou, com obras sociais, escolas, caixa beneficiente (posto de saúde), mandando vir de Minas Gerais, o Engenheiro Oruzimbo do Nascimento para começar o Plano Definitivo de Arruamento da Região, e adquirindo abundante manancial no Maciço da Pedra Branca, para abastecimento d‘água do bairro, com 8 milhões de litros diários.

A inauguração oficial da Fábrica Bangu ocorreu no dia 8 de março de 1893, com o apito da chaminé de 57 metros de altura, com festa agraciada pela presença do vice-presidente da República, Marechal Floriano Peixoto. Antes em 1892, nas ruas Estevão e Fonseca, foram erguidas vilas residenciais para técnicos e operários, com 95 casas. Em 1896, a Companhia Progresso Industrial do Brasil, construiu dezenas de moradias na localidade ainda hoje denominada Catiri.

Em 1910, ocorreu a inauguração da Igreja de São Sebastião e Santa Cecília, na atual Praça da Fé. A população do bairro aumentava, novas ruas foram abertas e em 1920, a Companhia aliando-se à Prefeitura, iniciou a finalização dos trabalhos de urbanização de Bangu, com projetos de saneamento e instalação de uma Estação Telegráfica. Em 1923, acionista da Companhia Progresso Industrial, Guilherme da Silveira chegou a Bangu e logo assumiu a presidência da Fábrica, retomando o crescimento, abrindo novas ruas, ajudando na construção do trecho da estrada Rio-São Paulo com material e operários. A rodovia foi decisiva para a urbanização definitiva de Bangu, ampliando os limites do bairro.

Na era Getúlio Vargas, Guilherme da Silveira estreitou os laços com o governo e em 1933, foi inaugurada a iluminação pública de Bangu. O comércio crescia e, a partir de 1935, a Prefeitura passou a abrir novas ruas na região e a ajudar na construção de casas. Em 1937, o governo instalou ali sua rede de fornecimento, aprovando o lançamento de 12 mil lotes, transformando Bangu em uma espécie de “Califórnia Carioca”. Muitos proprietários investiram na produção de laranjas, exportando caixas da fruta para a Europa. Os laranjais se espalhavam pelos sítios vizinhos, desde o Maciço de Gericinó até a Serra de Bangu.

Na década de 1960, já no Estado da Guanabara, governo de Carlos Lacerda, o Banco Nacional da Habitação (BNH), passou a construir conjuntos habitacionais em Bangu, capazes de abrigar as favelas removidas das Zonas Norte e Sul.

Já como XVII Região Administrativa, Bangu viu surgir o primeiro grande conjunto, o da Vila Aliança, inaugurado em 1963 com 2187 casas, depois o da Vila Kennedy, em 1964, na avenida Brasil, com 5069 unidades, o terceiro, o Jardim Bangu, na rua Catiri, de 1968, e o Dom Jaime de Barros Câmara, com 180 blocos de 30 apartamentos cada, num total de sete mil unidades, era o maior Conjunto Habitacional da América Latina nessa época.

Posteriormente, novos conjuntos foram construídos em sua periferia, o Quafá, Sargento Miguel Filho, Dr. Antonio Gonçalves, Seis de Novembro, João Saldanha, dentre outros. A partir da morte de Guilherme da Silveira Filho, o “seu Silveirinha”, em 1989, a Companhia da Fábrica Bangu iniciou sua decadência. Em 1990, foi negociada com o grupo Dona Isabel e encerrou suas atividades no bairro em 2005, passando a funcionar na Cidade Fluminense de Petrópolis. No seu terreno original, foi construído um Shopping Center, mantendo as características arquitetônicas do antigo prédio, o Bangu Shopping, inaugurado no dia 30 de outubro de 2007, com lojas, cinemas, praças de alimentação e “lojas âncoras”.

Destaca-se no bairro, o tradicional Bangu Atlético Clube, fundado em 17 de abril de 1904, como “The Bangu Athletic Club” adotando as cores vermelho e branco, estreando em 1906 no Campeonato Carioca. Em 1933, sagrou-se o primeiro campeão carioca de futebol na era profissionalista. O clube obteve destaque durante as competições das décadas de 1950/1960, e sob a Presidência de Euzébio de Andrade, “Seu Zizinho”, voltou a ser campeão carioca em 1966. Sua última grande participação foi no Campeonato Brasileiro de 1985, quando perdeu o título nos “penaltys” para o Coritiba, no Maracanã.

Também o Cassino Bangu fez história, oriundo da Sociedade Musical Progresso de Bangu em 1906, com sua banda e concorridos bailes, sendo extinto em 1951. Atualmente, a Lona Cultural Hermeto Pascoal, erguida em 1996 na praça 1º de Maio pela “Rio Arte”, concentra eventos musicais e culturais para a população do bairro.

Bangu é situado em extenso vale entre dois grandes maciços montanhosos, ao norte o de Gericinó, apresentando densa cobertura florestal, onde está situado o Parque Natural Municipal da Serra do Mendanha, em área de 1450 hectares, inaugurado em 2002, com piscina natural, trilhas ecológicas, “play ground”, churrasqueiras. Ao sul, fica o maciço da Pedra Branca, Parque Estadual da Pedra Branca, destacando-se a elevada Serra do Bangu, com encostas desmatadas, cujo ponto culminante é a “Pedra do Ponto”, a 938 mts de altitude, com mirante natural de toda a Zona Oeste, Subúrbios, Baías de Guanabara e de Sepetiba, Barra da Tijuca, etc.

Bangu Atlético Clube
Endereço: Avenida Cônego de Vasconcelos, 549

A sede social do Bangu Atlético Clube tem origens na antiga Fábrica de Tecidos Bangu. Inaugurada em 1889, a fábrica foi construída no terreno da Fazenda Bangu, de propriedade da Cia. Progresso Industrial Brasil. O clube, fundado em 1904 por funcionários da fábrica, tem sua sede no prédio revestido de tijolo aparente seguindo influência inglesa.

Escola Getúlio Vargas Municipal
Endereço: Avenida Santa Cruz, 4.725

Inaugurada na administração do Prefeito Pedro Ernesto Batista, em 1935, a edificação apresenta corpo cilíndricocom venezianas e é composta por blocos construtivos modulares despojados de ornamentação.

Estádio Proletário Guilherme da Silveira
Endereço: Rua Sul América, 950

Introduzindo na Fábrica de Tecidos Bangu por operários vindos da Grã-Bretanha para trabalhar na indústria, o futebol se tornaria popular no bairro. Inaugurado em 1947, o Estádio Proletário Guilherme da Silveira também seria conhecido como Estádio de Moça Bonita.

Fábrica Bangu
Endereço: Rua Fonseca, 240

A construção oroginal da Fábrica de Tecidos Bangu em 1889 é representativa do final do século XIX, quando se inagurava o uso do ferro nas estruturas construtivas. Essas estruturas eram preenchidas com alvenaria aparente que conferia robustez e plasticidade ao conjunto. Apesar de abrir atualmente um shopping center a construção preserva as suas principais características.

Igreja de São Sebastião e Santa Cecília
Endereço: Praça da Fé s/n

Inaugurada em setembro de 1908, possui fachada em estilo aparente avermelhado que confere unidade arquitetônica com as edificações do terreno da antiga Fábrica de Tecidos Bangu. Construída em estilo neogótico inglês, a igreja possui vitrais e arcos apontados no interior e uma torre sineira encimada por cúpula piramidal.

Palmeira tipo Babaçu
Endereço: Rua Silva Cardoso em frente ao nº 120

A Orbignya speciosa é uma das mais importantes representações das plameiras brasileiras e se destaca por seu porte altivo e exuberância, podendo atingir entre 10 e 20m de altura.

Palmeiras Imperiais
Endereço: Avenida Santa Cruz em frente a Fábrica Bangu

Frondosos exemplares de Roystonea oleraceae, contemporâneas à construção da Fábrica Bangu (1889).

Tamarineiras Centenárias
Endereço: Rua da Chita

Árvore perene, a espécia Tamarindus indica destaca-se por suas flores amarelas em cachos, podendo atingir ate 25m de altura.