Francisco de Paula Lemos Bolonha (Belém PA 1923 - Rio de Janeiro RJ 2006). Arquiteto, urbanista. Forma-se em 1945, na Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil - FNA, onde conhece sua esposa, a artista plástica Regina Bolonha. Estagia com os arquitetos Aldari Toledo (1915), Jorge Moreira (1904 - 1992) , Oscar Niemeyer (1907), Affonso Eduardo Reidy (1909 - 1964) e Burle Marx (1909 - 1994), que lhe apresentam a arquitetura moderna e o introduzem na profissão. Em sua trajetória, divide-se entre seu escritório particular e as atividades como funcionário de empresas públicas e privadas em diversos Estados do Brasil.

Os primeiros projetos de seu escritório contam com o apoio de Burle Marx, que o convida a realizar a Fonte Andrade Júnior, 1946/1947, em Araxá, Minas Gerais, e de Aldari Toledo, que o leva para Cataguases, também em Minas Gerais, onde projeta edifícios como o Hospital Maternidade, 1951, e o Monumento José Inácio Peixoto, 1956.1 Esses projetos e a Residência Hildebrando Accioly, 1949/1950, dão ao jovem arquiteto renome internacional, e sua obra é amplamente divulgada por revistas como Architectural Forum, Architecture Journal, Abitare e Architecture D'Aujourd'hui até os anos 1960.

O ingresso no funcionalismo público se dá pelas mãos de Reidy, que o convida a trabalhar no Departamento de Habitação Popular do Distrito Federal - DHP em 1946, onde projeta os Conjuntos Residenciais Paquetá, 1947/1952, e Vila Isabel, 1955. Para o Estado dirige a Divisão de Construções e Equipamentos Escolares entre 1960 e 1964, desenvolvendo cinco projetos padrão de escola e acompanhando a construção de 252 unidades, entre as quais a Escola Cícero Penna, de sua autoria. Presta consultoria para a Companhia Estadual de Telefones da Guanabara - Cetel, entre 1963 e 1965, projeta sua sede, 1967/1970, no Rio de Janeiro, obra que é premiada no 18ª Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro, 1968, com uma viagem a Paris, com permanência de dois anos. A experiência na Cetel lhe rende projetos para a Telemig, Telebras e Telegoiás, para quem projeta edifícios administrativos e centros de treinamento até a década de 1980. Entre 1966 e 1967 trabalha como arquiteto na Divisão de Programas de Projetos do Banco Nacional de Habitação - BNH.

Como funcionário das empresas Bloch, entre 1954 e 1968 projeta a Escola Joseph Bloch, 1960/1964, no Rio de Janeiro, além de prestar consultoria em aquisição de obras de arte. Entre os anos 1960 e 1970, é consultor do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ e curador da Fundação Raymundo Castro Maya.

Em 1987 se aposenta da prefeitura. Poucos anos depois fecha o escritório que mantém com Iza Bissagio, e continua trabalhando pelo menos até 2003 em sua casa no Rio de Janeiro para o Mosteiro de Nossa Senhora das Graças. Ele doa parte de seu acervo de desenhos, projetos, obras de arte e documentos para o Instituto Francisca de Souza Peixoto e o Núcleo de Pesquisa e Documentação da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.