Eduardo Coimbra iniciou sua carreira no começo dos anos 1990, com trabalhos em que objetos familiares eram resgatados da anonimidade através do uso de pequenos motores, luminosos e mecanismos elétricos. Ao longo dos anos, contudo, o foco da ação do artista tem se deslocado gradualmente para trabalhos de grande escala, culminando com a realização de importantes instalações públicas.

Para além dessas encomendas, cabe notar que até uma produção mais intimista, como a da grande série de maquetes realizadas a partir de 1999 ou as fotografias/colagens em que ilhas aparecem flutuando no céu, num cenário quase onírico (série Asteróides), apontam para esse desejo de grandiosidade. As maquetes, em especial, ao mesmo tempo que adquirem, por vezes, um tom quase surrealista, nunca deixam de apresentar-se como passíveis de ser realizadas, algum dia, em escala humana.

Em consonância com essas premissas, dá para dizer que o cerne da pesquisa do artista carioca é uma reflexão sobre a paisagem, mais especificamente sobre a representação da paisagem, com as infinitas ramificações que esta reflexão engendra e pressupõe, em especial a relação entre paisagem naturalista e paisagem imaginária, e o lugar da produção contemporânea na história de um gênero iconográfico clássico.